Raro sapo azul da Amazônia vira objeto de desejo está na rota do tráfico internacional

🇧🇷 Globo (BR) —
Raro sapo azul da Amazônia vira objeto de desejo está na rota do tráfico internacional

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A rare blue morphotype of the Amazonian frog species Adelphobates galactonotus has become highly sought after in the illegal exotic pet trade. Specimens illegally taken from Brazil have been trafficked through Europe to the United States, where authorities seized 22 live blue frogs at Miami International Airport. Investigations reveal that exports of this rare blue morphotype were never officially authorized by Brazil, highlighting issues of biopiracy and wildlife trafficking.

Raro sapo azul da Amazônia vira objeto de desejo está na rota do tráfico internacional Pequeno, venenoso e com uma coloração azul que chama atenção em meio à floresta. Uma população do sapo-ponta-de-flecha Adelphobates galactonotus, espécie encontrada apenas no Brasil, acabou despertando não apenas o interesse da ciência, mas também de colecionadores de animais exóticos no exterior. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram O anfíbio apresenta uma impressionante variedade de cores. Dependendo da população, pode ter o dorso amarelo, laranja, vermelho, azul, marrom e até apresentar outras tonalidades e padrões. Entre elas está um morfotipo azul encontrado na Amazônia brasileira. A coloração incomum tornou esses animais especialmente desejados no mercado internacional de pets exóticos. O interesse foi tamanho que exemplares retirados ilegalmente da natureza no Brasil cruzaram o Atlântico, passaram pela Europa e chegaram aos Estados Unidos. A história só foi interrompida por uma apreensão no Aeroporto Internacional de Miami. Sapo-Ponta-de-Flecha-da-Amazônia (Adelphobates galactonotus) de cor azul lucasmrabelo / iNaturalist Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: FLAGRANTE: Vídeo mostra bem-te-vi comendo lagartixa inteira em Magé, no RJ FILME: Documentário gravado no litoral do PR revela 'invasão silenciosa' e riscos à biodiversidade RARO: Novo fundo oceânico surge após terremotos; pesquisadores acompanham em tempo real Sapos brasileiros em uma rota internacional No fim de 2017, uma importação comercial de Adelphobates galactonotus vivos chegou da Europa ao Aeroporto Internacional de Miami, nos Estados Unidos. Ao inspecionar a carga e a documentação apresentada, agentes do U.S. Fish and Wildlife Service (USFWS), órgão responsável pela proteção da fauna silvestre nos Estados Unidos, encontraram 22 sapos com a coloração azul, além de exemplares vermelhos e alaranjados. A presença daqueles animais levantou suspeitas. Segundo o USFWS, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) normalmente autorizava a exportação da espécie apenas para instituições científicas. O órgão norte-americano afirma ainda que os espécimes exportados para fins científicos não eram vivos e que o Brasil nunca havia autorizado a exportação do raro morfotipo azul. A documentação apresentada, portanto, não explicava como aqueles animais haviam chegado legalmente à Europa. "É fundamental quebrar o mito do comércio legalizado nesses casos. Muitos colecionadores adquirem esses sapos na Europa ou nos EUA acreditando que são animais nascidos em cativeiro. No entanto, como o Brasil nunca autorizou a exportação do morfotipo azul, qualquer linhagem existente no exterior tem, em princípio, origem na biopirataria e na extração criminosa da nossa natureza", explica o biólogo Romulo Rodrigues. Coloração da espécies é bem variada laparte / iNaturalist Os agentes norte-americanos acionaram o Ibama. A investigação conjunta concluiu que os sapos haviam sido capturados ilegalmente na natureza no Brasil, traficados para a Europa e posteriormente enviados aos Estados Unidos com documentação falsa, de acordo com relato oficial publicado pelo USFWS. Os animais foram apreendidos com base na CITES — convenção internacional que regulamenta o comércio de espécies da fauna e da flora — e na legislação norte-americana. O próprio Ibama registrou posteriormente a operação. No Relatório de Gestão de 2022, o instituto informa que realizou diferentes ações de combate a crimes ambientais em parceria com o governo dos Estados Unidos e cita, entre elas, a “apreensão de 30 espécimes de Adelphobates galactonotus”. O relatório não detalha naquele trecho a data, as cores dos animais ou se os 30 exemplares correspondem exatamente à mesma remessa interceptada em Miami. Por isso, os números não devem ser somados como apreensões diferentes. Do interesse científico ao mercado de animais exóticos A história do sapo azul havia começado anos antes. Em 2012, os pesquisadores Marinus Hoogmoed e Teresa Ávila-Pires, do Museu Paraense Emílio Goeldi, publicaram um levantamento detalhado sobre a extraordinária variação de cores de A. galactonotus. O estudo, publicado na revista científica Phyllomedusa, analisou a distribuição dos diferentes morfotipos na Amazônia brasileira e descreveu populações que variavam do preto ao azul-claro e do vermelho ao laranja, amarelo, creme e branco. Sapo-Ponta-de-Flecha-da-Amazônia (Adelphobates galactonotus) aydap / iNaturalist Entre as populações estudadas estavam sapos azul-claros encontrados na região de Caxiuanã, no Pará. A informação científica acabou ultrapassando os limites da academia. Segundo o U.S. Fish and Wildlife Service, poucos meses após a publicação do estudo, exemplares azuis já estavam sendo oferecidos em diferentes países europeus. No mercado de colecionadores, esses animais passaram a ser conhecidos como “blue galacts”. O órgão norte-americano afirma que os sapos coloridos são muito procurados n

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