Três cidades com mais feminicídios não têm Delegacia da Mulher no interior de SP; relembre casos

🇧🇷 Globo (BR) —
Três cidades com mais feminicídios não têm Delegacia da Mulher no interior de SP; relembre casos

AI Summary

Three cities in the interior of São Paulo state—Santa Cruz das Palmeiras, Aguaí, and Boa Esperança do Sul—registered 36 cases of feminicide between 2024 and 2026 but lack dedicated Women's Defense Police Stations (DDM). The São Paulo state government has increased support structures including more DDMs, protective measures, and monitoring for domestic violence victims.

Região de Araraquara e São Carlos registrou 36 casos de feminicídio entre 2024 e 2026 Reprodução e Redes Sociais As três cidades da região com mais casos de feminicídios nos últimos 2 anos e meio não têm Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Conforme levantamento realizado pelo g1 com dados do SP Vida, Santa Cruz das Palmeiras, Aguaí e Boa Esperança do Sul são as cidades com mais casos no período. (Veja abaixo os dados e relembre casos noticiados pelo g1). De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Santa Cruz das Palmeiras tem 28.864 habitantes. Já Aguaí tem 32.072 moradores, enquanto Boa Esperança do Sul registrou 12.978 residentes no Censo Demográfico de 2022. Todas com menos de 35 mil ocupantes. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Entre 2024 e os seis primeiros meses deste ano, a região registrou 36 feminicídios. Santa Cruz das Palmeiras teve 7 casos, concentrando 20% dessas ocorrências. Aguaí e Boa Esperança do Sul aparecem em sequência, ambas com quatro registros cada. Em seguida, Araraquara (242.228 habitantes), Matão (79.033 moradores) e Rio Claro (201.418 residentes) com três casos cada. Por outro lado, São Carlos (254.857 domiciliados) registrou um feminicídio e, dentre as 14 cidades que tiverem o crime no período, está entre as com menos registros. 📺 A EPTV, afiliada da TV Globo, exibe entre os dias 3 e 14 de agosto a série especial "Dona Penha", que relembra a trajetória da ativista que inspirou a criação da Lei Maria da Penha. Com 11 episódios, exibidos de segunda a sexta-feira, a produção lembra os 20 anos da legislação, considerada um marco no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. (Veja aqui os episódios já exibidos). Veja o 6º episódio da série 'Dona Penha': Uma mulher é morta a cada 5 horas e meia, em média, no Brasil Cidades com casos de feminicídio (2024 a 2026) Secretaria de Segurança lista medidas Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do governo estadual que, em 2023, criou a Secretaria de Políticas para a Mulher. Em três anos, a atual gestão ampliou em 54% o número de espaços policiais para atendimento a elas, somando 142 DDMs e 173 salas DDM 24h, e que, para conectar mulheres em risco rapidamente à polícia, foi criado o aplicativo SP Mulher Segura. "Em 2025, houve crescimento de 17,5% nas medidas protetivas e de 12,5% nos boletins de ocorrência registrados nas DDMs do estado, em comparação ao ano anterior, além de aumento de 53% nos abrigos de acolhimento às vítimas", disse a SSP-SP. Ainda de acordo com a pasta, outra medida implantada, em setembro de 2023, foi a utilização de tornozeleiras eletrônicas em casos de violência doméstica, garantindo o monitoramento dos agressores 24 horas por dia. O g1 questionou a SSP-SP se há estudo para implementação de DDMs em cidades pequenas que apresentem crescimento nos casos de feminicídio, como as apontadas na reportagem, mas não obteve retorno. Análise do cenário Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Araraquara (SP) Brenda Bento/g1 A professora de Direito de Família, advogada e Presidente da Comissão Nacional de Gênero e Violência Doméstica do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), Adélia Moreira Pessoa, analisou o levantamento elaborado pelo g1 e disse que é importante verificar se as políticas públicas previstas em lei estão sendo implementadas nesses municípios. "A meu ver, o que falta não é só DDMs, mas o trabalho realmente em rede em municípios menores, a oferta de serviços públicos intersetoriais de acolhimento à mulher, de proteção e apoio à mulher, nos vários setores públicos. A própria lei Maria da Penha prevê várias estratégias a começar da prevenção, mas deve ser uma construção em cada município", afirmou. Ela ressaltou que as DDMs são equipamentos públicos importantes para coibir a violência contra mulheres, mas que as políticas públicas precisam ser integradas, transversais e interdisciplinares da União, estados e municípios e de todos os Poderes do Estado e Ministério Público. Adélia explicou que a Lei Maria da Penha determina a criação de equipes de atendimento multidisciplinar e a criação de centros de atendimento integral e multidisciplinar, além de casas-abrigo para mulheres e seus dependentes, delegacias, defensorias públicas, serviços de saúde e centros de perícia médico-legal especializados, programas e campanhas de enfrentamento e centros de educação e de reabilitação para os agressores. "O aumento do feminicídio não pode ser analisado de forma isolada. Não se pode atuar apenas após a violência ocorrer. E medidas exclusivamente punitivas não resolvem o problema. Educação e conscientização são caminhos a serem buscados, pois há urgência de uma mudança cultural profunda, investindo-se na educação, campanhas de conscientização e programas voltados à discussão sobre masculinidade, respeito e igualdade de gênero", frisou. P

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