Urna eletrônica faz 30 anos: ‘ninjas’ da tecnologia ajudaram a criar em São José máquina que transformou as eleições no Brasil; veja história

🇧🇷 Globo (BR) —
Urna eletrônica faz 30 anos: ‘ninjas’ da tecnologia ajudaram a criar em São José máquina que transformou as eleições no Brasil; veja história

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As Brazil celebrates 30 years of electronic voting, the story of its development reveals a crucial chapter in the country's democratic process. This innovation, which began with key technical input from engineers, represents a significant advancement in electoral transparency and accessibility for citizens.

Conheça a história da urna eletrônica, que completa 30 anos em 2026 Um dos instrumentos mais importantes das eleições, a urna eletrônica completa 30 anos nesta semana. Foi em 13 de maio de 1996 que as primeiras urnas para o voto informatizado foram enviadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aos estados, representando um marco na democracia. 📍E foi em São José dos Campos, conhecida por ser polo tecnológico brasileiro, que o embrião dessas máquinas nasceu. Concebida no eixo Brasília (DF) - São Paulo (SP), o aparelho teve como base para seu desenvolvimento as mentes de engenheiros e pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), ambos no interior paulista. O grupo foi batizado de 'ninjas' 🥷. (leia mais abaixo) ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Além dos técnicos das instituições, também estiveram envolvidos na criação das urnas membros da diretoria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), secretários de TREs de outros estados, professores, entre outros especialistas em tecnologia e processo eleitoral. Urna eletrônica está presente em todas as cidades do país nas eleições Reprodução/TRE-RN A ideia de informatizar o voto começou a ganhar força entre o fim dos anos 1980 e começo da década de 1990, mas foi exatamente em 1995 que a Justiça Eleitoral resolveu tirar do papel a ideia da urna como conhecemos hoje. (veja abaixo a cronologia da criação da urna eletrônica) Em entrevista ao g1, o ex-ministro Carlos Velloso, que assumiria a presidência do TSE à época, contou que a ideia surgiu em conversa com o então superintendente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) do órgão, Paulo Camarão, durante uma partida de tênis, em Brasília, em dezembro de 1994. “Tudo começou com uma simples conversa, num intervalo de partidas de tênis, no Club Naval de Brasília, com o técnico em informática Paulo César Camarão. Empossado na presidência do TSE, pus a matéria à apreciação do Tribunal, que decidiu pela informatização do voto”, relembrou. Na presidência, Velloso contou que nomeou Camarão como secretário de informática do Tribunal. A partir daí, foi criada uma comissão dividida em cinco sub-relatorias: Código Eleitoral, Reforma Partidária, Sistemas Eleitorais, Financiamento de Campanhas e Informatização do Voto. 📅⏰ Da conversa na partida de tênis à instituição das comissões, foram cerca de quatro meses. De lá até a entrega da primeira urna eletrônica, segundo Camarão, foram mais 12 meses, totalizando 16 meses da ideia à execução do projeto. ITA é reconhecido pela formação de engenheiros de altíssimo nível Inpe é um dos dos principais centros científicos do Brasil; saiba mais Imagem de arquivo mostra a comissão técnica que ficou conhecida como os 'ninjas' Divulgação/TSE Os técnicos que desenvolveram a urna foram chamados de ‘ninjas’. Eram eles: Paulo Nakaya, Mauro Hashioka e Antônio Ésio Salgado, o ‘Toné’, todos do Inpe, além de Oswaldo Catsumi, do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), ligado à Aeronáutica, além de Giuseppe Janino. Todos liderados por Paulo Camarão. (veja foto acima) "Coordenar uma equipe eclética como a do projeto da urna eletrônica não foi tarefa muito fácil, principalmente porque envolvia perfis diferenciados voltados à área de informática, como hardware, software, segurança, logística e outros. O desafio e objetivo de alcançarmos o sucesso e contribuir para a garantia de eleições seguras foi determinante para união do grupo", relembrou Camarão. Segundo Velloso, a ideia de chamar engenheiros e técnicos do INPE e do CTA surgiu pelo fato de ambos os órgãos serem referências e a intenção do TSE era utilizar, na época, o que tinha de melhor à disposição para a informatização do voto. “Os técnicos do Inpe e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica [ITA] sempre foram respeitados e reconhecidos como da melhor qualidade. Buscamos apoio em outros centros de conhecimento tecnológico, como o Ministério de Ciência e Tecnologia, a Telebrás, órgãos técnicos estaduais”, contou. Conheça o 'Pilili', mascote das Eleições de 2026 lançada pelo TSE; veja vídeo Infográfico: Veja a cronologia da urna eletrônica no Brasil Arte/g1 Medos e desafios Também em entrevista ao g1, o engenheiro Antônio Ésio Salgado, o ‘Toné’, um dos “ninjas” que desenvolveram a urna, explicou que o maior desafio na época era criar um produto robusto e seguro. “A gente tinha que propor um equipamento que pudesse funcionar de maneira segura, sem ser frágil, tinha que ser robusto, [funcionando] durante o dia todo, em condições seguras e invioláveis, em locais até inóspitos”, explicou. O primeiro modelo da urna eletrônica foi a UE96, que contava com um teclado numérico similar ao de um telefone. O aparelho também tinha 2 megabites (MB) de memória, além de dois disquetes. Em 1996, ela foi utilizada por cerca de 30% do eleitorado. Antonio Esio Salgado, o 'Toné', um dos criadores da urna eletrônica em entrevista ao TSE celebra os 30 anos da urna

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