Vacinas personalizadas, exercício e IA impulsionam nova era no tratamento do câncer

🇺🇸 Globo (US) —
Vacinas personalizadas, exercício e IA impulsionam nova era no tratamento do câncer

AI Summary

Recent advances in cancer treatment include personalized vaccines, new drugs like daraxonrasibe targeting pancreatic cancer, and simple interventions such as exercise. These multiple simultaneous approaches highlight a transformative era in oncology unveiled at the 61st ASCO annual meeting.

e medicamentos eficientes contra tumores no pâncreas a intervenções tão simples e baratas quanto um programa de exercícios físicos estão entre as novas armas inovadoras contra a doença. Ilustração gerada com auxílio de IA por IASExam IAS Academy, CC BY Durante muito tempo, a história dos avanços contra o câncer foi marcada e celebrada pelo anúncio de uma grande descoberta, como um novo remédio, uma nova tecnologia ou um estudo capaz de mudar o tratamento de determinado tumor. Mas a principal mensagem da 61ª reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizada em maio deste ano, em Chicago, nos Estados Unidos, foi outra. Em vez de uma única descoberta, diferentes frentes começaram a produzir resultados relevantes ao mesmo tempo. Essa mudança ficou evidente ao longo de toda a conferência. Um dos momentos mais marcantes ocorreu durante a apresentação dos resultados do estudo RASolute 302, conduzido pelo Dana-Farber Cancer Institute, nos Estados Unidos, quando uma plateia de milhares de médicos se levantou para aplaudir. Siga o canal do g1 Bem-Estar no WhatsApp A terapia que emocionou a audiência foi o daraxonrasibe, um novo tratamento contra o câncer de pâncreas, doença cuja sobrevida em cinco anos é de apenas cerca de 3% e que sempre foi considerada uma das mais frustrantes quanto à eficácia de novas drogas. Os dados do estudo mostraram que o medicamento quase dobrou a sobrevida desses pacientes em comparação com a quimioterapia. O medicamento que rompeu a habitual sisudez dos congressos ataca um gene chamado RAS, descrito pela primeira vez em tumores de ratos nos anos 1960 e identificado em câncer humano em 1982, hoje conhecido como possível alvo em quase um terço dos tumores existentes. Durante mais de quarenta anos, o câncer de pâncreas foi considerado impossível de combater. Para uma doença que resistiu a décadas de tentativas, a palavra que ecoou nos corredores sobre o novo tratamento foi “transformador”. Agora no g1 Da vacina personalizada ao exercício Como oncologista, vivo para equilibrar esperança, expectativas e ceticismo. E o que mais me chamou atenção na conferência deste ano não foi apenas essa droga, por mais notável que seja. Foi perceber que ela era apenas uma entre várias frentes de avanço. E que essas frentes não se parecem em nada umas com as outras. De um lado, vacinas personalizadas de altíssima tecnologia e reposicionamento de medicamentos. Do outro, intervenções tão simples e baratas quanto uma caminhada ou um comprimido de aspirina. A primeira dessas frentes nasceu de uma tecnologia que o mundo inteiro conheceu na pandemia. As vacinas de mRNA contra a Covid-19 funcionavam como um bilhete de instruções: ensinavam nossas células a produzir um pedacinho do vírus, treinando o sistema imune a reconhecê-lo. A mesma ideia está agora sendo expandida contra o câncer, com um verdadeiro tratamento personalizado para a neoplasia de cada paciente. O princípio é elegante. Depois da cirurgia para remover o tumor, os cientistas analisam o material genético daquele câncer específico e identificam as mutações que o tornam diferente das células saudáveis. Com base nisso, produzem uma vacina sob medida, que ensina o sistema imune do paciente a “caçar” exatamente aquelas células. Um remédio diferente para cada pessoa Na conferência deste ano, foram apresentados também os resultados de cinco anos de estudo com pacientes de melanoma de alto risco (o câncer de pele mais agressivo). Quem recebeu a vacina personalizada (chamada Intismeran) somada à imunoterapia teve quase metade do risco de a doença voltar ou levar à morte em comparação com quem recebeu só a imunoterapia. Cinco anos depois, cerca de 69% dos pacientes que tomaram a vacina seguiam livres do câncer. Ainda é um estudo de porte modesto, e a confirmação definitiva depende de testes maiores já em andamento. Mas a mesma estratégia já está sendo testada em tumores de pâncreas, pulmão e bexiga. É a fronteira mais sofisticada da oncologia: um remédio diferente para cada pessoa. A segunda frente não poderia ser mais diferente e, talvez por isso, seja a mais surpreendente. Enquanto laboratórios investem bilhões em vacinas personalizadas, parte das melhores notícias recentes veio de coisas que já estão ao alcance de quase todo mundo. O estudo internacional CHALLENGE acompanhou pacientes operados de câncer de intestino e mostrou que um programa estruturado de exercício físico, depois do tratamento, reduziu o risco de a doença voltar e aumentou a sobrevida. A taxa de sobrevida livre da doença em cinco anos foi de 80,3% para o grupo de exercícios, contra 73,9% para o grupo que recebeu apenas orientações educativas de saúde. O ganho era comparável ao de alguns medicamentos aprovados, só que o “remédio” aqui era atividade física orientada. Na conferência deste ano, pesquisadores foram além e mostraram que esse tipo de programa também é vantajoso do ponto de vista de custo, um argumento importante para sistemas públicos e privados d

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