Por que o ex-ditador sírio Bashar al-Assad foi condenado à morte — e o que acontece agora
AI Summary
The former Syrian dictator Bashar al-Assad was sentenced to death by a Syrian court for war crimes and crimes against humanity during the Syrian civil war. Although Assad fled to Russia in December 2024 and is unlikely to be executed soon, the ruling marks a significant legal condemnation linked to the multi-faceted and prolonged conflict in Syria.
Por que o ex-ditador sírio Bashar al-Assad foi condenado à morte Reuters via BBC Um tribunal sírio condenou à morte o ditador deposto Bashar al-Assad, considerado culpado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra civil que devastou o país. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Assad não estava presente no julgamento. Ele fugiu da Síria em dezembro de 2024, quando seu regime foi derrubado após 13 anos de guerra, e recebeu asilo na Rússia. A sentença é a primeira condenação contra Assad desde a queda de seu governo. Mas, na prática, sua execução está longe de ser uma possibilidade imediata: para que ele cumpra a pena, a Síria precisaria primeiro conseguir que a Rússia o entregue. Quem é o Bashar al-Assad, condenado pela Síria à pena de morte O primo de Assad e ex-chefe da Segurança Política na província de Deraa, no sul do país, Atef Najib, também foi condenado à morte. Diferentemente de Assad, Najib estava presente no tribunal e apareceu usando um uniforme prisional listrado dentro de uma jaula enquanto o juiz lia a sentença. Deraa é considerada o berço da revolta contra o governo de Assad. Em março de 2011, a detenção e a suposta tortura de um grupo de adolescentes acusados de escrever pichações contra o governo desencadearam protestos na cidade. A resposta das forças de segurança foi violenta e ajudou a transformar manifestações locais em uma revolta que se espalhou pelo país. O governo tentou sufocar os protestos pela força. Em poucos meses, confrontos entre as forças de Assad e grupos da oposição se transformaram em uma guerra civil. Centenas de milhares de pessoas morreram durante o conflito, e milhões foram obrigadas a deixar suas casas. Quais crimes foram cometidos pelo regime de Assad? Assad chegou ao poder em 2000, após a morte de seu pai. Segundo filho de Hafez al-Assad, ele não estava destinado a governar a Síria até que seu irmão, Basil, morreu em um acidente de carro em 1994. Integrante da minoria alauíta, ele continuou a favorecer sua predominância em muitos cargos nas forças militares, de segurança e nas agências de inteligência. Em geral, Bashar seguiu os passos de seu pai na política externa, com prudência e evitando confrontos militares diretos. Mas dez anos de governo deixaram clara a inclinação autoritária de Assad — e a perseguição à oposição continuou. Grande parte de seu governo foi marcada pela guerra civil que eclodiu em 2011, se transformou em um conflito sangrento e multifacetado que envolveu grupos da oposição, facções extremistas e potências internacionais, como Estados Unidos, Irã e Rússia. Entre acusações contra o regime de Assad estão assassinatos, tortura, desaparecimentos forçados, execuções, ataques contra civis e uso de armas químicas. Em meados de março de 2011, ocorreu um grande protesto em Damasco que, dias depois, se espalhou pela cidade de Daraa, onde um rapaz tinha sido preso por escrever mensagens contra Assad nos muros. Quando as forças de segurança dispararam contra os manifestantes em Daraa, o descontentamento aumentou e clamores por renúncia de Assad surgiram em muitas cidades sírias. As autoridades responderam com violência e atribuíram a agitação a "sabotadores e infiltrados liderados por forças estrangeiras". A situação piorou em alguns meses, com confrontos cada vez mais frequentes entre as forças governamentais e as facções rebeldes que decidiram pegar em armas. Em agosto de 2013, centenas de pessoas foram mortas em um ataque com armas químicas em uma área controlada pelos rebeldes perto de Damasco. As potências ocidentais e a oposição culparam o regime de Assad, embora o governo tenha negado envolvimento. Finalmente, devido à pressão internacional, Assad concordou em desmantelar o seu arsenal químico. Mas isso não encerrou as acusações de uso de armas químicas. Comissões das Nações Unidas também acusaram diferentes lados do conflito de cometer crimes de guerra, incluindo homicídios e tortura. O sistema de prisões mantido pelo governo também se tornou um dos símbolos da repressão. Milhares de pessoas foram presas, muitas delas sem julgamento. Organizações de direitos humanos documentaram tortura, desaparecimentos forçados e execuções. A prisão de Saydnaya, a cerca de meia hora de carro do centro da capital Damasco, ficou especialmente conhecida pelos relatos de tortura sistemática e execuções secretas de presos. Estima-se que mais de 30 mil detentos tenham sido mortos em Saydnaya, desde o início da guerra da Síria, em 2011. Eles compõem uma grande parte das mais de 100 mil pessoas que desapareceram sem deixar pistas, durante o regime de Bashar al-Assad – quase todos, homens, mas também milhares de mulheres e até crianças. Como a Rússia ajudou Assad a permanecer no poder Em 2015, o regime parecia pronto para cair, pois tinha perdido o controle de grandes áreas do país. Mas a intervenção militar da Rússia mudou o curso do conflito e permitiu que Al Assad recuperasse territórios importantes. Mosco