Risco de erosão em área onde ponte foi construída era conhecido antes de desabamento no AC, diz MP

🇧🇷 Globo (BR) —
Risco de erosão em área onde ponte foi construída era conhecido antes de desabamento no AC, diz MP

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The Ministry Public of Acre (MP-AC) launched a civil inquiry to investigate the cause of the collapse of the Frei Paolino Baldassari Bridge in Sena Madureira, Brazil. The probe examines potential negligence in construction and oversight as risks of erosion were known before the incident, which injured four people and caused significant structural failure.

VÍDEO mostra momento em que ponte desabou no interior do Acre O Ministério Público do Acre (MP-AC) instaurou um inquérito civil para investigar as causas e responsabilidades ligadas ao desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, interior do Acre, no mês de junho. Um dos pontos destacados no documento é que o risco de erosão na área onde a ponte foi construída já era conhecido antes do desmoronamento. 👉 O acidente, ocorrido no dia 5 de junho, deixou quatro pessoas feridas e teve repercussão nacional. O juiz aposentado Edinaldo Muniz, de 54 anos, segue internado em um hospital de São Paulo. Três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) investigam o caso. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada no dia 19 de dezembro de 2023 e tinha 232 metros de extensão. Executada pela construtora Cidade Ltda, a obra custou mais de R$ 36 milhões. Conforme o Corpo de Bombeiros, a parte da estrutura que ruiu corresponde a 60% da extensão de 139 metros. Após dois meses do acidente, o laudo pericial que deve apontar as causas do acidente segue sem previsão de conclusão. Segundo a Polícia Civil, apesar da demora, o documento está em fase de complementação técnica. O g1 entrou em contato com a Construtora Cidade Ltda, responsável pela obra e, até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno. Ponte Frei Paolino Baldassari está interditada desde junho Pedro Devani/Secom Para acompanhar e cobrar uma resposta do Estado, da construtora e da Polícia Civil, o MP-AC transformou a notícia fato em um inquérito civil. Segundo o documento, as causas definitivas para o colapso da ponte ainda estão sob investigação técnica e pericial, mas os registros do inquérito apontam diversos fatores determinantes e hipóteses que estão sendo apurados. São apontados indícios como: falhas no planejamento, licenciamento e execução da obra, questionando se o fenômeno natural de erosão nas margens do Rio Iaco foi devidamente previsto no projeto técnico. "O evento revela potencial lesão ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente, à segurança da coletividade e à adequada aplicação dos recursos públicos, impondo a atuação ministerial para apuração das circunstâncias que culminaram no colapso da estrutura, especialmente quanto à regularidade do projeto, da execução, da fiscalização, do monitoramento e da qualidade dos materiais empregados na obra", diz parte do documento. A promotoria busca determinar o grau de negligência da empresa construtora e do Poder Público, especificamente no que diz respeito ao dever de fiscalização e monitoramento da estrutura. O inquérito é assinado pelo promotor Júlio César de Medeiros. Ainda conforme o MP-AC, a obra foi executada pelo regime de contratação integrada, no qual a empresa contratada assumiu a elaboração dos projetos e a execução do empreendimento. Por isso, o órgão pretende verificar se houve compatibilidade entre os estudos prévios, os projetos, a execução efetiva e as obrigações contratuais. Em junho a Justiça do Acre bloqueou R$ 36 milhões da construtora Cidade, responsável pela construção da obra Jhenyfer Souza/g1 'Terras caídas' Um dos pontos relevantes descritos no inquérito é que a erosão às margens do Rio Iaco — o fenômeno conhecido como 'terras caídas' — não surgiu necessariamente como fato imprevisível. Os próprios estudos prévios do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) já registravam grande erosão, fragilidade do solo e necessidade de soluções de drenagem e estabilização das margens. "A erosão às margens do Rio Iaco, apontada como suposta causa do colapso, já era de conhecimento do governo do Estado, conforme consta do projeto prévio à contratação, elaborado pelo Deracre", diz parte do documento. Em outro ponto do inquérito do MP-AC é destacado que um relatório pelo Serviço Geológico do Brasil, com título 'Ação Emergencial para Delimitação de Áreas em Alto e Muito Alto Risco a Enchentes, Inundações e Movimentos de Massa' de outubro de 2015, também caracterizou a região como sujeita a processos de erosão fluvial e movimentos de massa, reforçando a necessidade de estudos geotécnicos específicos antes de qualquer nova intervenção. Ponte Frei Paolino Baldassari desabou em Sena Madureira após quase três anos de inauguração Alissson Oliveira/Secom O Núcleo de Apoio Técnico (NAT) do MP-AC também analisou o relatório e produziu uma análise. O relatório destaca que a forte vazão e o grande volume dos rios amazônicos tornam obras de contenção caras e com duração limitada. Segundo o documento, esse é um fator importante para avaliar a viabilidade de possíveis soluções para estabilizar a margem na área onde a ponte desabou. O relatório também reforça a recomendação de que qualquer intervenção futura seja precedida por um estudo geotécnico específico, em vez de medidas apenas temporárias. LEIA MAIS: Ponte Frei Paolino: Con

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