Por que ministro da Defesa diz que Brasil teria que só 'abrir o portão' aos EUA em caso de ataque (mesmo após alta de 13% nos gastos militares)
AI Summary
Brazil's Defense Minister José Múcio stated that Brazil would likely 'open the gate' to the US in case of an attack due to limited military capacity, despite a 13% increase in military spending in 2025. Tensions between Brazil and the US have escalated amid new tariffs and visa cancellations, highlighting a paradox of increased spending but persistent operational challenges in the Brazilian Armed Forces.
Militares brasileiros participam do Exercício Membeca 2026 no Centro de Instrução de Gericinó, no Rio de Janeiro, em 29 de julho de 2026. Fabio Teixeira/Anadolu/Getty Images via BBC "Abrir o portão." Foi assim que o ministro da Defesa, José Múcio, disse que o Brasil deveria reagir a uma eventual invasão dos Estados Unidos. "A gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão", afirmou, arrancando risadas dos presentes. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Múcio fez a declaração na terça-feira (4/8) durante um encontro da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre transporte marítimo e indústria brasileira, quando defendia maior previsibilidade no orçamento das Forças Armadas. Ela veio em meio a uma escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Em julho, Washington anunciou uma nova tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros, e Brasília negou vistos a dois diplomatas americanos. Horas depois da declaração do ministro, o governo americano cancelou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Apesar do tom bem-humorado, a resposta de Múcio expôs um aparente paradoxo. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), os gastos militares brasileiros cresceram 13% em termos reais em 2025, para US$ 23,9 bilhões — uma alta bem superior aos 3,4% registrados na América do Sul e aos 2,9% registrados globalmente. Agora no g1 Ainda assim, o ministro havia afirmado em junho que a situação das Forças Armadas era "precaríssima" e "incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil". Como o país pode ter aumentado tanto seus gastos e, ao mesmo tempo, continuar com dificuldades para manter equipamentos, treinar tropas e concluir projetos que se arrastam há décadas? O que entra na conta do Sipri Militares brasileiros em formação. Getty Images via BBC A conta do Sipri inclui as despesas com pessoal (salários e benefícios de militares e civis, aposentadorias e pensões), projetos estratégicos e equipamentos (compras de armamentos, obras, pesquisa e desenvolvimento) e operação e manutenção. No caso brasileiro, o instituto afirma que a alta de 2025 foi puxada principalmente por investimentos em desenvolvimento tecnológico naval e pelo aumento dos custos com pessoal militar. Isso não quer dizer que todas as áreas das três Forças tenham recebido 13% a mais, nem que esse crescimento tenha se convertido integralmente em novos meios operacionais. Dados do Sipri mostram que os gastos militares brasileiros correspondiam a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 e a 1,1% em 2025. Em termos reais, o valor gasto pelo Brasil em 2025 superou o de 2016 em apenas 1,6%, enquanto o total mundial aumentou 41% no mesmo período. "A fatia do orçamento da Defesa destinada à modernização e a investimentos em pesquisa e desenvolvimento é muito diminuta, algo em torno de 6% a 8%, porque o percentual para custeio e pessoal acaba sendo elevado", afirma Hélio Caetano Farias, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme). Recursos extras de um lado, bloqueios de outro Nos últimos anos, o governo passou a financiar parte dos projetos militares por mecanismos diferentes do orçamento discricionário ordinário, entre eles o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Em novembro de 2025, uma lei complementar abriu outro caminho: autorizou que despesas de capital com projetos estratégicos voltados ao desenvolvimento da indústria nacional ficassem fora da meta fiscal e do limite de gastos. A medida passou a ser conhecida como um pacote de R$ 30 bilhões ao longo de seis anos, ou R$ 5 bilhões anuais. O valor, porém, é um teto, não um repasse automático. E o dinheiro só pode financiar investimentos de capital ligados aos projetos estratégicos previstos na lei, excluindo gastos com combustível, treinamento, manutenção rotineira ou pessoal. A promessa de ampliar os recursos também apareceu em discursos recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante uma visita à fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí, no interior de São Paulo, em 24 de julho, Lula afirmou que as Forças Armadas deveriam se preparar para novas encomendas "num pensamento de médio e longo prazo". A fabricante de mísseis, foguetes e sistemas de artilharia havia retomado a produção após quase quatro anos de paralisação e uma recuperação judicial. Um aporte de R$ 300 milhões do fundo privado Brasil Crédito ajudou a viabilizar a nova empresa, que concentrou ativos e tecnologias da antiga Avibras. Lula não anunciou valores, contratos ou prazos. Mas reforçou uma promessa feita no mês anterior, durante o lançamento ao mar da fragata Cunha Moreira, em Itajaí, no Estado de Santa Catarina: tratar a defesa como prioridade e incluí-la, pela primeira vez, em seu programa de governo para um eventual quarto mandato. "Não é possível que a gente não coloque a defesa como