O trágico caso do casal que temia ser deportado dos EUA e foi assassinado na Guatemala
AI Summary
Nixon Pérez Paz and Glendy González de la Cruz, a deported couple from the United States, were found murdered in southern Guatemala, with their youngest daughter found alive but severely dehydrated. The family had fled violence and poverty in Guatemala seeking a better life in the US but faced detention and deportation.
Nixon Pérez Paz foi deportado dos Estados Unidos em maio de 2025. Um ano depois, sua companheira, Glendy González de la Cruz, decidiu voltar para sua Guatemala natal para reunir a família Acervo pessoal O "sonho americano" de Nixon Pérez Paz e Glendy González de la Cruz terminou em um canavial no sul da Guatemala. Foi lá que os corpos dos dois foram encontrados, com ferimentos causados por tiros, em 21 de julho. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Havia pouco mais de um ano que Pérez Paz, de 43 anos, havia sido deportado dos Estados Unidos. E fazia apenas um mês que González, de 25, decidira voltar ao seu país natal com as três filhas do casal para se reunir a ele e retomar a vida em família. Ao lado dos corpos, a polícia encontrou a filha mais nova, Giovanni, de 14 meses, viva, mas gravemente desidratada. "É assim que muitos de nós, imigrantes nos Estados Unidos, tememos acabar", disse à BBC News Mundo uma amiga do casal chamada Liliana, que preferiu ser identificada apenas pelo primeiro nome. "Vivemos com o medo de sermos detidos e separados dos nossos maridos, dos nossos filhos, ou de sermos devolvidos ao país perigoso do qual fugimos", acrescentou. Detenção e deportação Em 2019, eles deixaram a Guatemala em busca, nos Estados Unidos, de uma alternativa à pobreza e à violência. Primeiro, Nixon migrou, cruzando a fronteira com o México de forma irregular. Meses depois, Glendy o seguiu, levando a filha do casal na época, Marisol. Após uma breve passagem pelo Texas, encontraram estabilidade em Overland, uma cidade tranquila de cerca de 15 mil habitantes no Estado do Missouri, no Meio-Oeste dos EUA. Lá, tiveram a segunda filha, enquanto Pérez Paz trabalhava como telhadista e González alternava empregos em empresas de embalagem de frutas, engarrafadoras e outras fábricas. Em março de 2021, o irmão dele, Rolando Pérez Paz, também se juntou à família, como contou à BBC News Mundo. O drama da família começou em 15 de abril do ano passado, quando, ao iniciarem a jornada de trabalho, os dois irmãos foram abordados por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). "Vários agentes desceram de um veículo sem identificação e nos cercaram", lembra Rolando Pérez Paz, por telefone, da Guatemala. Depois de obrigá-los a sair da caminhonete de trabalho, os agentes colocaram algemas e correntes em seus tornozelos. Em seguida, os levaram primeiro para um centro de detenção e depois para a cadeia do condado de Phelps. "Eles disseram que estávamos sendo presos por termos entrado de forma irregular no país e que seríamos deportados", conta Pérez Paz, confirmando que nem ele nem o irmão tinham status migratório legal nos Estados Unidos. Questionado pela BBC News Mundo, o ICE confirmou a detenção. "Nixon Pérez Paz, um imigrante em situação irregular da Guatemala com antecedentes criminais, foi preso durante uma operação direcionada de fiscalização migratória", diz a mensagem atribuída a um porta-voz da agência e enviada por e-mail à BBC News Mundo. "Ele havia sido condenado duas vezes por dirigir sob efeito de álcool em Overland, Missouri — uma em 2020 e outra em 2024", prossegue o texto. "Recebeu o devido processo legal, teve uma ordem final de deportação emitida em 21 de abril de 2025 e foi deportado para a Guatemala em maio daquele ano." LEIA TAMBÉM O que é o turismo de nascimento nos EUA e como decretos de Trump podem afetar brasileiros Migrantes com status temporário devem buscar residência ou deixar os EUA, diz secretário EUA tornam permanente exigência de caução de até US$ 20 mil para vistos de cidadãos de 50 países Um mês depois, o irmão dele também foi deportado. "Continuei tentando recorrer da minha situação com a ajuda de uma organização, mas não teve jeito", lamenta Rolando Pérez Paz. Grávida novamente, Glendy González de la Cruz permaneceu em Overland, onde deu à luz a terceira filha do casal um mês depois. "Sozinha, responsável por sustentar a família, Glendy lutou durante um ano inteiro para conseguir chegar ao fim do mês", escreveu a organização Missouri Workers Center (MWC) em suas redes sociais. A guatemalteca colaborava com esse grupo, defendendo os direitos de imigrantes por meio do comitê organizador, chamado Fuerza. "Glendy começou a participar das reuniões do Fuerza três semanas após dar à luz. Apesar de ter dois empregos, ela comparecia, levava novos integrantes, mesmo quando via seu mundo desmoronar", relembra o Missouri Workers Center em sua publicação. "Em junho, para proteger as filhas e manter a família unida — e com medo de perder a guarda das meninas — Glendy tomou a difícil decisão de voltar para a Guatemala, apesar de ter uma audiência de seu processo de asilo marcada para 2027", acrescenta a organização. A BBC News Mundo, no entanto, não conseguiu confirmar essa informação de forma independente. Assim, a família Pérez González passou a integrar o número crescente de guatemaltecos deportados dos Estados Unidos desde a