Presidente da Bolívia decreta estado de emergência após 50 dias de protestos
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The President of Bolivia, Rodrigo Paz, declared a state of emergency following 50 days of protests that have disrupted roadways and essential supplies. The government aims to mobilize the military to restore order amid political and economic instability tied to fuel subsidy cuts and demands for presidential resignation.
Rodrigo Paz veste a faixa presidencial após tomar posse na Bolívia, em 8 de novembro de 2025 Luis Gandarillas / POOL / AFP O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou estado de emergência neste sábado (20), em meio à escalada da crise política e econômica no país. A medida amplia os poderes do governo para mobilizar as Forças Armadas e remover bloqueios de estradas que já duram 50 dias e vêm afetando o abastecimento e a economia boliviana. Em pronunciamento à nação, Paz afirmou que a decisão busca restabelecer a ordem, proteger os cidadãos e garantir o fluxo de bens essenciais, como alimentos, combustíveis e medicamentos. “Este não é um estado de emergência para restringir a vida das pessoas. É um estado de emergência para devolver a liberdade ao povo, para libertar a Bolívia daqueles que usam o conflito político para bloquear estradas e prejudicar a população”, declarou o presidente. Pela legislação boliviana, o decreto entra em vigor imediatamente, mas o governo precisa comunicar o Congresso em até 24 horas. Depois disso, os parlamentares têm até 72 horas para aprovar ou rejeitar a medida. Os protestos são liderados por sindicatos e associações rurais, muitos deles aliados ao ex-presidente Evo Morales. Manifestantes bloquearam rodovias estratégicas em várias regiões, deixando caminhões parados e comprometendo o fornecimento de produtos básicos em diferentes áreas do país, incluindo a capital, La Paz. Embora Paz tenha anunciado na sexta-feira um acordo com a principal central sindical do país, a Confederação Operária Boliviana (COB), para tentar reduzir a tensão, grupos ligados a Morales que controlam estradas importantes não participaram das negociações e mantêm os bloqueios, principalmente na região de Cochabamba. A crise começou depois que o governo cortou subsídios históricos aos combustíveis para reduzir o déficit fiscal, em meio à escassez de dólares e negociações com o Fundo Monetário Internacional. Mesmo depois de medidas para estabilizar os preços dos combustíveis e recuar em reformas agrárias impopulares, os protestos ganharam força e passaram a incluir demandas por reajuste salarial, solução para a falta de combustível e dólares, além da renúncia do presidente. Paz afirmou que a crise deixou de ser apenas uma reação econômica e passou a representar, segundo ele, uma tentativa organizada de desestabilizar a democracia boliviana.