Presidente de Cabo Verde: "Ir à Copa nos faz acreditar que tudo é possível, e não só no futebol"
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Cape Verde's president José Maria Neves emphasized the unifying power of the national football team as the country prepares for its first World Cup appearance. The team and its success symbolize national unity across the archipelago and diaspora, inspiring children with relatable idols.
Seleção de Cabo Verde é recebida por "torcida" de funcionários na chegada em Boston Num país-arquipélago espalhado por um oceano, com cerca de meio milhão de habitantes dispersos entre nove das dez ilhas e uma diáspora que alcança quase todos os continentes. Essa configuração de Cabo Verde traz um desafio imenso e constante, o de manter a unidade de uma nação. Há momentos em que um país inteiro passa a olhar para o mesmo lugar e este momento acontece agora, movido pela seleção na Copa do Mundo. Em entrevista exclusiva ao ge na sede do governo, em Praia, capital do país, o presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, resume o que o país atravessa numa frase curta. "Temos democracia, temos pluralismo, mas muitas vezes há uma fragmentação. A seleção nos une". + Calendário da Copa do Mundo 2026: veja datas e horários de todos os jogos + Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google + Confira a tabela completa da Copa do Mundo 2026 + Simulador da Copa: projete os resultados do Mundial Para ele, a seleção costura justamente o que a geografia e a política separam: as ilhas entre si, a diáspora ao território, partidos e gerações. José Maria Neves, presidente de Cabo Verde, está entusiasmado com a Copa Getty Images - Une mulheres, homens, jovens, crianças. Para um pequeno país como o nosso, é gigantesco. (...) É também um elemento cultural e de resistência. É, talvez, segundo o presidente, o maior momento de comunhão nacional desde a independência de Portugal, em 5 de julho de 1975. A geração que acendeu a luz Essa unidade tem nome. O presidente a chama de "geração de ouro", e foram anos de construção até Cabo Verde chegar à Copa pela primeira vez. O ponto de virada foi em 2013, quando Cabo Verde estreou na Copa Africana das Nações (CAN), na África do Sul, e surpreendeu o continente ao chegar às quartas de final, fazendo a melhor campanha do país, igualada apenas dez anos depois, em 2023. Renato Gaúcho e o goleiro de Cabo Verde Dali em diante, o pequeno arquipélago passou a ganhar espaço no cenário continental e a encarar de igual para igual seleções de população e tradição maiores no futebol. - Não é fácil para um pequeno país como Cabo Verde, frente a Camarões e Angola, ganhar e ir à Copa do Mundo - explica o presidente, citando os países superados nas Eliminatórias. + Fiel escudeiro de Jorge Jesus no Flamengo é o pai da revolução no futebol de Cabo Verde + Efeito borboleta na Copa: a relação aleatória entre Renato Gaúcho e Vozinha, goleiro de Cabo Verde + Governo de Cabo Verde lança selo comemorativo por participação na Copa do Mundo "Eu posso ser um deles" É na infância que o presidente enxerga o efeito mais relevante da Copa. As crianças cabo-verdianas ganham ídolos mundiais com a própria cara. - Antes, nós tínhamos o Zico, o Sócrates, no Brasil, o Cristiano Ronaldo, em Portugal, o Messi. Hoje temos o nosso Ryan, o nosso Sidney e o nosso Vozinha. Então, a criança pode ver, sentir essa proximidade e dizer: eu posso ser um deles. José Maria Neves, presidente de Cabo Verde, diz que Copa vai unir o país Raphael Bózeo Dessa imagem, Neves extrai uma metáfora que transforma o esporte em projeto de país. "Tubarões Azuis" é o apelido da seleção de futebol e de todos os esportes, e o presidente o estica para muito além do gramado. - Podemos ter tubarões azuis na saúde, na educação e tubarões azuis em outras áreas de desenvolvimento do país. O país real por trás do sonho Por mais simbólica que seja, a estreia mundial não apaga os obstáculos que Cabo Verde enfrenta todos os dias. O país é, nas palavras do presidente, "um estado transnacional". - Temos mais gente fora do que dentro, e boa parte dos talentos nasce e se forma longe das ilhas. Selo comemorativo pela classificação de Cabo Verde para a Copa do Mundo Reprodução Os números ajudam a dimensionar: Cabo Verde tem 491.233 habitantes, segundo os dados definitivos do Censo de 2021 do Instituto Nacional de Estatística (INE). O número de cabo-verdianos que vivem fora do país, na diáspora, é tão grande que acredita-se superar a própria população residente. Não há contagem exata, tanto que o governo lançou, em 2024, um Mapeamento da Diáspora justamente para tentar alcançá-la, e as estimativas mais citadas falam em mais de um milhão de cabo-verdianos e descendentes espalhados pelo mundo, com a maior comunidade nos Estados Unidos, justamente onde Cabo Verde disputará os três jogos da primeira fase da Copa. É dessa diáspora que vem boa parte da própria seleção: muitos jogadores nasceram e se formaram em países como Holanda, Portugal e França, filhos de cabo-verdianos que escolheram defender o país de origem da família. Chegada da delegação de Cabo Verde para a disputa da Copa do Mundo Reprodução Mas o futebol não caminha sozinho. Cabo Verde já disputou Mundiais de handebol e de basquete, conquistou medalha olímpica no boxe (nos Jogos de Paris 2024, feito alcançado pelo pugilista David de Pina, bronze no peso-mosca), e medalhas paralímpicas no atletismo. Mas é no futebol,