Piloto esfaqueado em voo para Israel: como tripulação conseguiu avisar ataque e declarar emergência no ar
AI Summary
A FlyDubai flight from Dubai to Tel Aviv diverted to Saudi Arabia after the co-pilot stabbed the pilot and allegedly tried to take control of the aircraft. The crew declared an emergency and then used transponder code 7500 for suspected unlawful interference; passengers and crew restrained the assailant, who was arrested after landing.
Copiloto esfaqueia comandante e tenta derrubar voo para Israel Um avião que seguia dos Emirados Árabes Unidos para Israel declarou emergência no ar após o copiloto esfaquear o piloto da aeronave, nesta quarta-feira (30). O voo acabou sendo desviado para a Arábia Saudita, onde o agressor foi preso. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ✈️ A aeronave da FlyDubai havia saído de Dubai e tinha como destino Tel Aviv. Segundo as autoridades israelenses, o copiloto tentou tomar o controle do avião e derrubá-lo quando a aeronave se aproximava do espaço aéreo de Israel. Ele acabou sendo contido por passageiros e tripulantes. A aeronave emitiu o primeiro alerta de emergência às 8h31 do horário local (2h31, em Brasília). Neste aviso, o avião enviou para o controle de tráfego aéreo o código 7700. Esse número significa que voo está enfrentando uma emergência geral. Sete minutos depois, às 8h38 (2h38, em Brasília), a aeronave mudou o código para 7500. Esse número indica uma possível interferência ilícita, termo usado na aviação para situações como um sequestro ou tentativa de tomada de controle da aeronave. Para transmitir esses códigos, a tripulação precisa selecioná-los no equipamento conhecido como transponder. É esse dispositivo permite que os sistemas de controle de tráfego aéreo identifiquem e acompanhem a aeronave. Silvio Monteiro Jr., coronel aviador da Força Aérea Brasileira (FAB), explica que o uso do transponder se consolidou na aviação na década de 1950. 💡 Segundo ele, o equipamento permite selecionar quatro dígitos em um painel. Essa combinação funciona como um código usado pelos sistemas de controle de tráfego aéreo para identificar a aeronave. "Essa identidade de 4 dígitos, normalmente, é fornecida pelo próprio sistema de controle do espaço aéreo, internacionalmente podendo usar o termo 'squawk'. Exemplo: 'squawk 4336' é uma orientação para que a aeronave selecione esses números em seu transponder", afirma. "Os códigos mais comuns, empregados em situações anormais, são: 7500 para interferência ilícita, 7600 para falha de comunicações e 7700 para emergências." O coronel afirma ainda que o uso de cada um dos códigos gera procedimentos diferentes nos órgãos de controle do espaço aéreo, para esclarecer a situação e identificar a necessidade de adotar medidas. O uso do código 7700 indica uma emergência e faz com que a aeronave receba prioridade e assistência dos órgãos de controle, podendo, por exemplo, ter preferência para pousar. Já o uso do 7500 indica uma possível interferência ilícita e aciona procedimentos específicos de segurança e coordenação com as autoridades. Infográfico mostra rota de avião que tinha Tel Aviv como destino mas desviou após copiloto atacar piloto, no que o governo de Israel classificou como tentativa de ataque terrorista, em 30 de setembro de 2026. arte/ g1 Esses códigos existem desde antes dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, quando extremistas sequestraram quatro aviões nos Estados Unidos. Dois deles foram jogados contra as torres do World Trade Center, em Nova York. Segundo Monteiro, os atentados de 2001 provocaram mudanças nas regras de aviação, principalmente nas medidas de segurança. No entanto, os códigos usados pelo transponder para indicar emergências permaneceram os mesmos. O caso O avião que transportava passageiros que estavam no voo da Flydubai com destino a Israel, saído dos Emirados Árabes Unidos e desviado para a Arábia Saudita após emitir um sinal de emergência, chega ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Lod, perto de Tel Aviv, Israel. Ammar Awad / Reuters O ataque aconteceu quando o avião, que levava 174 pessoas, já estava próximo de Israel e sobrevoava a Jordânia. Segundo autoridades israelenses, o copiloto atacou o piloto com uma faca. Os dois entraram em confronto físico. A briga deixou os dois feridos e fez com que a aeronave perdesse o controle temporariamente. O voo chegou a despencar cerca de 4.300 metros em 30 segundos, segundo dados do site de monitoramento aéreo Flightradar24. Além disso, passageiros relataram ter ouvido gritos e pedidos de ajuda vindos da cabine de comando. Um deles afirmou que conseguiu entrar na cabine e puxar o controle do avião para interromper a queda. Após o ataque, outros pilotos que estavam entre os passageiros assumiram o controle da aeronave e ajudaram no pouso, segundo uma autoridade israelense ouvida pela Reuters. O avião aterrissou em segurança na Arábia Saudita. O piloto atacado foi levado para um hospital, onde está internado. Já o copiloto foi preso. Ainda não há uma explicação oficial para o motivo pelo qual o copiloto teria atacado o comandante. Autoridades israelenses afirmam que o episódio foi uma tentativa de ataque terrorista e que o objetivo era matar os passageiros israelenses. Em depoimento, o copiloto afirmou que não é ligado a nenhum grupo jihadista e que agiu por conta própria. As autoridades investigam se houve motivação política ou religiosa, um conflito pessoal entr