Plantão que atende mulheres vítimas de violência em Roraima pode colapsar por sobrecarga de trabalho, alerta delegada

🇧🇷 Globo (BR) —
Plantão que atende mulheres vítimas de violência em Roraima pode colapsar por sobrecarga de trabalho, alerta delegada

AI Summary

The specialized women's police unit in Boa Vista, Roraima, is at risk of operational collapse due to excessive workload and personnel shortages. The plantão team now handles cases previously managed by the specialized office only during business hours, causing delays and loss of evidence in violence cases against women.

Viatura da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), que funciona na Casa da Mulher Brasileira, em Boa Vista. Polícia Civil/Divulgação O Plantão Central Especializado de Atendimento à Mulher, da Polícia Civil, corre risco de parar de funcionar de forma adequada por excesso de trabalho. O alerta está em um memorando enviado pela delegada responsável pelo setor, Letícia de Oliveira Paiva, à direção da corporação nesta sexta-feira (22). Segundo o documento, ao qual o g1 teve acesso, desde junho deste ano a equipe de plantão passou a acumular também os casos que, até então, eram encaminhados para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A Deam funciona apenas em horário comercial e é quem deveria abrir e conduzir as investigações que não envolvem prisão em flagrante. O g1 procurou a Polícia Civil de Roraima, mas não teve resposta até a última atualização desta reportagem. Em um dos trechos do documento, a delegada descreve o risco de perda de provas nos casos em que a equipe não consegue agir rápido: "há a perda irremediável de indícios probatórios e vestígios do crime". O que mudou Antes de junho, o fluxo funcionava assim: o plantão fazia o primeiro atendimento à vítima, registrava a ocorrência e colhia depoimentos. Depois, encaminhava o caso para a Deam, que abria a investigação formal, ouvia testemunhas e interrogava o suspeito. Com a mudança, os casos sem flagrante ficaram represados sob responsabilidade das equipes de plantão. Segundo a delegada, isso é inviável na prática, porque o plantão funciona principalmente à noite, aos fins de semana e em feriados. Nesses horários, não é possível intimar nem ouvir vítimas, testemunhas ou suspeitos, como determina a lei. Falta de agentes O documento também aponta a falta de policiais como um dos problemas. A equipe de plantão tem apenas quatro agentes. Desses, só três saem para diligências externas, como buscar provas ou cumprir intimações. O quarto agente fica na delegacia, fazendo o atendimento inicial e cuidando de presos. Segundo a delegada, essa escassez de pessoal já causou perda de provas em alguns casos. Ela cita como exemplo situações em que a vítima registra um boletim de ocorrência e é preciso agir rápido, como buscar imagens de câmeras de segurança, mas não há agente disponível para sair, porque a equipe está ocupada com flagrantes ou atendimentos. O memorando afirma ainda que o Ministério Público e a Justiça têm cobrado a conclusão das investigações represadas desde junho, mas que a equipe de plantão não consegue atender a essas cobranças com o volume atual de trabalho. O que a delegada pede No documento, a delegada faz três pedidos à direção da Polícia Civil: Que os casos sem flagrante voltem a ser encaminhados para a Deam, como funcionava antes de junho; Que os casos acumulados desde 18 de junho sejam redistribuídos para a Deam ou para uma equipe extra montada só para isso; Que novos policiais e escrivães sejam enviados para reforçar as equipes de plantão. Agora no g1 Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

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