PF aponta relação entre Bacellar e grupo do bicheiro Adilsinho
AI Summary
The Federal Police of Brazil have arrested Rodrigo Bacellar, ex-president of Alerj, for the second time amid investigations linking him to a criminal group led by Adilsinho. The probe revealed the use of luxury vehicles and aircraft linked to Bacellar and associates, with allegations of fraudulent corporate changes and possible obstruction of justice.
Pela segunda vez, PF prende ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, do União Brasil Jornal Nacional/ Reprodução A investigação que resultou em um novo mandado de prisão contra o bicheiro Adilsinho revela a ligação dele com políticos. O RJ2 traz novos elementos da apuração da Polícia Federal, que mostra as relações entre o grupo do bicheiro e o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. De acordo com a investigação da 5ª fase da Operação Unha e Carne, Bacellar estaria entre os agentes públicos que, segundo a PF, estavam sob a influência do grupo comandado por Adilsinho. Um dos principais elementos citados pela investigação é um Mercedes-Benz GLE 400 blindado. O veículo foi encontrado na casa de Bacellar, em Teresópolis, na Região Serrana, durante o cumprimento do primeiro mandado de busca contra o então presidente da Alerj, em dezembro do ano passado. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Agora no g1 Segundo a PF, ao chegarem ao condomínio, os agentes encontraram o carro estacionado na residência. O caseiro informou que o automóvel seria "da casa". Ao consultarem os registros, porém, os policiais identificaram que o veículo estava registrado no Detran em nome de uma empresa pertencente ao filho do empresário Marcos Alexandre Barros Rodrigues, dono de uma rede de gráficas. De acordo com a investigação, Marcos Alexandre é ligado a seis empresas utilizadas por Adilsinho para, entre outras atividades, abastecer financeiramente agentes políticos. A PF destaca que, apenas nas eleições de 2022, uma dessas empresas, a Gráfica Editora Completa, prestou serviços a 73 candidatos e movimentou cerca de R$ 1,5 milhão, com recursos provenientes quase integralmente de fundos públicos eleitorais. A Mercedes utilizada por Bacellar, segundo a investigação, não seria o único carro de luxo ligado ao grupo. Há dez anos, Marcos Alexandre chegou a ser preso por dirigir uma Ferrari sob efeito de álcool. Na ocasião, ainda segundo a investigação, ele tentou intimidar o policial militar responsável pela prisão. A Polícia Federal afirma que, sete dias após a deflagração da Operação Unha e Carne, o grupo promoveu uma alteração societária considerada fraudulenta para desvincular a Mercedes-Benz apreendida na casa de Bacellar dos operadores financeiros da organização. Pela mudança, o filho do empresário deixou o quadro societário da empresa. Para a PF, a medida pode caracterizar obstrução da Justiça e destruição de provas. Além do veículo, a investigação também apura o uso de aeronaves. Segundo a PF, Rodrigo Bacellar e familiares tinham à disposição uma frota de aeronaves pertencentes a empresários. Uma delas é um jato que, de acordo com a investigação, foi utilizado pela esposa de Bacellar em uma viagem com saída do Aeroporto de Jacarepaguá. O RJ2 apurou que nesse dia a aeronave registrou um plano de voo saindo do Rio às 14h com destino a Campos dos Goytacazes e voltando ao Aeroporto Santos Dumont às 20h. A aeronave pertence à empresa GPC Soluções em Saúde e não possui autorização para operar serviço de táxi aéreo. A investigação aponta ainda que a empresa mantém três contratos com o estado do Rio de Janeiro, por meio da Fundação Saúde. Todos foram firmados com dispensa de licitação e, somados, ultrapassam R$ 60 milhões. O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, na sede da PF Reprodução/TV Globo Segundo a Polícia Federal, a cessão de uma aeronave de luxo para uso privado da família do então presidente da Alerj por uma empresa que recebe milhões de reais dos cofres públicos é um "indício relevante de recebimento de vantagem indevida, conflito de interesses e ocultação de benefício econômico." Em nota, a defesa de Rodrigo Bacellar afirmou que está demonstrado que o ex-presidente da Alerj não possui "mínima vinculação com os fatos apurados" e sustentou que a instrução processual confirmará essa conclusão. Os advogados também afirmaram que, após a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada em 2 de julho, não tiveram acesso aos autos do processo nem puderam conversar com o cliente, que foi transferido de unidade prisional. A defesa classificou a situação como "absurda e ilegal". Rodrigo Bacellar foi transferido no início do mês para a Penitenciária Federal de Brasília. Segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente da Alerj estaria recebendo privilégios na unidade anterior, como acesso a telefones celulares. LEIA TAMBÉM: Nome de Cláudio Castro aparece em lista de bicheiro Adilsinho Pastor Márcio Poncio e filho do ex-governador Sérgio Cabral são investigados pela Polícia Federal por ligação com o jogo do bicho Pastor Márcio Poncio é preso na 5ª fase da Operação Unha e Carne, da PF, investigado por ligação com a ‘Máfia do Cigarro’ Rodrigo Bacellar aparece com codinome 'Barba' em planilhas de bicheiro e recebeu quase R$ 4 milhões Lista encontrada na casa do bicheiro Adilsinho reúne 61 políticos do RJ e indica movimentação de R$ 20 milhões O que d