'Soltamos a besta': como o mundo se dividiu sobre até onde deixar a IA avançar

🌐 Globo (Brazil) —
'Soltamos a besta': como o mundo se dividiu sobre até onde deixar a IA avançar

AI Summary

Global debate intensifies over how far to allow artificial intelligence (AI) to advance, with concerns voiced from religious institutions to tech leaders. Key figures like the Pope, Sam Altman, and Elon Musk call for cautious development and regulatory measures.

Um modelo de datacenter Crédito: Divulgação Uma frase ajuda a resumir o espírito dos dias atuais: "Soltamos a besta". A declaração foi feita por Maliyka Muhammad, analista nova-iorquina de 46 anos, em uma série de entrevistas da agência de notícias AFP com pessoas de oito países e reflete um sentimento que atravessa fronteiras, gerações e ideologias. Nesta semana, a preocupação com a inteligência artificial (IA) ganhou espaço quase ao mesmo tempo no Vaticano, em Bruxelas, Genebra, na Casa Branca e no Vale do Silício. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já não se discute apenas o que essa tecnologia pode fazer, mas também até onde ela deveria ser autorizada a avançar. É aí que surge uma divisão no Ocidente: de um lado, os que defendem uma desaceleração diante do risco de perder o controle; de outro, os que acreditam que fazer isso agora significaria ceder terreno à China. Agora no g1 Esse choque de visões também aparece longe dos gabinetes. Em Roma, a arquiteta Frida Awrohum usa IA no trabalho, mas admite que ainda sente medo. Na Indonésia, uma estudante se pergunta se algum ser humano conseguiria responder tão bem quanto um chatbot. Em Xangai, um empresário teme que as futuras gerações enfrentem "verdadeiras dificuldades" para encontrar emprego. No Chile, uma jovem de 19 anos acredita que a tecnologia "está nos tornando mais burros". Nem todos, porém, veem uma ameaça. O italiano Diego Sermattei, de 18 anos, comemora o fato de a ferramenta resolver pesquisas instantaneamente. Já a japonesa Konno Hazuki, de 29 anos, não se sente ameaçada porque, segundo ela, a ausência de emoções limita algumas das capacidades que uma pessoa pode oferecer aos clientes. Mas o debate já não se limita às percepções individuais. Ele também chegou às instituições religiosas e às grandes empresas de tecnologia, onde uma parcela crescente da discussão gira em torno de quem deve estabelecer os limites e até onde convém permitir que esses sistemas avancem. Vaticano e Vale do Silício emitem alertas No Vaticano, o papa Leão 14 alertou na quarta-feira (16/09) para o risco de "delegar a algoritmos decisões que pertencem exclusivamente à consciência humana" e pediu que as relações sociais preservem "substância real e profundidade pessoal". Papa Leão XIV grava vídeo para participantes do Halleluya 2026. REUTERS/Yara Nardi Não foi a primeira vez que ele se manifestou sobre o tema. Em maio, publicou uma encíclica na qual defendia o "desarmamento" da IA para impedir que ela "domine a humanidade". Os alertas também se intensificaram dentro do próprio setor de tecnologia no fim de semana. O diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, publicou um ensaio em que defendeu "um ritmo mais lento" para a indústria e propôs auditorias independentes obrigatórias para os modelos mais avançados. Em uma rara convergência entre rivais, recebeu o apoio de Sam Altman, da OpenAI, e de Elon Musk, da xAI. Altman alertou depois para dois riscos que, em sua avaliação, poderiam levar o desenvolvimento da IA por um caminho indesejado. Um deles é perder o "controle do futuro"; o outro, concentrar poder demais nas mãos de uma única empresa, laboratório ou país. Segundo o executivo, uma IA extraordinariamente poderosa usada para impor uma determinada visão de mundo poderia produzir resultados "extremamente distópicos". Por isso, ele defendeu um marco legal federal que preveja avaliações preventivas dos modelos durante o desenvolvimento. Nem todos os líderes do setor compartilham a mesma visão. Mark Zuckerberg disse ser favorável ao uso de avaliadores independentes, mas rejeitou a ideia de frear o desenvolvimento. O chefe da Meta sustenta que cada laboratório tem "a responsabilidade e o incentivo" para adotar, por conta própria, medidas destinadas a tornar seus modelos mais seguros. A preocupação aumentou ainda mais com a renúncia de Jacob Coxon, pesquisador que trabalhou na Anthropic e na OpenAI. Ele afirmou que as duas empresas avançavam rumo a sistemas superinteligentes que, segundo seu alerta, poderiam chegar a extinguir a humanidade "antes do fim da década". O debate também coincidiu com movimentos nos mercados. A agência de notícias Reuters informou sobre quedas nas ações ligadas à IA depois que diversos líderes do setor defenderam uma redução no ritmo de desenvolvimento da tecnologia. EUA e China disputam os rumos da regulação A discussão sobre tecnologia atravessou divisões políticas incomuns em Washington. Bernie Sanders, senador de esquerda, e Steve Bannon, ex-assessor de Donald Trump, participaram do mesmo encontro promovido pelo Future of Life Institute e manifestaram fortes reservas sobre os rumos do setor, apesar de partirem de posições políticas radicalmente diferentes. Sanders anunciou que pretende apresentar uma lei para "proibir permanentemente" o desenvolvimento de uma superinteligência artificial, que comparou às armas nucleares. Bannon, por sua vez, defendeu o rompimento dos vínculos dos Estados Unidos com o setor chinês de IA. A

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