Recém-nascida com cardiopatia grave é transferida do PI para tratamento em SP
AI Summary
A 14-day-old newborn with a severe congenital heart condition was transferred from Teresina, Piauí to Ribeirão Preto, São Paulo for surgery not available in the home state. The family obtained treatment outside their domicile, and the case highlights gaps in prenatal diagnosis and healthcare access.
Bebê com cardiopatia: família conseguiu TFD após diagnóstico confirmado em Teresina Uma recém-nascida de 14 dias foi transferida, na quarta-feira (23), para Ribeirão Preto (SP), onde deve passar por uma cirurgia cardíaca após o diagnóstico de uma cardiopatia congênita grave, em Teresina. A família conseguiu acesso ao Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Aurora Vitória nasceu na tarde de 8 de setembro, na Maternidade do Buenos Aires, na Zona Norte de Teresina. A cardiopatia congênita foi identificada logo após o nascimento e o procedimento necessário para a correção não é realizado no Piauí. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Segundo o Ministério da Saúde, 23 bebês nasceram com a cardiopatia congênita em 2026 no Piauí. No ano anterior, 57 bebês foram diagnosticados com a condição. 🔎 A cardiopatia congênita é um conjunto de alterações estruturais do coração que se desenvolvem durante a gestação. Essas condições podem comprometer o fluxo sanguíneo e o funcionamento do órgão, causando sintomas que podem surgir logo após o nascimento ou ao longo da vida. "O médico falou que ela tinha nascido com um sopro no coração, mas que era normal, que todo bebê nascia com isso e que, em dois dias, fecharia", relembrou Elayne Oliveira, tia de Aurora Vitória, em entrevista à TV Clube. A tia acompanhava a mãe de Aurora Vitória no hospital e relatou que, um dia antes da recém-nascida receber alta, insistiu para que um exame fosse realizado na sobrinha. O procedimento detectou a cardiopatia congênita. "Ela já tinha 24 horas de nascida e iam dar alta. Eu não deixei e pedi o exame. Eram 21h quando tudo começou. Na madrugada, foi solicitada a transferência e, depois, informaram que era um caso grave e que o procedimento não seria realizado em Teresina", contou Elayne. Segundo o pai da recém-nascida, Lindon Johnson Oliveira, cerca de 15 exames pré-natais foram realizados durante a gestação, mas nenhum apontou a cardiopatia. "Eu pensei que era algo mais simples, até o momento em que explicaram o que poderia ocorrer. Eu desabei na hora. Ela foi muito esperada por todos", contou emocionado. Após o diagnóstico, Aurora Vitória foi transferida para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica na Maternidade Wall Ferraz. Depois para Ribeirão Preto (SP), acompanhada da mãe, e segue internada em uma UTI. Nos próximos dias, a bebê deve passar por exames que irão auxiliar no planejamento da cirurgia. "Cada etapa está sendo cuidadosamente planejada, calculada e acompanhada pela equipe médica, para que tudo seja feito da melhor e mais segura forma possível. Seguimos com muita fé", concluiu Elayne. Bebê de duas semanas com cardiopatia grave é transferida do PI para cirurgia em SP Reprodução/TV Clube Exame previsto pelo SUS pode ajudar no diagnóstico O cardiologista pediátrico Marcelo Madeira explicou que a cardiopatia congênita poderia ter sido identificada por meio de um ecocardiograma fetal, exame previsto nos protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o especialista, nem todos os casos exigem intervenções durante a gestação, já que a maior parte dos tratamentos ocorre após o nascimento. "No nosso estado, as cardiopatias muito graves a gente não consegue operar. Esses pacientes precisam ter o nascimento programado e ser encaminhados para tratamento fora do estado", explicou. Entre os fatores de risco para a cardiopatia congênita, o médico citou diabetes, hipotireoidismo, hipertensão, lúpus, infecções como rubéola e sífilis, além do uso de determinados medicamentos e drogas. Marcelo também destacou que pais e responsáveis devem ficar atentos a sinais de alerta, como dedos e língua arroxeadas, cansaço excessivo durante as mamadas, dificuldade para ganhar peso, irritabilidade frequente e choro constante. *Vitória Bacelar, estagiária sob supervisão de Ilanna Serena. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube