Os segredos da megarreforma da residência de Putin no Mar Negro
AI Summary
An investigation using court records, satellite imagery, and recruitment advertisements indicates that Russia is rebuilding and substantially expanding President Vladimir Putin’s official Bocharov Ruchey residence in Sochi. The project reportedly includes tighter protection and a security zone exceeding three square kilometers, amid reduced presidential visits as Ukrainian drones have increasingly reached the Black Sea coast.
Os segredos da megarreforma da residência de Putin no Mar Negro BBC/Planet.com/Getty Disputas judiciais, imagens de satélite e anúncios de emprego que prometem a operários hospedagem à beira da piscina, refeições gratuitas e pagamento em dinheiro ajudaram a revelar a grande expansão da residência oficial do presidente da Rússia, Vladimir Putin, às margens do mar Negro. A residência oficial de Bocharov Ruchey, localizada em Sochi, já foi usada por líderes soviéticos como Nikita Khrushchev e Leonid Brezhnev e pelo primeiro presidente da Rússia após o fim da União Soviética, Boris Yeltsin. Putin se hospedou ali pela primeira vez antes de sua posse, em maio de 2000, e desde então passou a receber com frequência líderes estrangeiros no local. Em 2008, o imóvel passou a ser uma residência presidencial oficial. Isso significa que o chefe de Estado pode, ali, "se hospedar, trabalhar, morar e exercer todas as suas funções, inclusive a de comandante supremo das Forças Armadas", segundo Vladimir Kozhin, então chefe do Departamento de Administração de Propriedades da Presidência da Federação Russa. Putin esteve em Sochi 24 vezes em 2021, um ano antes da invasão em larga escala da Ucrânia, mas fez apenas duas visitas à cidade em 2024 e 2025, segundo o jornal britânico Financial Times. A redução das viagens de Putin à região do mar Negro coincidiu com o aumento do alcance dos drones ucranianos, que passaram a atingir com mais frequência a região costeira. Ainda assim, o governo não abandonou a residência oficial Bocharov Ruchey. Uma investigação da BBC News Rússia mostra que a residência está sendo reconstruída praticamente do zero, em escala muito maior e com um esquema de segurança mais rigoroso. As demolições começaram em 2024, sem anúncio oficial. Em setembro de 2025, uma grande escavação já ocupava parte do terreno. Neste ano, o Serviço Federal de Proteção da Rússia (FSO), responsável pela segurança de autoridades do Estado, decidiu reforçar ainda mais a proteção de Bocharov Ruchey e criar uma zona de segurança de mais de 3 km² ao redor da residência. No outono de 2026, imagens de satélite analisadas pela BBC News Rússia já mostravam os telhados de vários prédios novos. O conjunto ocupa uma área bem maior do que a antiga residência. Imagens de satélite mostram reforma em residência oficial de Vladimir Putin BBC Mas parte do complexo original foi preservada. O prédio Bocharov Ruchey-2, construído para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, continua intacto. Putin ainda recebe autoridades de alto escalão no local. Entre elas está Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que esteve ali em 2024. As autoridades ainda não anunciaram oficialmente a obra, mas documentos obtidos pela BBC News Rússia ajudam a reconstruir como o projeto está sendo executado. Em uma decisão judicial sobre uma disputa entre empresas envolvidas na construção, a BBC News Rússia encontrou a referência a um contrato de compras do Estado para a área de defesa, identificado pelo código 2327202903572000000000000. Os detalhes desse tipo de contrato são sigilosos, mas o próprio código permite identificar alguns dados importantes. Os quatro primeiros algarismos indicam o ano em que o contrato foi assinado e o ano em que termina: 2023 e 2027. Os três números seguintes, 202, correspondem ao código do FSO, responsável pela contratação. Ao consultar outras decisões judiciais envolvendo disputas com subcontratadas que trabalham em Bocharov Ruchey, a BBC News Rússia conseguiu identificar a TSI Group, registrada na Crimeia anexada, como a empreiteira principal da obra. Uma dessas disputas envolveu o instituto de projetos Voenmorproekt-30, de Sebastopol, que começou a atrasar o cronograma poucos meses depois do início das obras, no começo de 2025. Também foram encontradas irregularidades na construção das paredes da chamada "casa principal", serviço entregue a uma empresa de Orenburg. A localização da Residência Bocharov Ruchey, às margens do Mar Negro BBC A BBC News Rússia também encontrou, em redes sociais e sites de emprego, anúncios para contratar trabalhadores da construção civil, entre eles pedreiros, montadores de estruturas de aço e profissionais especializados em concreto. Alguns citavam diretamente Bocharov Ruchey. "Uma residência está sendo construída", dizia um dos anúncios. "Bocharov Ruchey — acesso controlado." Outro alertava: "A instalação é estratégica." Um dos anúncios, publicado em janeiro de 2025, procurava com urgência trabalhadores para a construção de um prédio de dois andares em Sochi, "em uma área de acesso restrito, com entrada mediante autorização", e oferecia pagamento em dinheiro. Outro anúncio, publicado no fim do ano, mencionava um prédio de quatro andares em uma área com controle de acesso e verificação de documentos. No início, as vagas eram abertas apenas a cidadãos russos sem antecedentes criminais. "É necessário passar por uma verificação de antecedentes", dizia um dos anúncios.