Toneladas de sargaço encalham no Brasil e afetam pesca e turismo, aponta estudo

🇧🇷 Globo (BR) —
Toneladas de sargaço encalham no Brasil e afetam pesca e turismo, aponta estudo

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Large quantities of pelagic sargassum algae have washed ashore on the northern and northeastern coasts of Brazil, damaging marine life and harming fishing and tourism industries. The study analyzing events from 2010 to 2025 found that cleanup efforts have been inadequate, especially during a record 42,800-ton event in 2025.

Toneladas de sargaço encalham no Brasil e afetam pesca e turismo, aponta estudo Geison Mesquita Grandes quantidades de sargaço pelágico das espécies Sargassum natans e Sargassum fluitans têm chegado às praias do Norte e Nordeste do Brasil. Quando se acumulam e começam a se decompor, essas algas podem reduzir o oxigênio da água, prejudicar peixes e outros organismos marinhos e atrapalhar a pesca. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram Nas praias, o mau cheiro e o excesso de material orgânico também podem afetar o turismo e dificultar o uso da faixa de areia. Um estudo publicado em 2026 reuniu 51 registros de encalhes na costa brasileira entre 2010 e 2025. Desse total, 40 foram encontrados em reportagens e 11 na literatura científica. Segundo os pesquisadores, a população e a imprensa costumam perceber os eventos rapidamente, enquanto a documentação científica pode ocorrer anos depois. Os encalhes não acontecem de maneira constante nem seguem um padrão ao longo dos anos. Por isso, um ano com grande volume não significa que as arribadas estejam aumentando continuamente. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: FOTOS: Observadores encontram ‘novo’ ponto para observar aves no interior de SP ABRIGO: Ocos de umburana funcionam como refúgio para até 98 anfíbios durante a seca na Caatinga, revela estudo ENCONTRO COM A ONÇA-PINTADA: Novas diretrizes estabelecem níveis de risco e como agir Evento na Praia do Atalaia, em Salinópolis Geison Mesquita 42,8 mil toneladas em um evento Em março de 2025, aproximadamente 42,8 mil toneladas de sargaço chegaram às praias de Salinópolis, no Pará. Foi o maior volume de biomassa registrado entre os eventos analisados. Os outros cinco eventos científicos com estimativa de biomassa variaram entre 174 e 1.843 toneladas. Geison Mesquita, primeiro autor do estudo e pesquisador de pós-doutorado da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), participou da quantificação do evento. Sargaço acumulado na areia Geison Mesquita Segundo ele, mesmo com o reforço de caminhões do governo estadual, além da estrutura municipal, apenas cerca de 4% da biomassa que chegou às praias foi retirada. “Isso mostra que o Pará está entre os pontos mais expostos do país e que os municípios ainda não estão preparados para eventos dessa magnitude”, afirma. As causas do fenômeno ainda são estudadas. Entre os fatores relacionados estão mudanças na circulação do oceano, ventos, disponibilidade de nutrientes e condições ambientais favoráveis ao crescimento das algas. Veja o que está em alta no g1, hoje: Agora no g1 As grandes concentrações registradas no Atlântico tropical desde 2011 formam o Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico. Em anos de pico, a faixa pode alcançar milhares de quilômetros e reunir milhões de toneladas de biomassa. A relação com as mudanças climáticas também não está completamente estabelecida. Segundo Geison, o aquecimento do oceano pode alterar correntes, ventos e chuvas e, indiretamente, modificar a quantidade de nutrientes que chega ao mar. Mesmo assim, somente a temperatura não explica o fenômeno. “O fato é que as mudanças climáticas provavelmente participam desse processo, mas de forma indireta e ainda não totalmente comprovada”, afirma o pesquisador. Fenômeno leva 42,8 mil toneladas de sargaço a praias do Brasil Geison Mesquita Quem deve retirar o sargaço? Quando grandes quantidades chegam à praia, a responsabilidade imediata costuma ser das prefeituras, que mobilizam equipes, máquinas e caminhões para a limpeza. Em unidades de conservação federais, órgãos como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também podem participar. Em situações mais graves, a Defesa Civil pode ser acionada. Segundo os cientistas, o Brasil ainda não possui um protocolo nacional específico para grandes arribadas de sargaço. “Não há um plano que defina de forma clara papéis, prazos, métodos de remoção e destinação. Por isso, a resposta costuma ser improvisada e desigual”, afirma Geison. Em Salinópolis, o volume de 2025 foi tão grande que a prefeitura precisou de ajuda do governo estadual. A retirada também exige cuidado, já que as máquinas podem remover areia junto com a alga e contribuir para a erosão da praia. Por isso, os pesquisadores defendem planejamento prévio, técnicas adequadas de remoção e definição antecipada do destino da biomassa. Toneladas de sargaço chegam ao litoral brasileiro e desafiam cidades Geison Mesquita Pará concentra registros Dos 40 registros encontrados na imprensa, 18 ocorreram no Pará. Entre os registros científicos, oito dos 11 casos foram no estado, todos relacionados à Praia do Atalaia, em Salinópolis. Maranhão e Pernambuco completam os registros científicos, com dois e um caso, respectivamente. A localização ajuda a explicar essa concentração. O litoral norte brasileiro está próximo da região onde se forma o Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico, e correntes oceânicas e ventos transportam o mate

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