Relatório do Cimi aponta aumento de conflitos territoriais e assassinatos de indígenas no Maranhão em 2025

🇧🇷 Globo (BR) —
Relatório do Cimi aponta aumento de conflitos territoriais e assassinatos de indígenas no Maranhão em 2025

AI Summary

The Indigenous Missionary Council (Cimi) reported an increase in territorial conflicts and murders of Indigenous people in Maranhão, Brazil, in 2025. The report highlights threats, illegal resource exploitation, and the impact of legislative changes weakening indigenous and environmental protections.

Relatório do Cimi aponta alta de conflitos e assassinatos no Maranhão O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou o relatório anual sobre a violência contra os povos indígenas no Brasil em 2025. Segundo o documento, houve agravamento das violações de direitos em diferentes regiões do Maranhão, com aumento de conflitos territoriais e assassinatos, além de registros de ameaças, invasões, desmatamento, pressão econômica e exploração ilegal de recursos naturais. De acordo com o Cimi, os conflitos por território no Maranhão passaram de seis para oito casos, enquanto os assassinatos aumentaram de seis para sete. As ameaças de morte também cresceram, e 11 violações envolvendo o povo Gavião foram mapeadas. Segundo a coordenadora adjunta do Cimi, Rosana de Jesus Diniz, a violência contra o patrimônio indígena está diretamente relacionada à exploração dos recursos naturais existentes nos territórios, como florestas, minérios e fontes de água. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp “Essa violência contra o patrimônio tem a ver diretamente com a exploração, nos territórios indígenas, dos bens naturais da floresta, do minério e das fontes de água. Outro elemento que contribui para essas violências está relacionado à aprovação de leis no Congresso, leis que flexibilizam ou tentam fazer retroceder direitos indígenas e leis ambientais que também fragilizam a proteção desses bens”, afirmou Rosana de Jesus Diniz. O relatório aponta que, em 2025, foram registrados 1.169 conflitos por direitos territoriais no país, envolvendo 1.143 terras indígenas em 23 estados. No Maranhão, os problemas estão relacionados principalmente às disputas por terra, às invasões, ao desmatamento e à exploração ilegal de recursos naturais. A demora na demarcação dos territórios também é apontada no relatório. Segundo o documento, quem denuncia invasões e outros crimes também pode se tornar alvo de ameaças. Uma das lideranças ouvidas pela reportagem é do povo Gavião, da Aldeia Governador, e está sob proteção do governo federal. Por questões de segurança, a identidade não será divulgada. A liderança relatou que drones sobrevoam a região durante a noite e afirmou que a situação provoca insegurança entre os moradores da comunidade. “A gente está se sentindo pressionado. Às vezes, eles jogam drone à noite, e as crianças veem uma estrela pensando que é drone. Então, as crianças ficam assustadas e os idosos também. A gente não sabe quem está fazendo isso ou se estão jogando veneno via drone durante a noite para causar algum problema de saúde”, relatou a liderança. Em 2025, segundo o Cimi, foram registrados 2.158 assassinatos de indígenas no país e mais de mil mortes de crianças de até 4 anos. No Maranhão, foram 168 mortes nessa faixa etária, 11 a mais do que em 2024. Relatório do Cimi aponta aumento de conflitos territoriais e assassinatos de indígenas no Maranhão em 2025 Reprodução/ TV Mirante A coordenadora adjunta do Cimi explicou que a falta de acesso à água limpa e potável é um dos fatores que contribuem para a mortalidade infantil nas aldeias. “Esses números sobre a mortalidade das crianças têm a ver com a questão do acesso à água limpa e potável nos territórios indígenas”, afirmou Rosana de Jesus Diniz. As lideranças cobram mais proteção e agilidade na demarcação das terras indígenas. Na área jurídica, o Cimi acompanha questões relacionadas ao marco temporal, ao licenciamento ambiental e à mineração em terras indígenas. O assessor jurídico do Cimi, Gabriel Serra, afirmou que a mineração e o licenciamento ambiental de fazendas em áreas onde há sobreposição de propriedades particulares com territórios indígenas podem provocar a expulsão dos povos de áreas tradicionalmente ocupadas. “Há mineração hoje em territórios do Maranhão e em territórios do Brasil onde os povos são expulsos dos seus locais de uso tradicional. Além disso, há o licenciamento ambiental de fazendas em territórios onde ainda existe a sobreposição da propriedade particular com o território indígena. Então, os indígenas são expulsos das suas áreas de moradia e de sobrevivência”, explicou Gabriel Serra. Segundo o assessor jurídico, o relatório também evidencia o aumento das mortes e dos conflitos territoriais registrados em 2025. Em outro relato registrado pela reportagem, sem identificação da pessoa que deu a declaração, foi descrita a sensação de insegurança vivida nas comunidades. “A gente não tem mais esse sossego e não tem essa tranquilidade.” O que dizem as autoridades? Em nota, o Governo do Maranhão informou que atua na proteção da Terra Indígena Governador, com a implantação de guaritas e a inclusão de indígenas em programa de proteção. Sobre os conflitos, a Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) informou que investiga os registros e confirmou a prisão recente de um suspeito de homicídio em Amarante. A Secretaria de Estado da Educação informou que atende 11 mil alunos em escolas indígenas no Maranhão. O g1 entrou em contato com a Fundação Nacional d

World Security Conflict Politics Health Commodities Indigenous rights territorial conflict Maranhão illegal exploitation environment violence Brazil

Read original source →