Quem é a promotora do MP que se alterou durante abordagem do Exército no Acre
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A promotora do Ministério Público do Acre, Patrícia Paula dos Santos, questionou a legalidade de abordagens do Exército em sua região durante uma operação militar. Ela ficou indignada com a frequência com que foi parada e pretende formalizar uma queixa sobre o ocorrido. A situação destaca tensões na atuação das forças armadas em tempos de combate ao crime.
Promotora do Ministério Público reage a abordagem em região de fronteira no Acre A promotora de Justiça do Ministério Público do Acre (MP-AC) Patrícia Paula dos Santos, que se alterou e questionou uma abordagem do Exército Brasileiro no Ramal Novo Horizonte, zona rural de Plácido de Castro, interior do Acre, no último dia 30, classifica a operação como ilegal. O veículo dela foi parado pelos militares durante Operação Ágata 2026. Um vídeo gravado no local mostra a promotora discutir com os militares responsáveis pela abordagem. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Segundo ela, a discussão ocorreu devido à indignação com os três bloqueios pelos quais diz ter passado naquela noite. O g1 entrou em contato com o comando de Fronteira Acre e 4º Batalhão de Infantaria de Selva (4º BIS) e aguarda retorno. Promotora reagiu a abordagem de operação feita na região de fronteira em Plácido de Castro Reprodução Patrícia integra o quadro do MP desde agosto de 2009 e responde pela 2ª Promotoria de Justiça Especializada de Defesa da Saúde. Ela está afastada para tratamento médico. Conforme o portal de transparência do órgão, a remuneração de um promotor de justiça de entrância final, classificação aplicada a Patrícia Paula, é de R$ 39.753,21, com auxílio alimentação de R$ 4.184,55. No MP-AC, os membros ativos e inativos também recebem auxílio saúde entre R$ 3.587,73 e R$ 4.184,55. LEIA MAIS PM é filmado tomando o celular e chave da moto de entregador durante abordagem no AC: 'Fiquei com medo' Motociclista foge em alta velocidade após furar blitz no AC; VÍDEO mostra perseguição de 30 minutos Abordagem da PM termina com adolescente morto e um homem preso em Rio Branco Nascida em São Paulo, ela atuou como assessora de promotoria no MP de Rondônia por cinco anos antes de se mudar para o Acre. Promotora questiona legalidade das ações Patrícia Paula dos Santos atua no MP-AC desde 2009 e responde pela 2ª Promotoria de Defesa da Saúde. Atualmente, está afastada para tratamento médico Arquivo pessoal Após passar pela terceira abordagem pelos militares, a promotora disse que decidiu filmar a ação. Contudo, neste trecho, ela já não foi parada. Segundo Patrícia, ela e o marido retornavam de Acrelândia para Rio Branco quando passaram de caminhonete pelo local dos bloqueios. A promotora conta que questionou os agentes sobre as abordagens, e explicaram a ela que a região concentra um grande movimento de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas e armas, por isso, haviam três bloqueios por lá. Ainda segundo a profissional, ela vai questionar oficialmente a operação e as abordagens pelas quais passou, pois não havia guarnição da Polícia Militar junto às equipes do Exército, o que, segundo ela, vai contra a legislação. "Primeiro, o Exército não pode fazer barreira assim. Não é que eles não tenham o preparo. Pode [fazer a operação] juntamente com a Polícia Militar. Aí eu questionei, tem até um vídeo que eu gravei, questionando o comandante. Eu já perguntei quem era o comandante porque ali eu não pensei só em mim. E se é um cidadão de bem? 'Ah, porque é a polícia...'. Mas ninguém está acima da lei. E se é um cidadão de bem que se assusta e joga o carro para cima deles? Eles vão metralhar o carro?", afirma. Contudo, segundo a coordenação do Grupo Especial de Operações em Fronteira (Gefron), o Exército possui poder de polícia na região de divisa sem depender exclusivamente das forças policiais tradicionais. O principal amparo jurídico, segundo o Gefron, é a Lei Complementar nº 97/1999, que foi atualizada em 2004 e 2010, para dar mais autonomia às Forças Armadas. Apesar dos argumentos do órgão da divisão de segurança, Patrícia insiste que a operação foi incorreta e que houve abuso de autoridade. Além de, segundo ela, existirem paradas com poucos quilômetros de intervalo, a promotora alega que o veículo do esposo foi revistado pelos militares "sem fundada suspeita". A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar, diz o artigo 244 do Código de Processo Penal (CPP). "Eu não estou falando que eles não poderiam revistar o meu carro. Eu estou perguntando qual que é o motivo que autorizava eles a revistar o meu carro. Em nenhum momento eu estou falando que eles não poderiam revistar o meu carro porque eu sou promotora de Justiça. Eu estou falando: por que eles revistaram o meu carro?", questiona. Patrícia ressalta ainda que não quis se utilizar do cargo para impedir a ação dos agentes, mas que, ao ser abordada pela segunda vez, durante o bloqueio que terminou na discussão flagrada em vídeo, mostrou a carteira funcional de promotora. Conforme ela, um policial militar que chegou no local a reconheceu e perguntou se ela desejaria ser escoltada, visto que passaria por uma terceira blitz, contudo, recusou. Mesmo assim, ela não foi parada