Velocidade e inclinação: como mureta de pedágio virou rampa e lançou carro contra cobertura no interior de SP

🇧🇷 Globo (BR) —
Velocidade e inclinação: como mureta de pedágio virou rampa e lançou carro contra cobertura no interior de SP

AI Summary

A vehicle crashed into a toll booth in Campinas, Brazil, causing severe damage to the structure and killing the 24-year-old driver. Experts from Unicamp explained that the collision dynamic, involving a speed and an angled concrete barrier, caused the car to be launched into the toll booth roof.

Câmera flagra momento em que carro derruba teto de pedágio; motorista morreu O carro que atingiu uma praça de pedágio, em Campinas (SP), foi arremessado contra a cobertura após bater em uma mureta de contenção que acabou funcionando como uma rampa, segundo especialistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ouvidos pelo g1. ➡ O acidente aconteceu no domingo (26) e causou a morte do motorista, de 24 anos. Uma câmera de segurança registrou o momento em que veículo, em alta velocidade, passou pela faixa zebrada, atingiu a contenção de concreto e foi lançado em direção à viga superior, que desabou - veja acima. Para os especialistas, a combinação da alta velocidade do veículo com o formato inclinado da estrutura lançaram o carro para o alto, atingindo a parte superior da praça e derrubando parte do teto - leia mais abaixo. Segundo os professores, a dinâmica incomum da colisão ajuda a explicar como o veículo ganhou altura após o impacto. Eles avaliaram que a prevenção de acidentes semelhantes passa pelo debate sobre soluções de engenharia e pelo respeito aos limites de velocidade. LEIA TAMBÉM: Carro alcançou 6 metros de altura ao bater em teto de pedágio no interior de SP Sem frear, motorista desviou de outros carros antes de derrubar cobertura de pedágio, diz testemunha 'Carro voou por cima do nosso', diz testemunha de acidente que destruiu pedágio Em nota, a Renovias, concessionária que adminsitra o trecho, informou que a área de Engenharia faz o monitoramento e a avaliação da integridade da estrutura desde o momento do acidente, além de estudos técnicos relacionados ao cronograma de reconstrução da área afetada. Ao longo desta segunda-feira (27), a concessionária disse que trabalhou para reativar as cabines manuais e automáticas afetadas com o acidente Como o carro foi lançado? Câmera flagra momento em que carro derruba teto de pedágio em Campinas; motorista morreu Reprodução/EPTV De acordo com o professor do Departamento de Física Aplicada da Unicamp, Leandro Tessler, o veículo atingiu a extremidade da contenção, que possui formato afunilado e inclinado. "O que causou essa decolagem foi a ponta em cunha", disse. Ele explicou que a combinação entre o ângulo da mureta e a velocidade do carro fizeram com que a contenção atuasse como uma "rampa". "Foi um monte de coincidências infelizes. Se não fosse aquela forma de rampa, o carro não decolaria", afirmou. Tessler explicou que, em situações como essa, a trajetória após o contato com a rampa depende principalmente da velocidade. Por isso, um veículo mais leve ou mais pesado teria comportamento semelhante se atingisse a estrutura nas mesmas condições. O professor da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, Creso de Franco Peixoto, afirmou que a própria dinâmica da batidade sugere uma grande quantidade de energia envolvida. Para ele, o fato de o veículo atingir a mureta, "alçar voo" e ainda provocar danos na cobertura indica uma velocidade muito elevada. E se a mureta tivesse outro formato? Inclinação e velocidade: como mureta de pedágio virou rampa e lançou carro contra cobertura no interior de SP Jorge Talmon/EPTV Segundo Tessler, sem a ponta inclinada, o carro provavelmente não teria sido arremessado contra a cobertura. Isso não significa, porém, que o resultado seria necessariamente menos grave. Tessler explicou que uma barreira com outro desenho poderia fazer o veículo atingir diretamente uma pilastra da estrutura do pedágio. "Uma colisão direta com uma viga seria mais forte, mais energética do que o que aconteceu com o carro", avaliou. O especialista afirmou que existem outros modelos de contenção utilizados em rodovias, mas ressaltou que a estrutura da praça de pedágio foi projetada para situações normais de circulação. Já o professor de Engenharia de Transportes da Unicamp, Luiz Vicente Figueira de Mello Filho, disse que não há legislação específica sobre os tipos de barreira em praças de pedágio. Para ele, casos como esse podem servir para discutir a adoção de dispositivos complementares, capazes de reduzir os efeitos de impactos extremos. Como evitar acidentes parecidos? Dianteira do carro que bateu em praça de pedágio ficou destruída em Campinas Jorge Talmon/EPTV Embora classifiquem o caso como algo raro e sem precedentes, os especialistas avaliam que o episódio pode servir de base para discutir novas medidas de segurança em praças de pedágio. Mello Filho apontou como uma possível alternativa a instalação de terminais de absorção de energia. Segundo ele, o equipamento já é utilizado em alguns pontos das rodovias, especialmente em áreas de bifurcação, para reduzir a força de colisões frontais. "Ele funciona como se fosse uma mola, só que ao invés de voltar, ele só vai", explicou. Segundo o especialista, o sistema absorve parte da energia do impacto e reduz a transferência dessa força para o veículo: "Ele absorve bem essa energia e não faz com que o veículo, por exemplo, decole." O professor ressaltou, porém, que a veloc

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