'Não haverá mais eleições aqui': o discurso de Daniel Ortega que fecha caminho para oposição na Nicarágua
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Nicaragua's President Daniel Ortega announced the country will no longer hold elections to block the opposition from gaining power. His government has taken authoritarian measures since 2018, including repression of protests and consolidating control over all state powers through constitutional changes.
Presidente da Nicarágua anuncia que o país não terá mais eleições O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou no domingo (19/07) que o país não terá mais eleições, para impedir que a oposição chegue ao poder. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp "Não haverá mais eleições aqui para que eles [a oposição] tentem tomar o governo e o poder", declarou Ortega em seu discurso durante a comemoração da Revolução Sandinista de 1979. Segundo informações da agência de notícia Reuters e do jornal local La Prensa, Ortega discursou para milhares de pessoas no ato que comemorou a derrubada do governo do ditador Anastasio Somoza. Ainda de acordo com o jornal independente Confidencial 30, da Nicarágua, o discurso foi feito na Praça da Fé, na capital Manágua. Em seu discurso, Ortega não deu mais detalhes sobre como a proibição será implementada. "Os dias em que partidos apoiados pelos ianques [Estados Unidos] e pelos somosistas voltariam ao poder acabaram. Nunca mais", disse Ortega. Foi a primeira aparição pública do presidente em dois meses. Ortega está no poder ininterruptamente desde 2007. A última eleição presidencial, em novembro de 2021, foi contestada, já que todos os principais candidatos da oposição foram presos. 'Os dias em que partidos apoiados pelos ianques [Estados Unidos] e pelos somosistas voltaria ao poder acabaram', disse Ortega. Leonardo Fernandez Vilori/Reuters via BBC EUA, União Europeia, Canadá e Costa Rica classificaram o último processo eleitoral como "ilegítimo". No Brasil, o PT foi duramente criticado por apoiadores e rivais ao divulgar uma nota saudando Ortega pela vitória, que acabou retirada da página do partido após a repercussão. Ele liderou o país pela primeira vez ao ser eleito coordenador do Conselho de Administração, em 1981, dois anos depois do triunfo da Revolução Sandinista (1979). Em 1984, ele ganhou as eleições, ocupando a presidência até 1990. Ortega está no poder há mais tempo do que qualquer membro da dinastia dos Somozas, grupo familiar que comandou o país por mais de 40 anos e que o próprio Ortega ajudou a derrubar. Em 2024, Ortega propôs mudanças na Constituição para dar a ele e à esposa, Rosario Murillo, poder absoluto sobre os três Poderes do Estado. O governo Ortega consolidou sua guinada autoritária por volta de 2018, quando houve protestos contra reformas previdenciárias anunciadas pelo governo. A repressão foi dura, inclusive com a participação de paramilitares pró-governo, segundo vários relatórios da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Em meio a este conflito, a brasileira Raynéia Gabrielle da Costa, médica residente na capital Manágua, foi morta a tiros em julho de 2018. Um homem foi condenado pela morte dela, mas depois anistiado. De acordo com entrevistados pela BBC News Brasil à época, ele era ligado ao regime de Ortega. Revolução Sandinista e Ortega no poder Anastasio Somoza García foi presidente por 16 anos e seus filhos Luis Somoza Debayle e Anastasio Somoza Debayle governaram a Nicarágua por quase 7 e 9 anos, respectivamente. Na história da América Latina, Ortega fica atrás apenas de Fidel Castro (Cuba), Porfirio Díaz (México), Alfredo Stroessner (Paraguai) e Rafael Leónidas Trujillo (República Dominicana) no rol de governantes que por mais tempo permaneceram no poder na região. Abaixo, a BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, listou cinco pontos que explicam a chegada de Ortega ao poder e como ele conseguiu permanecer por tanto tempo no cargo. O eterno candidato único da Frente Sandinista O pacto que permitiu a Ortega voltar ao poder As reformas Cerco de oponentes Pragmatismo de Ortega 1. O eterno candidato único da Frente Sandinista Ortega se tornou a face mais conhecida da revolução sandinista que derrubou o regime de Somoza em 1979. Após o triunfo, o Conselho de Administração da Reconstrução Nacional foi instalado como um governo transitório da Nicarágua. Em março de 1981, a Direção Nacional da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) elegeu Ortega como coordenador. "Daniel Ortega aproveitou sua personalidade discreta para se posicionar como o homem da Frente Sandinista no Conselho de Administração que foi instalado após a derrubada de Somoza", diz o jornalista Fabián Medina, autor do livro El prisioneiro 198, um perfil do mandatário. "Ortega foi escolhido pelo Diretório Nacional porque parecia menos perigoso do que os três principais comandantes da época: Henry Ruiz, Tomas Borge e Humberto Ortega. Todos queriam ser presidentes e nenhum aceitava os outros dois", lembra Medina. Posteriormente, Ortega foi eleito candidato da Frente Sandinista nas eleições de 1984, quando conquistou a presidência pela primeira vez. "Já nos anos 1990 ele manteve o controle, eliminando dissidências e rivais internos que apareciam, de tal forma que, quando havia eleição, só restava ele", acrescenta o jornalista. Nos últimos 37 anos, Ortega foi o único candidato à presidência pelo partido FSLN. Ele já se candidatou em oito campan