'Morreu após dizer não': por que identificar os sinais de violência pode salvar mulheres em RO

🇧🇷 Globo (BR) —
'Morreu após dizer não': por que identificar os sinais de violência pode salvar mulheres em RO

AI Summary

A professora e escrivã Juliana Santiago foi morta a facadas por um aluno no Centro Universitário Aparício Carvalho, em Porto Velho, em fevereiro de 2026. O Ministério Público de Rondônia denunciou o aluno João Cândido da Costa Junior por feminicídio, afirmando que a recusa da professora a investidas sexuais foi determinante para o crime.

Aluno mata professora a facadas em Rondônia; Justiça converte prisão em flagrante do estudante em preventiva Na última aula que deu antes de morrer, Juliana Santiago prometeu aos alunos que aquela seria a “melhor matéria da semana”. Horas depois, a professora foi morta a facadas por um aluno dentro do Centro Universitário Aparício Carvalho (Fimca), em Porto Velho. Ele foi denunciado por feminicídio. Juliana tinha 41 anos, era escrivã da Polícia Civil e também atuava como professora de Direito Penal. Contexto: o crime aconteceu em fevereiro de 2026. De acordo com testemunhas, o aluno do 5º período de Direito, João Cândido da Costa Junior, de 24 anos, aguardou Juliana ficar sozinha depois da aula e começou uma discussão. Na sequência, ele a atacou com um punhal. A professora foi atingida nos dois seios e sofreu uma laceração no braço. A defesa dele optou por não se pronunciar. Em entrevista ao g1, Marisson Dourado, que era aluno da professora, contou que Juliana era uma pessoa otimista, positiva e acolhedora. Segundo ele, ela estava sempre preocupada em inovar e tornar as aulas mais leves e dinâmicas. “Sabia identificar as nossas limitações, sabia identificar as nossas fragilidades e quase que com as próprias mãos tinha o prazer de ensinar e de transportar a gente. Empregou didáticas completamente novas. Fazia seminários completamente diferentes, com teatro”, disse. Para o Ministério Público de Rondônia (MPRO), Juliana foi vítima de feminicídio. Segundo a denúncia apresentada pelo órgão, o crime aconteceu depois que ela recusou investidas sexuais feitas pelo aluno. Para a acusação, a recusa foi determinante para o assassinato. “A recusa dela peremptória em não manter uma relação com ele foi um fator determinante para ele matá-la”, disse o promotor de Justiça Marcos Alexandre. O assassinato de Juliana terminou em uma sala de aula. Mas, em muitos casos, a violência contra a mulher começa muito antes do feminicídio, com ameaças, perseguição, controle, agressões e outras formas de violência. ➡️ É justamente nesse intervalo, entre os primeiros sinais e a morte, que está uma das principais perguntas sobre o enfrentamento à violência contra a mulher: quando e como essa escalada pode ser interrompida? Os sinais antes do feminicídio Para Rosimar Francelino Maciel, coordenadora da Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher em Rondônia, o feminicídio geralmente não acontece de forma isolada. Ele costuma ser o desfecho de um “continuum” de violências. Segundo a especialista, alguns comportamentos podem indicar que a violência está se agravando e precisam ser identificados antes que a situação chegue a um episódio mais grave. “Os principais sinais de agravamento são ameaças de morte ou suicídio, perseguição e controle, isolamento, agressões mais frequentes ou graves, estrangulamento, uso de arma, violência sexual, descumprimento de medida protetiva e separação recente. Esses fatores exigem avaliação imediata de risco e plano de segurança.” A identificação desses sinais, no entanto, não depende apenas da vítima. Para que a violência seja interrompida, a rede de proteção também precisa conseguir reconhecer o risco e agir antes que a situação se agrave. É nesse ponto que o papel de órgãos como polícia, Ministério Público, Justiça, saúde e assistência social se torna decisivo. A proteção não depende de uma única instituição, mas da capacidade de diferentes serviços identificarem situações de risco e trabalharem de forma integrada. Quando a proteção precisa chegar antes A Lei Maria da Penha completou 20 anos em 2026. A legislação criou mecanismos para proteger mulheres vítimas de violência, mas, segundo Rosimar, a existência da lei não foi suficiente para transformar, na mesma velocidade, as estruturas responsáveis pelo atendimento. “Porque a lei alterou o marco jurídico, mas ainda não transformamos na mesma velocidade as estruturas que produzem e toleram a violência. A desigualdade de poder nas relações, o controle sobre a vida das mulheres, a naturalização do ciúme e da posse, a dependência econômica, a circulação de armas, o medo de denunciar e a subnotificação continuam presentes", explicou. A especialista também aponta dificuldades na estrutura de atendimento às vítimas. Em Rondônia, as distâncias entre os municípios e a concentração dos serviços especializados tornam esse desafio ainda maior. “A isso se somam falhas institucionais: serviços concentrados nas capitais, equipes insuficientes, atendimento descontínuo, demora na investigação e na perícia, falta de protocolos comuns e pouca integração entre segurança, saúde, assistência social, educação e Justiça", disse. Conseguir uma medida protetiva, no entanto, não significa que o risco tenha acabado. Para que a proteção seja efetiva, é necessário acompanhar a situação da mulher e agir quando houver novos sinais de violência. “Em Rondônia, é indispensável expandir as Patrulhas Maria da Penha e o monitoramento das medidas para os 52 municípios, com equipes e logís

Security Conflict Politics Health feminicídio violência contra mulheres Porto Velho investigação criminal Justiça prevenção da violência

Read original source →