Saiba por que cidades dos Vales de Minas lideram ranking nacional de abstenção nas eleições de 2026
AI Summary
Eight of Brazil’s ten municipalities with the highest voter-abstention rates in the 2026 first round are in Minas Gerais, with Rio Vermelho topping the national ranking at 40.09%. A political scientist links the pattern in the Jequitinhonha and Rio Doce valleys to socioeconomic hardship and practical barriers, including migration, older populations, transportation difficulties, and outdated voter records.
Abstenções e votos em branco e nulos somam 24,63% do eleitorado na disputa presidencial Seis das dez cidades brasileiras com os maiores índices de abstenção no primeiro turno das eleições de 2026 ficam na área de cobertura do g1 Vales de Minas. Os municípios de Rio Vermelho, Santo Antônio do Itambé, Serra Azul de Minas, Chapada do Norte, Jenipapo de Minas e Novo Cruzeiro, todos no Vale do Jequitinhonha, aparecem entre os líderes nacionais em percentual de eleitores que deixaram de comparecer às urnas. Além deles, Santa Maria do Suaçuí e Materlândia, no Vale do Rio Doce, também figuram na lista divulgada a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao todo, oito das dez cidades com maior taxa de abstenção do país são mineiras. Rio Vermelho lidera o ranking nacional, com 40,09% dos eleitores ausentes. Na sequência aparecem Santo Antônio do Itambé (39,55%), Serra Azul de Minas (38,71%), Santa Maria do Suaçuí (37,72%), Chapada do Norte (37,25%), Jenipapo de Minas (37,08%), Novo Cruzeiro (36,46%) e Materlândia (36,33%). 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 Vales no WhatsApp 🔎 Abstenção é o não comparecimento do eleitor às urnas. O ranking considera a proporção de ausentes em relação ao total de eleitores aptos de cada município. O que explica a concentração de cidades dos Vales no ranking? Região do Vale do Jequitinhonha concentra os maiores números de abstenção Reprodução/TV Globo Para o cientista político Luiz Ademir de Oliveira, doutor em Ciência Política e professor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a presença de tantos municípios dos Vales de Minas entre os líderes nacionais da abstenção não é uma coincidência. Segundo ele, as cidades da lista compartilham características socioeconômicas semelhantes, especialmente no Vale do Jequitinhonha, região que historicamente apresenta indicadores sociais mais baixos do que a média nacional. "Rio Vermelho tem um Índice de Desenvolvimento Humano muito baixo, de 0,558. Isso indica uma população de baixa renda, o que pode ser um dos fatores que explicam essa alta abstenção eleitoral", afirmou. O professor destaca que, nesses municípios, a ausência dos eleitores nas urnas parece estar mais relacionada a dificuldades práticas e condições sociais do que propriamente à insatisfação com a política. 🗳️ Eleições 2026: veja como foi 1º turno nas cidades do Leste e Nordeste de MG "Pode ter a ver com população mais idosa, dificuldade de deslocamento, dados desatualizados e também alguma descrença. Mas, no caso dessas cidades, pesam muito as condições econômicas e sociais da população", explicou. Professor apontou cinco fatores De acordo com Luiz Ademir, a abstenção eleitoral pode ser explicada por um conjunto de fatores que atuam simultaneamente. O primeiro deles é a migração interna. Muitos moradores deixam cidades pequenas para trabalhar ou estudar em centros maiores, mas mantêm o título eleitoral no município de origem. Quando não retornam para votar, acabam entrando na estatística da abstenção. Outro fator é a desatualização cadastral. Segundo o cientista político, parte dos eleitores não transfere o título para o novo município de residência ou deixa a situação eleitoral irregular. A descrença na política também influencia os índices. O especialista ressaltou, porém, que esse fator costuma ser mais forte em cidades médias e grandes, onde parte da população demonstra maior desconfiança em relação às instituições e aos atores políticos. "O sentimento é de que votar não vai mudar nada. Essa relação de custo-benefício ajuda a explicar uma parcela das ausências e é um fenômeno observado em todo o Brasil", disse. Além disso, o perfil socioeconômico dos municípios aparece como um elemento importante. Cidades com menor renda e indicadores sociais mais baixos podem enfrentar obstáculos relacionados ao acesso à informação e à participação política. Por fim, o envelhecimento da população também entra na lista de explicações. Segundo o professor, pessoas idosas podem encontrar mais dificuldades para se deslocar até os locais de votação, especialmente em municípios com população espalhada por áreas rurais. Um retrato das desigualdades regionais Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais Reprodução/TV Globo Para Luiz Ademir, a concentração de municípios do Vale do Jequitinhonha entre as cidades com maior abstenção do país revela um cenário de exclusão social que vai além das eleições. "Isso mostra dois Brasis. Um Brasil mais excluído, que precisa de políticas públicas de inclusão. São populações que ainda vivem em condições mais precárias e isso acaba refletindo também na participação política", afirmou. Segundo ele, os fatores que ajudam a explicar os índices observados nos Vales são diferentes daqueles encontrados em grandes centros urbanos. Enquanto nas cidades maiores a abstenção costuma estar mais associada à insatisfação e à descrença nas instituições, nos municípios do interior pesam questões como renda,