Os minutos que antecederam a avalanche de lama na fronteira entre Nepal e China
AI Summary
A deadly landslide and mud avalanche struck the border region between Nepal and Tibet, China, destroying infrastructure and causing casualties including at least 275 Indians reported missing. The disaster devastated the historic Rasuwagadhi border crossing and surrounding communities.
Pessoas fogem de deslizamento de terra na fronteira do Nepal com o Tibete O vídeo dura poucos segundos. Uma parede escura aparece atrás dos prédios em Gyirong, no lado chinês da fronteira entre o Nepal e o Tibete, região anexada por Pequim na década de 1950. Inicialmente, ela quase parece uma nuvem escura, até que ganha forma e velocidade. Uma onda de água, lama, rochas, gelo e pedregulhos se espalha pelo vale. As imagens, feitas por câmeras de segurança às 10h59, hora do Tibete (23h59 em Brasília), viralizaram em todo o mundo. Para muitos, esta foi a primeira evidência visual da enorme escala da destruição que estava por vir. Ainda é difícil reconstruir o que aconteceu nos minutos seguintes. Mas fragmentos de vídeos e imagens de satélite mostram grande parte do complexo fronteiriço destruída. Construções que, antes, ocupavam o vale, simplesmente deixaram de existir. Os registros eletrônicos de imigração do posto de fronteira nepalês de Rasuwagadhi fornecem algumas informações, além das impressões do seu único funcionário sobrevivente. Tika Ram Pokharel, por acaso, estava prestando naquele dia um exame na capital nepalesa, Katmandu. Ele conta à BBC que a fronteira estava mais movimentada que o habitual quando foi atingida pela enchente. "Este é um caminho histórico entre Katmandu e o Tibete", explica o hidrólogo Ajay Dixit, da capital do Nepal. "A região é geologicamente vulnerável, caracterizada por profundas gargantas e rios íngremes que fluem em alta velocidade, carregando muitos sedimentos que podem trazer rochas enormes." ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Imagem de satélite mostra a área em torno da fronteira entre o Nepal e a China antes que a enchente devastasse a região, levando com ela veículos e construções inteiras Satellite image (c) 2026 Vantor via BBC Este é um local onde os peregrinos que se dirigem ao monte Kailash encontram comerciantes viajando entre o Nepal e a China, motoristas de caminhão, autoridades alfandegárias, turistas e pessoas que moram ao longo da fronteira. Na manhã da enxurrada, mais de 100 cidadãos indianos podem ter estado no posto de fronteira ou nas suas proximidades. Pelo menos 275 indianos permanecem desaparecidos no Nepal, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Índia. O Departamento de Imigração do Nepal vem tentando reconstruir o que aconteceu em Rasuwagadhi, nas últimas horas antes do desastre. Os registros eletrônicos demonstram que 89 cidadãos nepaleses e estrangeiros haviam deixado a imigração, saindo do Nepal em direção ao Tibete, enquanto quatro pessoas registraram entrada no sentido contrário. O sistema de imigração nepalês fez seu último registro às 08h35, pelo horário local (23h52 do dia anterior, pela hora de Brasília), menos de 10 minutos antes que a enchente aparecesse na filmagem das câmeras de circuito fechado em Gyirong. Imagens de câmeras de segurança mostram pessoas fugindo enquanto uma avalanche de lama e água destrói prédios em um vale na fronteira entre Nepal e China, em Gyirong , região do Tibete, China MÍDIA SOCIAL/via REUTERS Quatro funcionários da imigração ficaram desaparecidos na inundação, incluindo o chefe do escritório de Rasuwagadhi. Seu corpo foi recuperado posteriormente, em local muito distante dali. A funcionária que processou os últimos registros segue desaparecida. Entre os cidadãos estrangeiros registrados na saída do Nepal naquela manhã, havia 32 indianos, 12 chineses e nove americanos, além de viajantes do Reino Unido, Canadá, Austrália e Itália. Tika Ram Pokharel, o assistente de imigração sobrevivente de Rasuwagadhi, afirma que os registros eletrônicos incluem apenas parte do que aconteceu na fronteira naquela manhã. O escritório de imigração fica em Ghatte Khola Bazar, que fica a cerca de 1,5 km ao norte de Timure, um pequeno vilarejo comercial encrustado em torno da fronteira. E mais 2 km separam aquele local da Ponte da Amizade, que marca a fronteira com o Tibete. Ao longo do caminho, havia lojas, hotéis e áreas de estacionamento, onde viajantes e veículos se reuniam antes de cruzar a fronteira. O escritório de imigração nepalês abriu às 8h da manhã, segundo Pokharel. Quando os viajantes saíam da imigração, podiam continuar em direção à fronteira ou aguardar na área antes de cruzá-la. As cheias de julho do ano passado em Rasuwagadhi destruíram a Ponte da Amizade (que marca a fronteira com o Tibete), além de estradas e uma subestação hidrelétrica. Elas também carregaram veículos em Rasuwa, no Nepal Getty Images via BBC Pokharel ligou para um colega às 8h20 daquela manhã e ficou sabendo que o cruzamento da fronteira estava mais movimentado que o normal. Cerca de 300 a 400 pessoas aguardavam para sair do Nepal em direção ao Tibete, segundo ele, enquanto outras chegavam do lado chinês e também estavam na região. "Acredito que as pessoas que completaram as formalidades de imigração naquela manhã não conseguiram completar seu processo de entrada no lado chinês", explica Pokharel à BBC. Ele afirm