MPT aponta falta de registro e treinamento de segurança para trabalhadores mortos em desabamento em Campo Grande

🇧🇷 Globo (BR) —
MPT aponta falta de registro e treinamento de segurança para trabalhadores mortos em desabamento em Campo Grande

AI Summary

Two workers died in a construction collapse in Campo Grande, Brazil; investigations revealed they were not officially registered or trained for safety procedures. The Ministry of Labor is probing the incident, which occurred during the building of a supermarket, with possible structural compromise from a vendaval under review.

Vídeo mostra desabamento que matou dois trabalhadores em Campo Grande Os dois trabalhadores que morreram no desabamento de uma estrutura de pré-moldados no bairro Aero Rancho, em Campo Grande, não estavam registrados em carteira, segundo o procurador do Trabalho Paulo Douglas de Moraes. Eles também não haviam passado pelo processo de integração de segurança, ainda conforme Moraes. VÍDEO: Trabalhadores morrem após estrutura desabar em obra de supermercado em Campo Grande As vítimas, Willian Douglas Souza Cabral, de 39 anos, e Joel da Silva Oliveira, de 40, morreram no local do acidente. Outros dois trabalhadores ficaram feridos. A reportagem não obteve retorno sobre o estado de saúde das outras vítimas até a publicação desta reportagem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Eles trabalhavam na construção de um supermercado na Avenida Rachel de Queiroz quando a estrutura desabou, na tarde de sexta-feira (4). Vistoria O procurador e fiscais do Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT-MS) vistoriaram o local do acidente na tarde desta terça-feira (8). Conforme Paulo Douglas, o MPT-MS abriu uma apuração porque o desabamento ocorreu em um ambiente de trabalho e deixou dois trabalhadores mortos. A investigação ainda está em fase inicial, e a dinâmica do acidente depende de laudos técnicos e do relatório da fiscalização trabalhista. Estrutura que desabou em obra no Aero Rancho. Diogo Nolasco. Apesar disso, o MPT já identificou irregularidades trabalhistas envolvendo os dois trabalhadores mortos. Segundo o procurador, eles não estavam registrados em carteira e não haviam passado pelo processo de integração, procedimento que deveria apresentar aos funcionários os riscos existentes no ambiente de trabalho. “Isso não salvaria a vida deles, mas protegeria, digamos assim, as compensações que o sistema previdenciário traz para guarnecer os familiares, quem fica. E nem isso foi observado. Esses trabalhadores não foram submetidos à integração. Ou seja, eles não tiveram a possibilidade, a oportunidade de conhecer os riscos aos quais eles estavam expostos nesse ambiente. E veja, não estou antecipando aqui que essa questão por si só tenha tido o condão de levar ao resultado morte. Mas são aspectos que já foram levantados que apontam para responsabilização da empresa.” Paulo Douglas ressaltou que essas irregularidades, isoladamente, não permitem afirmar que foram responsáveis pelas mortes, mas podem apontar para falhas da empresa e eventual responsabilização. “Então, o procedimento junto ao Ministério Público do Trabalho visa basicamente dois objetivos: que nós tomemos medidas para frente, para que situações como essa não voltem a ocorrer, e buscar responsabilização daqueles que, mediante a sua devida falta de diligência, acabaram não protegendo esses trabalhadores”, completou. Vendaval Sobre o desabamento, o procurador mencionou a possibilidade de um vendaval ter comprometido a estrutura, mas afirmou que ainda não é possível confirmar essa hipótese. Ele também destacou que o fato de a estrutura ter ruído antes mesmo da instalação da carga do telhado levanta dúvidas sobre a qualidade do material pré-moldado utilizado. A empresa responsável pela construção é a HB Pré-Fabricados, de Sidrolândia. Em nota, a empresa lamentou o ocorrido e informou que as causas do acidente serão investigadas. Veja no final da reportagem. “A gente vê claramente que possivelmente um vendaval acabou comprometendo a estrutura. Algo bastante surpreendente, porque ainda não havia sequer carga de telhado sobre essa estrutura. O que implica dizer que o vento não deveria ter provocado esse resultado. Isso gera dúvidas a respeito da qualidade do próprio pré-moldado que estava aqui instalado. Mas essas respostas virão com o laudo pericial. O que já temos, como já disse, são certezas já com relação à falta de boas práticas da empresa, que é uma empresa de Hidrolândia, empresa antiga, não é nova no mercado. E, obviamente, mesmo que nova fosse, deveria saber quais são as suas obrigações com relação à segurança do trabalhador. Isso não foi observado aqui”, afirmou Paulo Douglas. Medidas de segurança O MPT também vai analisar se os equipamentos de proteção individual (EPIs) eram adequados aos riscos existentes e se outras medidas de segurança, como a linha de vida, foram corretamente adotadas. “Nós vimos que a corda, que teoricamente tem que estar em um ponto fixo, só que aqui nós estamos em uma situação em que a estrutura ruiu. Então, esse trabalho do entendimento da causa dessa situação está sendo feito agora. Seria bastante leviano, da minha parte, antecipar questões técnicas que virão no relatório. [...] As vigas caíram, inclusive, sobre dois caminhões, três, na verdade. Um deles esmagou toda a cabine do caminhão. Então, são situações nas quais, se esse trabalhador estivesse ali dentro daquele caminhão, não existiria EPI capaz de prevenir aquela situação e o resultado morte dele”, afirmou. A investigação poderá resultar em r

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