Raquel Lyra é a 1ª governadora de PE a não apoiar candidato à Presidência; neutralidade foi fundamental para reeleição, afirmam especialistas
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Raquel Lyra foi reeleita governadora de Pernambuco no primeiro turno com 53,27% dos votos, mantendo neutralidade na disputa presidencial de 2026. Especialistas avaliam que a estratégia de evitar apoio a Lula ou a um candidato bolsonarista ajudou a preservar seu eleitorado estadual.
Cientista político fala da estratégia de neutralidade de Raquel Lyra Reeleita governadora de Pernambuco no 1º turno, Raquel Lyra (PSD) se tornou a primeira governante do estado a não declarar apoio para nenhum candidato a presidente, desde o retorno do voto direto, em 1989 (veja tabela mais abaixo). A estratégia de neutralidade é apontada por especialistas como crucial na vitória de Raquel (veja vídeo acima). Do início ao fim da campanha, a candidata do PSD foi pressionada, mas se esquivou de tomar um lado na disputa entre lulistas e bolsonaristas, e cunhou o termo "pernambuquista" para sinalizar que seu objetivo central é o estado de Pernambuco. A gestora foi criticada por adversários e chamada de "em cima do muro", mas conseguiu se equilibrar entre as duas correntes políticas e foi reeleita no 1º turno com 53,27% dos votos válidos. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Em Pernambuco, todos os governadores que estavam no cargo enquanto ocorreram as eleições presidenciais, que retornaram via voto direto em 1989, declararam apoio a algum dos candidatos a presidente. Confira abaixo: 1989: Miguel Arraes (PMDB) era o governador e apoiou Lula (PT) no 2º turno; 1994: Joaquim Francisco (PFL) era o governador e apoiou Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no 1º turno; 1998: Miguel Arraes (PSB) era o governador e apoiou Lula (PT) no 1º turno; 2002: Jarbas Vasconcelos (PMDB) era o governador e apoiou José Serra (PSDB) nos dois turnos; 2006: Mendonça Filho (PFL) era o governador e apoiou Geraldo Alckmin (PSDB) nos dois turnos; 2010: Eduardo Campos (PSB) era o governador e apoiou Dilma Rousseff (PT) nos dois turnos; 2014: João Lyra Neto (PSB) era o governador e apoiou Marina Silva (PSB) no 1º turno e Aécio Neves (PSDB) no 2º turno; 2018: Paulo Câmara (PSB) era o governador e apoiou Fernando Haddad (PT) nos dois turnos; 2022: Paulo Câmara (PSB) era o governador e apoiou Lula (PT) nos dois turnos; 2026: Raquel Lyra (PSD) é a governadora e ficou neutra nos dois turnos. O caso mais próximo do atual foi vivenciado no 1º turno de 1989, quando Miguel Arraes, na época no PMDB, resistiu a subir no palanque do candidato de seu partido para presidente, Ulysses Guimarães. Contudo, no 2º turno, Arraes teve intensa participação na campanha de Lula, que perdeu para Fernando Collor, então no PRN. No ano seguinte, Arraes trocou o PMDB pelo PSB, partido que presidiu de 1993 até sua morte, em 2005. Em outras campanhas, o apoio dos governadores pernambucanos foi nítido. Especialmente em 2002, quando Jarbas Vasconcelos (MDB) foi um dos coordenadores da campanha do presidenciável José Serra (PSDB) no embate contra Lula, que seria eleito para o primeiro mandato naquele ano. Em 2014, o pai de Raquel, João Lyra Neto, assumiu o governo do estado para completar o mandato do titular Eduardo Campos (PSB), que deixou o cargo para disputar a Presidência da República. Com a morte do candidato em um acidente aéreo, Marina Silva assumiu a candidatura e recebeu o apoio de João Lyra, mas não foi ao 2º turno. Na etapa decisiva, o então governador declarou apoio a Aécio Neves (PSDB). O tucano foi derrotado pela então presidente Dilma Rousseff (PT), que foi reeleita. Estratégia eleitoral Para o cientista político Juliano Domingues, a situação agora é diferente e Raquel Lyra repetiu uma estratégia que já tinha funcionado em 2022, quando ela foi eleita sem declarar voto no 2º turno entre Lula e Jair Bolsonaro (PL). No 1º turno, ela havia declarado apoio a Simone Tebet (então no MDB), que disputava a Presidência em coligação com a federação PSDB-Cidadania. Nas eleições de 2026, o PSD, partido de Raquel Lyra, lançou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência. A governadora de Pernambuco não sinalizou apoio nem mesmo a seu correligionário. Juliano Domingues avalia que a neutralidade foi positiva para a candidata pelo contexto diferente da eleição de 2026. "Cada eleição tem a sua história e o comportamento dos atores políticos varia em razão da conjuntura e das circunstâncias. Quando as circunstâncias oferecem determinados incentivos para que eles se comportem de determinada maneira, eles se comportam. Quando as circunstâncias oferecem incentivos para que o comportamento seja outro, então a tendência é a pessoa aderir a outro comportamento. É o que talvez tenha acontecido agora. As circunstâncias não eram favoráveis à declaração de apoio, a um posicionamento a favor deste ou daquele candidato. E isso fez que Raquel adotasse esse comportamento", avaliou. Domingues acrescenta, ainda, que o apoio de um candidato a presidente "pesa mais, ou menos, a depender das circunstâncias da eleição presidencial", e a polarização da campanha presidencial descolou da disputa pelo governo local. Em Pernambuco, no 1º turno, Lula foi o candidato a presidente mais votado com 63,45% dos votos válidos contra 31,03% de Flávio Bolsonaro (PL). O petista teve como candidato oficial ao governo o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), que ficou em 2º lugar, com 44,82% dos votos