Primeiro motoclube feminino do Amapá transforma pilotagem em símbolo de independência
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The Salto e Graxa, first women's motorcycle club in Amapá, Brazil, was established in 2018 to empower women through riding and promote independence. The club emphasizes training, discipline, and mutual support among its members while challenging traditional gender roles in motorcycling.
Escudo do grupo Salto e Graxa, o primeiro motoclube feminino do Amapá Maria Clara Prudêncio/g1 No Dia do Motociclista, celebrado nesta segunda-feira (27), o g1 conta a história do Salto e Graxa, primeiro motoclube feminino do Amapá. Criado em 2018, o grupo foi fundado para mostrar que mulheres também ocupam as estradas, dominam técnicas de pilotagem e encontram na motocicleta independência e liberdade. A ideia surgiu quando Any Cambraia, de 40 anos, integrava um motoclube masculino e acompanhava o marido nas atividades. Ela decidiu começar a pilotar e, na época, era a única mulher do grupo que conduzia a própria moto. ✅ Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do AP "Eu era a única que pilotava, a maioria ia para apoiar o marido e ficavam na garupa. Então pensei que se eu gostava de moto, deveriam existir outras mulheres iguais a mim. Eu só precisava encontrá-las". Any passou a procurar outras motociclistas, convidou esposas que também tinham moto e reuniu as primeiras participantes. Quando chegaram a cerca de dez mulheres, decidiram fundar oficialmente o motoclube. LEIA TAMBÉM: FOTOS: conheça os candidatos ao Mister Macapá Verão 2026 Mãe de bebê de 1 mês disputa título de Musa do Macapá Verão: 'inspiração para outras mulheres' Agora no g1 Antes da formalização, as integrantes estudaram a cultura do motoclubismo e estruturaram o grupo com estatuto, hierarquia, regras de convivência e foco em viagens. "Nosso nome é bem literal. O salto representa nossa feminilidade. Já a graxa lembra que, se a moto quebrar na estrada, a gente coloca a mão na massa e resolve", explica Any. Compromisso, valores e disciplina Entrar no Salto e Graxa exige mais do que paixão por motos. A candidata precisa ter Carteira Nacional de Habilitação (CNH), moto própria e passar por um processo de integração que pode durar meses. Primeiro, participa de passeios e entrevistas. Depois, entra na fase chamada "aspira", que dura cerca de dois meses. Nesse período, aprende técnicas de pilotagem, formação de comboio e sinalização. Em seguida, passa para a fase "próspera", quando assume responsabilidades e representa o grupo em eventos. As etapas seguintes são "meio escudo" e "escudada", quando a integrante recebe o colete completo e o símbolo do motoclube. Para a arquiteta Dandara Pinheiro, de 30 anos, que ocupa a posição de meio escudo, o motoclube transformou a forma como pilota. "Eu tinha muito medo e andava a quase 20 quilômetros por hora. Apesar de ter moto, só ganhei confiança quando entrei no clube. Os treinamentos, pilotar em grupo e ter uma rede de apoio fizeram toda a diferença", conta. Além das técnicas de pilotagem, as integrantes recebem treinamento em frenagem, defesa pessoal, primeiros socorros e prevenção de acidentes com animais peçonhentos. "Elas chegam como um diamante bruto, nosso trabalho é lapidar. Todas aprendem as técnicas para que o grupo viaje com o mesmo nível de segurança. A gente treina porque, se alguém se machucar, correr perigo ou a moto quebrar, ninguém vai sentar e esperar um homem ou um milagre", diz Any. Muito além de um hobby Para as integrantes do clube, pilotar vai além do lazer. Algumas definem a moto como forma de aliviar a rotina. Outras enxergam nela um estilo de vida baseado em amizade, apoio e confiança. "Entrei no motoclube como uma válvula de escape. Eu precisava fugir de problemas pessoais e não encontrei nada que me ajudasse da mesma forma", conta a integrante Sangelys Pinheiro, de 29 anos. Segundo Any, o Salto e Graxa se mantém ativo desde 2018 porque encontrou, nas estradas, algo maior do que um hobby. Os laços criados entre as integrantes são o principal combustível do grupo. "Pilotar é sentir o vento no rosto, limpar a cabeça e viver a estrada. É sobre liberdade, mas também sobre o nosso orgulho em dividir o escudo e nossa honra em pilotar juntas. O Salto e Graxa virou um lugar de apoio, acolhimento e amizade", explica. Veja fotos Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá