Novo fundo oceânico surge após terremotos; pesquisadores acompanham em tempo real
AI Summary
Scientists monitored in real time a rare event of new oceanic crust formation on the Southeast Indian Ridge in the Southern Indian Ocean. Using an array of geophysical instruments installed on the ocean floor in early 2024, research documented seismic activity, magma intrusion, and significant seabed subsidence.
Imagem meramente ilustrativa Alessandra Benini via BBC Um evento raro permitiu aos cientistas acompanhar, enquanto acontecia, uma das etapas fundamentais da renovação da crosta terrestre: a expansão do fundo oceânico. O episódio ocorreu em abril de 2024, na Dorsal do Sudeste Indiano (SEIR), no Oceano Índico Meridional, onde duas placas tectônicas se afastam. A região apresenta uma taxa de expansão de aproximadamente 6,3 centímetros por ano. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram O registro foi descrito em estudo publicado na revista Nature, em julho deste ano, que apresenta, segundo os autores, a primeira observação in situ de um evento de rifteamento em uma dorsal meso-oceânica combinando diferentes técnicas de monitoramento geofísico. Um observatório no fundo do oceano A oportunidade surgiu graças ao observatório OHA-GEODAMS, instalado em fevereiro de 2024 sobre a dorsal e nas proximidades da Falha Transformante de Amsterdam. A rede reunia cinco hidrofones para registrar atividade acústica, 15 equipamentos capazes de medir alterações nas distâncias entre pontos do fundo oceânico e um sensor de pressão instalado diretamente no vale axial. A equipe também realizou levantamentos batimétricos para comparar a topografia do fundo antes e depois do evento. Foi justamente essa combinação que tornou o registro particularmente valioso. Em vez de depender apenas de terremotos detectados a grandes distâncias, os pesquisadores puderam observar simultaneamente atividade sísmica, deslocamentos horizontais, subsidência do fundo e alterações posteriores na paisagem submarina. E o evento começou pouco depois da instalação dos instrumentos. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: CANTO ÚNICO: Ave exclusiva da Serra de Baturité é reconhecida como nova espécie brasileira AVISO: Plantas ornamentais podem representar risco para cães e gatos; entenda VÍDEO: Bando de tatus é flagrado 'correndo' e cavando o solo no Pantanal Sequência de terremotos Em 26 de abril de 2024, uma sequência de terremotos começou no centro de um segmento de aproximadamente 25 quilômetros da dorsal. Um terremoto de magnitude Mw 4,9 foi registrado poucos minutos depois. A atividade sísmica então avançou rapidamente por mais de 8 quilômetros em direção sudeste e, na sequência, mudou de direção, propagando-se por mais de 9 quilômetros para noroeste. Esse padrão de migração é característico da propagação de diques, estruturas formadas quando o magma se introduz em fraturas da crosta. Segundo os pesquisadores, a propagação ocorreu a velocidades médias de aproximadamente 2 a 3 metros por segundo — muito mais rapidamente do que em alguns eventos semelhantes registrados anteriormente. O fundo do mar afundou mais de quatro metros Área de ocorrência esutada Reprodução / estudo Enquanto a atividade sísmica avançava, o sensor de pressão instalado no fundo do vale axial registrava outro fenômeno impressionante. O fundo oceânico começou a sofrer uma subsidência acelerada. Em determinado momento, a deformação chegou a aproximadamente 5 centímetros por minuto. Ao longo de seis dias, o fundo do vale havia afundado cerca de 4,2 metros. Mais de 80% dessa subsidência ocorreu nas primeiras 16 horas do evento. Para os pesquisadores, o comportamento é compatível com o esvaziamento de um reservatório de magma localizado sob o eixo da dorsal. A interpretação é que parte desse magma teria sido drenada do reservatório para alimentar os diques que se propagavam pela crosta. Milhões de metros cúbicos de lava chegaram ao fundo A deformação não terminou no subsolo. Comparações entre mapas batimétricos produzidos em 2024 e 2025 revelaram extensas áreas onde a topografia do fundo oceânico havia mudado. Em alguns locais, as novas formações de lava apresentavam mais de 90 metros de espessura. A equipe estimou que os novos derrames de lava representavam entre 148 milhões e 160 milhões de metros cúbicos de material. A ocorrência de ondas acústicas características da interação entre lava quente e água do mar, associada ao aumento da temperatura próximo ao fundo, permitiu estimar a duração da fase eruptiva. Os registros indicam que a principal atividade de extrusão ocorreu durante aproximadamente 16 dias, entre o fim de abril e maio, com três grandes pulsos de atividade. Um episódio menor também foi detectado em 15 e 16 de junho. Nem toda a expansão aconteceu com terremotos Um dos resultados mais importantes do estudo, porém, está justamente naquilo que não apareceu nos registros sísmicos. Os pesquisadores perceberam que a movimentação das falhas que delimitam o vale oceânico foi muito maior do que aquela que poderia ser explicada apenas pelos terremotos registrados durante o episódio. Para investigar essa diferença, a equipe testou 10 milhões de modelos combinando três componentes: o esvaziamento de um reservatório magmático, a abertura de um dique e o deslocamento de uma falha normal. Apenas 2.203 modelos apresentaram ajuste considerado satisfatório aos dados observados. Os r