Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel?

🌐 Globo (IR) —
Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel?

AI Summary

The article analyzes Iran's capacity to sustain its ongoing war with the United States and Israel after seven months of conflict. Despite economic and military pressures, Iran continues to use drones and cruise missiles and aims to increase the conflict's cost on the U.S., particularly through disrupting the Strait of Hormuz, a key oil transit route.

Por quanto tempo o Irã consegue sustentar a guerra? AFP via Getty Images/BBC Após sete meses de guerra, e apesar da forte pressão sobre a economia e a infraestrutura do país, os líderes iranianos ainda não parecem ter pressa para encerrar o conflito com os Estados Unidos e Israel. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O Irã pode querer demonstrar que os EUA não podem ditar sozinhos o ritmo do conflito. O país também pode tentar tornar a guerra mais custosa militar, econômica e politicamente para os EUA e, assim, pressionar o governo americano a aceitar algumas de suas exigências. Mas tudo depende de uma questão crucial: por quanto tempo o Irã consegue sustentar a guerra? Prazo de 60 dias do Memorando de Entendimento para terminar guerra entre EUA e Irã se aproxima do fim com um impasse Qual é a capacidade militar do Irã para prolongar a guerra? O número de mísseis balísticos lançados pelo Irã vem caindo, mas sua capacidade de sustentar a guerra também depende de drones e mísseis de cruzeiro, mais rápidos e fáceis de produzir, além da reposição de comandantes e da manutenção da estrutura de comando AFP via getty Images/BBC Partes da indústria de defesa e das instalações de produção de mísseis do Irã foram alvo de ataques, mas não há dados independentes que permitam dimensionar os danos. Em sua análise mais recente, o think tank (centro de pesquisa e debates) Chatham House afirma que não há uma estimativa confiável de quantos mísseis o Irã possui. O número de mísseis balísticos lançados pelo Irã em cada ataque vem diminuindo. Mas a capacidade do país de sustentar a guerra não depende apenas de seus estoques de mísseis: drones e mísseis de cruzeiro podem ser produzidos com mais rapidez e facilidade, os comandantes mortos até agora foram substituídos e a estrutura de comando não foi desmantelada. Mohammad Ghaedi, professor de relações internacionais da Universidade George Washington, nos EUA, disse à BBC News Persa que "o Irã provavelmente consegue manter por muito tempo a sua capacidade de realizar lançamentos — ainda que em menor intensidade — e continua capaz de provocar transtornos no estreito de Ormuz", por onde passava cerca de 20% da produção global de petróleo antes da guerra. Os líderes iranianos também avaliam que prolongar o conflito pode trazer prejuízos aos EUA. A defesa americana já gastou parte de seus estoques de munição para interceptar mísseis e drones iranianos, e algumas análises nos EUA alertam que esse arsenal não poderá ser reposto rapidamente. Ghaedi também afirmou que "o impacto da guerra sobre o preço do petróleo e a situação política interna dos EUA alimentaram no Irã a expectativa de que seja possível forçar os EUA a aceitar algumas de suas condições". Nos EUA, o apoio ao presidente Donald Trump entre eleitores do Partido Republicano (ao qual Trump pertence) continua relativamente alto. Ainda assim, pesquisas mostram que muitos americanos desaprovam o conflito e temem que Trump não esteja conseguindo atingir os objetivos traçados para a guerra. Se o Irã estiver certo em sua avaliação, o país não precisaria necessariamente derrotar os EUA no campo militar. Prolongar a guerra e aumentar seus custos já pode funcionar como instrumento de pressão. Até agora, não há sinais de que as limitações militares, por si só, seja suficientes para levar o Irã a encerrar o conflito. LEIA MAIS FOTOS mostram avião em que Trump teria embarcado em segredo para driblar ameaça do Irã Trump diz que EUA têm controle do Estreito de Ormuz e chama bloqueio naval de 'muro de aço' Por quanto tempo a economia do Irã consegue resistir? No mercado de trabalho, mais de 1 milhão de postos foram perdidos por causa da guerra, que deixou cerca de 2 milhões de pessoas direta ou indiretamente desempregadas, segundo o vice-ministro do Trabalho do Irã Getty Images via BBC Antes mesmo da guerra, a economia iraniana já enfrentava inflação alta, falta de investimentos, desvalorização de sua moeda, o rial, e problemas estruturais. Segundo uma estimativa do Banco Mundial, o PIB (soma de todas as riquezas produzidas) do país caiu cerca de 2,7% no ano fiscal de 2025-26, e apenas as últimas semanas desse período coincidiram com o conflito. A guerra agravou esse quadro. Dados do Centro de Estatísticas do Irã mostram que a inflação acumulada em 12 meses chegou a 62%. A pressão foi maior nas províncias do sul, mais expostas aos efeitos da guerra: em Hormozgan, por exemplo, a inflação superou 101%. No mercado de trabalho, mais de 1 milhão de postos foram perdidos por causa da guerra, que deixou cerca de 2 milhões de pessoas direta ou indiretamente desempregadas, segundo o vice-ministro do Trabalho do Irã. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê ainda que a economia iraniana encolha cerca de 5,4% em 2026 e que a inflação se aproxime de 69%. A duração da guerra e o impacto sobre o comércio e as exportações de petróleo serão decisivos. O estreito de Ormuz é, ao mesmo tempo, uma forma de pressionar os EUA

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