Relatório de intervenção no Consórcio Guaicurus aponta caos financeiro, frota sucateada e falhas de gestão

🇧🇷 Globo (BR) —
Relatório de intervenção no Consórcio Guaicurus aponta caos financeiro, frota sucateada e falhas de gestão

AI Summary

An intervention report on the Consórcio Guaicurus transit consortium in Campo Grande revealed severe financial distress, including insolvency, overdue debts, and a dilapidated bus fleet. The report warns of the imminent risk of a total transit shutdown due to operational and financial failures.

Terminal de ônibus em Campo Grande Divulgação Três meses após início da intervenção no Consórcio Guaicurus, relatório parcial aponta caos financeiro, frota sucateada e falhas de gestão no transporte coletivo de Campo Grande. O documento foi entregue à Prefeitura e à Câmara Municipal nesta terça-feira (22). 🔎 A intervenção no Consórcio Guaicurus foi formalizada por meio do Decreto Municipal nº 16.658/2026, em 16 de junho de 2026. A medida adotada pela Prefeitura em junho foi desencadeada por um histórico de mais de 21 mil autuações aplicadas pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) entre 2021 e 2025. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp O documento detalha que o retrato financeiro encontrado no dia em que a intervenção assumiu o controle revelou uma situação de insolvência imediata. Em 16 de junho de 2026, as empresas do consórcio dispunham de apenas R$ 415,2 mil em caixa, valor insuficiente para arcar com o adiantamento salarial dos motoristas e demais funcionários, que ultrapassava R$ 1,03 milhão. Além disso, o relatório aponta: Crédito esgotado: as linhas de conta garantida estavam com 99% de utilização. Dívidas elevadas: o estoque de diesel estava em nível crítico, enquanto havia R$ 5,86 milhões em títulos vencidos junto a fornecedores de combustível. Tributos em atraso: havia R$ 4,86 milhões em recolhimentos de INSS e IRRF vencidos e não parcelados, além de passivos federais consolidados superiores a R$ 31 milhões. Para os interventores, o risco de uma nova paralisação total do sistema era concreto, atual e iminente. Frota envelhecida e queda de confiabilidade No eixo operacional, o diagnóstico confirmou uma degradação significativa da prestação do serviço à população de Campo Grande. Idade média da frota: chegou a 10,4 anos, mais que o dobro do limite máximo estabelecido em contrato, de cinco anos. Dos 460 veículos do sistema, 210 foram fabricados até 2015. Queda na demanda: entre 2023 e 2025, o número de viagens realizadas caiu cerca de 14%, enquanto a quilometragem percorrida recuou 15,2%, mesmo sem redução no número total de veículos. O total de passageiros pagantes diminuiu 12,3%. Inadimplência contratual: o relatório identificou que os seguros obrigatórios da frota estavam inadimplidos desde 2016 e que nenhum dos 11 indicadores de desempenho previstos no contrato era efetivamente calculado pelas empresas. Crise não se resume à tarifa Um dos pontos centrais do relatório diz respeito ao argumento do Consórcio Guaicurus de que os problemas financeiros decorrem exclusivamente de questões relacionadas à tarifa ou da insuficiência de subsídios públicos. LEIA TAMBÉM Prefeitura decreta intervenção no Consórcio Guaicurus em Campo Grande Consórcio Guaicurus acumula mais de R$ 20 milhões em dívidas Entenda por que venda do Consórcio Guaicurus pode mudar o rumo da intervenção Embora o déficit operacional seja reconhecido, o documento aponta que o montante de despesas apresentado pelas empresas inclui custos gerados por decisões consideradas ineficientes pela equipe de intervenção, que, segundo o relatório, não devem ser automaticamente repassados aos usuários ou ao Tesouro Municipal. Entre os fatores apontados como capazes de distorcer o custo real do sistema estão: Manutenção predominantemente corretiva: ausência de programas preventivos, o que teria provocado quebras recorrentes durante a operação e compras emergenciais com custos elevados. Subutilização de tecnologia: o sistema ERP Globus era utilizado de forma precária, abaixo de 40% de sua capacidade, com manutenção de controles paralelos em planilhas, aumentando a possibilidade de erros administrativos. Controles frágeis de almoxarifado: foram identificadas discrepâncias de estoque, requisições feitas manualmente em papel e desativação do módulo de controle de garantias de peças. Custos alheios à operação: o relatório cita transações entre empresas relacionadas, despesas ligadas a imóveis de partes relacionadas e encargos moratórios decorrentes de problemas na gestão tributária. Consórcio contesta apontamentos do relatório Em nota enviada ao g1, o Consórcio Guaicurus contestou as conclusões apresentadas no relatório parcial e afirmou que opera o Sistema Integrado de Transporte Público de Campo Grande em uma situação de desequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão nº 330/2012. Segundo a concessionária, o desequilíbrio teria sido provocado pela ausência de revisões contratuais em 2019 e 2026, além do atraso e do não pagamento integral do subsídio tarifário previsto no quarto termo aditivo, de 2022. Agora no g1 O consórcio afirmou ainda que as falhas apontadas no relatório não decorreriam de sua atuação, mas, segundo a empresa, da falta de cumprimento integral do contrato por parte da Prefeitura de Campo Grande. A concessionária também declarou em nota que as dívidas apresentadas no relatório parcial da Comissão de Intervenção seriam justamente um reflexo do desequilíbrio econômico-financeiro que foi apon

Politics Markets Deals Real Estate Commodities Consórcio Guaicurus Campo Grande public transit financial crisis bus fleet debt Brazil

Read original source →