Pesquisa premiada na Europa alerta para 'ciclo invisível' de microplásticos nos pulmões e rios do Oeste Paulista: 'Difíceis de filtrar', diz pesquisadora

🇧🇷 Globo (BR) —
Pesquisa premiada na Europa alerta para 'ciclo invisível' de microplásticos nos pulmões e rios do Oeste Paulista: 'Difíceis de filtrar', diz pesquisadora

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A prize-winning study from Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), presented at the European Respiratory Society Congress 2025 in Amsterdam, investigates the impact of microplastics and nanoplastics on the human respiratory system and river ecosystems in western São Paulo state. The research was the only Brazilian study recognized for excellence in the sustainability category at the event. Scientists warn of an 'invisible cycle' of microplastic contamination circulating through air, water, soil, and the human body.

Pesquisa premiada na Europa alerta para 'ciclo invisível' de microplásticos nos pulmões Pequenos fragmentos invisíveis a olho nu podem estar circulando pelos rios, pelo ar e até pelo organismo humano. Chamados de microplásticos e nanoplásticos, esses resíduos vêm despertando preocupação crescente entre cientistas por seus possíveis efeitos na saúde e no meio ambiente. Uma pesquisa desenvolvida na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), em Presidente Prudente (SP), investigou justamente os impactos dessas partículas no sistema respiratório. O estudo foi apresentado no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia (ERS 2025), considerado o maior evento mundial na área de pneumologia, realizado em Amsterdã, na Holanda. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp O trabalho foi selecionado entre os melhores na área de sustentabilidade e foi o único de origem brasileira a receber esse reconhecimento no evento. A pesquisa foi desenvolvida pelo estudante de medicina Bruno Henrique Couto, com orientação da fisioterapeuta, professora de Patologia do Curso de Medicina e pesquisadora da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), com mestrado e doutorado em Ciências da Saúde, Renata Calciolari Rossi. Ao g1, a mestre e doutora em Ciências da Saúde destacou a importância da pesquisa ter chegado tão longe e como, por meio dela, poderá ser possível identificar os problemas e assim solucioná-los. “Para nós, isso mostra que a ciência produzida no interior do Brasil tem qualidade e relevância internacional, e que universidades como a Unoeste podem contribuir de forma importante para debates científicos globais”, afirma a pesquisadora. LEIA TAMBÉM Rios do Oeste Paulista são protagonistas no povoamento e desenvolvimento da região Paciente com câncer raro de pulmão enfrenta luta na Justiça para conseguir comprar remédio de quase R$ 30 mil 'Histórias que inspiram': conheça mulheres que fazem a diferença no oeste paulista Estudo premiado na Europa alerta para 'ciclo invisível' de microplásticos nos rios e pulmões no Oeste Paulista Arquivo Pessoal/Renata Calciolari O que são microplásticos? Para entender o objetivo da pesquisa e como ela poderá auxiliar nos problemas relacionados ao microplásticos, é preciso saber que essas partículas são extremamente pequenas, geradas pela fragmentação de materiais plásticos maiores, como embalagens, copos descartáveis e recipientes de isopor. Com o tempo, esses materiais se degradam pela ação do sol, da água e do atrito mecânico, se transformando em fragmentos microscópicos que podem contaminar o solo, a água e até o ar. Segundo a pesquisadora, esse processo cria um ciclo ambiental silencioso. “Os microplásticos e nanoplásticos são considerados hoje contaminantes emergentes. Eles estão presentes na água, no solo, nos alimentos e até no ar que respiramos. Nos últimos anos começaram a surgir evidências científicas de que essas partículas podem provocar inflamação, estresse oxidativo e alterações em tecidos, incluindo o pulmão. Por isso acreditamos que estamos diante de um problema ambiental que também pode se tornar um problema importante de saúde pública”, explica Renata. Poluição de rios com plásticos traz riscos à fauna, flora e seres humanos Divulgação/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Do rio ao pulmão Um dos pontos que mais preocupa os cientistas é a capacidade que essas partículas têm de circular pelo ambiente e chegar ao organismo humano. Isso pode acontecer, por exemplo, quando resíduos plásticos são descartados em rios ou em áreas urbanas. Com o passar do tempo, esses materiais se fragmentam e podem ficar suspensos no ar. “Sendo transportadas por correntes atmosféricas ou poeira. Quando isso acontece, elas podem ser inaladas e chegar ao sistema respiratório”, relata. Ou seja, um plástico descartado de forma inadequada pode, depois de fragmentado, fazer parte do ar que as pessoas respiram. Initial plugin text O que a ciência encontrou? Os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática da literatura científica mundial que contribuiu para a compreenssão dos possíveis efeitos dessas partícula. O estudo analisou experimentos feitos com roedores expostos a microplásticos e nanoplásticos. Entre mais de 700 estudos encontrados, 46 foram selecionados para análise detalhada. Os resultados indicam alterações importantes no sistema respiratório dos animais expostos. Entre os principais efeitos observados estão: Inflamação pulmonar; Hemorragias; Fibrose; Espessamento das paredes alveolares; Alterações estruturais no tecido pulmonar. Também foram identificadas infiltrações de células inflamatórias em diferentes regiões dos pulmões. Isso significa que, quanto maior a exposição às partículas, mais intensos tendem a ser os efeitos observados. Entre os materiais analisados nos estudos científicos, um tipo de plástico apareceu com maior frequência: o poliestireno. Esse polímero está presente em muitos produtos do cotidiano, conforme aponta a pesquisadora. “Copos des

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