Movimentos sociais fazem protesto após repercussão de vídeo em que Raquel Lyra sugere laqueadura em mulher 'sem ela saber'
AI Summary
Social movements protested in Recife, Brazil, after a video surfaced of Governor Raquel Lyra suggesting performing a sterilization surgery on a woman without her consent. The protest defended women's reproductive autonomy, denouncing the governor's statement as eugenic and criminal, particularly affecting marginalized women.
Mulheres fazem ato após fala de Raquel Lyra (PSD) sobre laqueadura Após a repercussão de um vídeo em que a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), sugeriu fazer uma cirurgia de laqueadura em uma mulher "sem ela saber", movimentos sociais realizaram um ato nesta segunda-feira (21), no Centro do Recife (veja vídeo acima). Os manifestantes se concentraram em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, localizado no bairro de Santo Antônio. Segundo os movimentos sociais participantes, o protesto foi organizado para defender a autonomia reprodutiva das mulheres. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp A assistente social Daniela Rodrigues, coordenadora da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, foi uma das representantes das organizações envolvidas na manifestação. De acordo com ela, a mobilização expressa "indignação" com a fala da governadora. "Enquanto mulheres negras, a gente sabe que nós somos a maioria nos serviços públicos, principalmente no de saúde, e se uma governadora, que está candidata à reeleição, expõe uma ideia eugenista dessa, de que as mulheres deveriam fazer laqueadura de trompas, mesmo sem elas quererem, mesmo sem o consentimento delas, então a gente fica muito preocupada. E, por isso, a gente fez toda essa mobilização, para se posicionar diante desse absurdo, uma fala criminosa", disse. Entre as entidades presentes no ato, estavam o Fórum de Mulheres de Pernambuco, a União Brasileira de Mulheres (UBM), a Comissão de Direitos Humanos e Defesa dos Direitos das Mulheres da Câmara Municipal do Recife e outras organizações sociais. A gravação, publicada pelo portal Metrópoles no fim de semana, foi feita em maio de 2025, durante a inauguração da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Dom Moura, em Garanhuns, no Agreste do estado. A governadora aparece nas imagens após ouvir o relato de uma mulher que teve sete filhos. "Aí tem que fazer laqueadura, visse? A gente bota na fila da laqueadura. Isso eu posso fazer. [trecho inaudível] Mas faz sem ela saber", disse Raquel na ocasião. A laqueadura é uma cirurgia de esterilização feita em mulheres que consiste em cortar as trompas, interrompendo o caminho entre o ovário e o útero. Após a postagem, a candidata à reeleição em Pernambuco pediu desculpas publicamente por meio de nota e de um vídeo em sua conta no Instagram (confira mais abaixo). Mulheres fazem ato após fala de Raquel Lyra (PSD) sobre laqueadura Mariane Monteiro/g1 A assistente social Estefani Santos afirmou que a manifestação foi organizada em defesa do direito das mulheres à autonomia sobre os próprios corpos e às escolhas reprodutivas. Segundo ela, a fala da governadora afeta principalmente mulheres negras e periféricas e reforça a importância de impedir retrocessos em um ano eleitoral. "A gente está aqui porque a gente luta pelo nosso direito da gente poder ter nossa escolha reprodutiva, entendendo que essa fala vai afetar majoritariamente mulheres, mulheres negras, periféricas. Então, a gente está aqui hoje lutando sobre o direito dos nossos corpos, vivendo um ano político, entendendo que muitas mulheres vêm com a fala de que mulheres não devem ter voto. É importante que a gente não retroceda, que a gente avance, e essa é uma pauta de interesse feminista, e que vai abranger a todas as mulheres", afirmou. O agente comunitário de saúde e professor de história Clayton Lopes também participou do ato. Para ele, a declaração da governadora representa um desrespeito às mulheres e contraria a luta histórica por direitos e autonomia. "No momento em que você vai e fala: 'faça sem saber', eu acho realmente um absurdo, principalmente como um profissional da área de saúde, e do ponto de vista histórico mesmo, nessa luta toda que as mulheres enfrentam, vêm enfrentando, com o aumento de violência, então é um desrespeito muito grande. Eu acredito que o fato de eu estar aqui hoje é para fortalecer e para poder contribuir também nessa luta", disse. A estudante do curso técnico de enfermagem Cristina Alves afirmou que recebeu a declaração da governadora com surpresa e defendeu que a decisão sobre ter ou não filhos cabe exclusivamente às mulheres. "Para mim, foi algo muito chocante, como estudante [de enfermagem] e também como mãe. A gente é livre para escolher o que a gente quer, se a gente quer encerrar [e não ter mais filhos], se a gente quer dar prolongação, se a gente quer ficar com dois, três, a gente é livre", declarou. Mulheres fazem ato após fala de Raquel Lyra (PSD) sobre laqueadura Mariane Monteiro/g1 O que diz a governadora No domingo (20), a governadora publicou nas redes sociais um pedido de desculpas, dizendo que o vídeo é antigo. "Como mãe, como mulher, eu sei o desafio que é decidir sobre o planejamento familiar. Essa fala minha em nada traduz o respeito que eu tenho às mulheres. Por isso, eu peço desculpas. Foi uma fala equivocada. Eu não tenho compromisso com o erro", afirmou a candidata. Ainda na gravação em que pede desculpas, Raquel