Obesidade é quase 3 vezes maior entre mulheres com insegurança alimentar, aponta estudo
AI Summary
A study of 1,026 adults in Rio de Janeiro found that obesity prevalence among women was almost three times higher for those experiencing food insecurity than for women in food-secure households. The association was not statistically significant among men, highlighting gender disparities in the effects of household food insecurity.
Obesidade é quase 3 vezes maior entre mulheres com insegurança alimentar, aponta estudo Adobe Stock A insegurança alimentar tem se caracterizado como um fator de risco para obesidade entre as mulheres. E curiosamente o mesmo não acontece entre os homens. Este dado foi descrito em artigo publicado pelo Grupo Interdisciplinar de Estudos em Segurança Alimentar e Nutricional (GISAN). O grupo faz parte do Instituto de Nutrição Josué de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nesse artigo, evidencia-se como a desigualdade de gênero amplia os efeitos adversos da insegurança alimentar das famílias chefiadas por mulheres. Além do comprometimento da qualidade e da quantidade da sua alimentação. Os dados inéditos são oriundos do Inquérito sobre a Insegurança Alimentar no Município do Rio de Janeiro Mapa da Fome da Cidade do Rio de Janeiro. Siga o canal do g1 Bem-Estar no WhatsApp Agora no g1 Na pesquisa sobre obesidade, foram incluídos apenas os dados dos chefes de família adultos, entre 20 e 59 anos, excluindo as gestantes. O resultado foi uma amostra de 1.026 indivíduos. As entrevistas foram realizadas presencialmente por entrevistadores treinados. As perguntas foram feitas à pessoa de referência na família e responsável pela compra e preparação das refeições. Foram coletadas informações sobre insegurança alimentar, características sociodemográficas, peso e estatura, utilizadas para a classificação do estado nutricional. A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) foi usada para classificar a situação dos domicílios em segurança alimentar. E além disso, classificar os níveis de gravidade da insegurança alimentar (leve, moderada e grave). A EBIA é composta por 14 perguntas dicotômicas, validada no país desde 2004 para uso em estudos populacionais. Questão de gênero Pelos resultados, observamos que as prevalências de sobrepeso (38,7%) e obesidade (32,3%) foram significativamente maiores entre mulheres de famílias com formas mais severas da insegurança alimentar. Analisando os dados após ajustes estatísticos, a obesidade feminina foi quase três vezes maior entre mulheres com algum nível de insegurança alimentar. É importante considerar que o sobrepeso também se associou a mulheres que viviam com as formas mais severas: 76% maior do que entre as mulheres que eram de famílias em segurança alimentar. Entre homens, a relação não foi estaticamente significativa, o que demonstra uma maior vulnerabilidade entre as mulheres. Bonito por natureza e desigual em renda e pobreza Segundo o IBGE, em 2023, 21,6 milhões de brasileiros enfrentavam algum grau de insegurança alimentar, e 3,2 milhões estavam em situação de fome. Embora esses números representem uma melhora do cenário da segurança alimentar em relação a anos anteriores, a insegurança alimentar ainda incide de forma desproporcional nos domicílios chefiados por mulheres. Essa maior vulnerabilidade feminina pode ser atribuída a fatores estruturais. Entre os quais, o acesso a recursos produtivos e a sobrecarga das responsabilidades domésticas e de cuidado familiar. Na Região Sudeste, apesar de observarmos indicadores socioeconômicos mais favoráveis em comparação a outras regiões do país, persistem profundas desigualdades sociais internas, sobretudo nos grandes centros urbanos, como o Município do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro ocupa posição de destaque no cenário nacional, tanto do ponto de vista econômico quanto do histórico e sociocultural. Reconhecido mundialmente por suas belezas naturais, manifestações culturais e pelo turismo, também figura entre os municípios com maior produto interno bruto (PIB) do Brasil. No entanto, esse protagonismo econômico contrasta com profundas desigualdades sociais, sendo também um dos territórios mais desiguais do país . Apesar do seu destaque nacional, em 2024, a proporção de famílias vivenciando a fome no Município do Rio de Janeiro superou as estimativas nacionais e do próprio estado. Isso evidencia uma realidade local ainda mais crítica, especialmente nas famílias chefiadas por mulheres. Nuances das iniquidades em saúde Apesar do reconhecimento de que mulheres foram as mais afetadas pela relação entre insegurança alimentar e obesidade, poucos estudos investigam essa associação à luz das desigualdades de gênero, sobretudo em um contexto municipal. Nossa análise com esse recorte territorial permitiu captar nuances locais das iniquidades em saúde. E revelou como contextos socioeconômicos e culturais específicos moldam os padrões de vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, oferece subsídios fundamentais para o delineamento de políticas públicas mais equitativas e territorializadas. Diante das elevadas prevalências de insegurança alimentar e obesidade observadas em todo o território nacional, torna-se fundamental aprofundar a compreensão sobre a interrelação entre esses dois problemas de saúde pública. E pensar em estratégias a longo prazo para mitigar a persistência dessa contradição entre insegurança alimentar e obesidade.