Um ano após carta de Trump a Lula e anúncio de tarifas: relembre os principais capítulos da disputa comercial entre EUA e Brasil
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Há um ano, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, elevando tensões comerciais entre os dois países. A medida afetou vários setores, incluindo aço, alumínio e produtos industriais, e resultou em investigações sobre práticas comerciais desleais.
Em 9 de julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciando uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano. O documento marcou uma escalada nas tensões comerciais entre os dois países. Um ano depois, o governo brasileiro tenta evitar que novas tarifas contra o Brasil entrem em vigor. Ao longo dos últimos 12 meses, algumas das tarifas foram revistas, outras mantidas e novas cobranças foram anunciadas pelo governo americano. Agora no g1 Veja abaixo os principais capítulos da disputa comercial entre os dois países: A carta que deu início à crise A ofensiva ganhou força com a carta enviada por Trump a Lula em 9 de julho de 2025. No documento, o presidente americano anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e justificou a decisão com argumentos políticos e comerciais. Entre os motivos citados estavam o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), críticas à atuação da Corte brasileira em relação às plataformas digitais e alegações de que a relação comercial entre os dois países seria desfavorável aos Estados Unidos. LEIA TAMBÉM: Carta de Trump: leia íntegra do texto, que alega motivos políticos e comerciais para tarifa de 50% ao Brasil Trump manda carta a Lula e anuncia tarifa de 50% sobre produtos brasileiros Reprodução À época, economistas e representantes do setor produtivo apontaram que a decisão tinha forte componente político e alertaram para riscos às exportações brasileiras e aos empregos ligados ao comércio com os Estados Unidos. Ao justificar a medida, Trump também afirmou que a relação comercial dos EUA com o Brasil é "injusta". "Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe de ser recíproco", escreveu. No documento, Trump também afirma que determinou a abertura de uma investigação contra o Brasil por práticas comerciais desleais ou injustas. A investigação foi oficialmente aberta dias depois, em 15 de julho de 2025. A ampliação do tarifaço A carta não surgiu de forma isolada. Meses antes, em abril de 2025, Trump já havia anunciado as chamadas tarifas recíprocas para diversos países, impondo uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros. Com o anúncio de julho, parte das exportações brasileiras passou a enfrentar uma sobretaxa muito maior. Cerca de 22% das exportações brasileiras ficaram sujeitas à tarifa adicional de 40%, além de outras cobranças aplicadas a determinados setores. Entre os segmentos mais afetados estiveram produtos industriais, máquinas, equipamentos, café solúvel e produtos ligados à cadeia do aço e do alumínio. Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio, com base na Seção 232 — instrumento separado do IEEPA. As cobranças, que até então eram de 25%, passam a ser de 50%, conforme decreto assinado pelo presidente Donald Trump. A medida afeta o Brasil. Já em junho deste ano, os Estados Unidos concluíram uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. 🔎O relatório cita temas como o funcionamento do PIX, a regulação de plataformas digitais, acordos comerciais firmados pelo Brasil, combate ao desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual e políticas anticorrupção. Além disso, a investigação também concluiu que a União Europeia e 59 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. Essas tarifas ainda não entraram em vigor. O governo brasileiro ainda tenta evitar que elas começem a valer. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor. O prazo legal para a definição e eventual aplicação de medidas contra o Brasil é 15 de julho. A combinação de tarifas propostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode elevar a carga total a 37,5%, caso as medidas sejam implementadas. Nos bastidores, a avaliação de integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty é que a recomendação feita pelo USTR tem caráter político e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelos negociadores ao longo do último ano. Esses interlocutores indicam como exemplo o fato de os documentos referentes ao início da investigação comercial, de julho de 2025, e da recomendação pelas