Morte de menino picado por escorpião: veja 6 pontos que levaram polícia a indiciar médico por homicídio no interior de SP
AI Summary
The death of 3-year-old Bernardo de Lima Mendes in Conchal, Brazil, after a scorpion sting has led to the indictment of doctor Augusto Fortunato de Godoi for involuntary manslaughter due to alleged failure to follow medical protocols. The investigation highlights lapses in immediate medical transfer and treatment procedures.
Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por escorpião em Conchal (SP) Redes Sociais A morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, após ser picado por um escorpião em março deste ano em Conchal (SP), voltou a repercutir após a Polícia Civil indiciar o médico Augusto Fortunato de Godoi por homicídio culposo - quando não há intenção de matar. De acordo com o inquérito, o delegado Luís Henrique Lima Pereira, responsável pela investigação, identificou que os protocolos para o atendimento da criança não foram seguidos pelo médico. A defesa de Augusto informou que há "plena certeza de sua inocência". (Veja abaixo o posicionamento). A polícia também pediu medida cautelar proibindo o médico de atuar como plantonista e em serviços de urgência e emergência, como hospitais e Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), até nova decisão judicial. A investigação e o pedido ainda serão analisados pelo Ministério Público e pela Justiça. Em depoimento, o médico afirmou que não sabia de protocolos para picada de escorpião em crianças de até 10 anos. O g1 reuniu 6 pontos que constam na justificativa do indiciamento da polícia: Não transferiu imediatamente a criança para um hospital de referência Descumprimento dos protocolos técnicos para acidentes com escorpião em crianças Demora no início dos procedimentos de transferência Condicionou a remoção à regulação via Cross Não adotou medidas mais rápidas para obter o tratamento específico Acompanhamento considerado insuficiente e tratamento apenas sintomático 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram 1. Não transferiu imediatamente a criança para um hospital de referência Hospital e Maternidade Madre Vannini, em Conchal (SP) Reprodução Google Street View O inquérito policial cita que o hospital de referência mais próximo de Conchal era a Santa Casa de Araras, mas que, na ausência do soro na instituição, Capivari, Itirapina, Leme, Limeira, Piracicaba, Pirassununga, Rio Claro e São Pedro possuem o soro antiescorpiônico. "Entretanto, verifica-se que o médico responsável pelo atendimento da vítima, Dr. Augusto, contrariando as normativas técnicas amplamente reconhecidas na literatura médica, nos protocolos inclusive do hospital em que trabalha e nos protocolos do Ministério da Saúde, optou por manter a criança em observação na unidade local, sem providenciar sua imediata transferência para hospital de referência.", destacou o documento. 2. Descumprimento dos protocolos técnicos para acidentes com escorpião em crianças A Polícia Civil requisitou informações técnicas acerca do protocolo de atendimento em casos de escorpionismo, especialmente envolvendo crianças, para o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) de Campinas e à Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo. De acordo com o inquérito, o CIATox esclareceu que o soro antiescorpiônico não está disponível em todas as unidades hospitalares, sendo concentrado em pontos estratégicos previamente definidos. No entanto, a limitação logística não autoriza a postergação do tratamento adequado. "Pois o protocolo estabelece que, na ausência do soro na unidade de atendimento inicial, deve-se proceder à estabilização clínica do paciente e, de forma imediata, providenciar sua transferência para unidade de referência que disponha soroterapia", apontou o documento. Já o relatório da Vigilância Epidemiológica enfatizou que "crianças, por constituírem grupo de maior risco, devem ser transferidas imediatamente, mesmo na ausência de manifestações clínicas iniciais, considerando a possibilidade de rápida evolução do quadro". Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por escorpião em Conchal (SP) Redes Sociais 3. Demora no início dos procedimentos de transferência De acordo com o inquérito, a documentação aponta que a vítima deu entrada no Hospital Madre Vanini às 20h08, enquanto o contato formal com a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) foi às 21h59, mais de duas horas após o acidente com escorpião. O perito do Instituto Médico Legal (IML) afirmou que houve falha na observância dos protocolos específicos aplicados a crianças vítimas de picada de escorpião e apontou o atraso na adoção das medidas voltadas à transferência da criança. "Além de não realizar a remoção imediata inicial e nem com a piora do quadro clínico através de acionamento do Samu para um ponto estratégico, foi feito contato com o Sistema Cross de maneira formal, somente às 21h59 ou seja, já após passadas mais de duas horas do acidente escorpiônico", acrescentou. 4. Condicionou a remoção à regulação via Cross O CIATox afirmou à polícia que a transferência para a unidade de referência que possua soro deve ocorrer sem adiamento, justamente porque o tempo é fator determinante para o prognóstico, sobretudo em pacientes pediátricos. A Vigilância Epidemiológica ressaltou à polícia que é obrigatória a transferência, sem condicionamentos burocráticos que possam retardar o início da soroterapia. "Restou evidenciado que, m