Mensagens mostram empresário consultando investigado por elo com PCC durante compra de distribuidora de combustíveis
AI Summary
Investigations revealed that during the acquisition of the fuel distributor Terrana, businesspeople and executives used a front buyer to mask real control by figures linked to the criminal organization PCC. Conversations showed active management input from Mohamad Hussein Mourad, with legal and financial structuring discussed among involved parties, highlighting concerns about publicity and infiltration of the company by false identities.
3° fase da operação Carbono Oculto faz buscas contra executivos do Banco Genial e delator do Banco Master Um conjunto de mensagens extraídas de celulares de investigados revela, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), os bastidores da compra da distribuidora de combustíveis Terrana por uma suposta organização criminosa liderada por Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, chamado de “Primo”. Nos diálogos, empresários, advogados e executivos financeiros discutem a criação de empresas, a estrutura usada para financiar a aquisição, a necessidade de consultar Mohamad antes de tomar decisões e até como preservar a aparência de que o empresário Paulo Narcélio Simões do Amaral era o verdadeiro comprador da distribuidora. Entre as extrações de conversas e análises feitas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foi encontrado um grupo de WhatsApp chamado "Novo direção Terrana". Ele foi criado no fim de 2024, depois da compra da Terrana, e é apontado pela investigação como um dos principais canais de comunicação da nova gestão da distribuidora. As mensagens analisadas mostram que o grupo reunia responsáveis pela condução financeira, contábil e administrativa da Terrana, entre elas o empresário apresentado como comprador da empresa; Mohamad Hussein Mourad ("Primo"), identificado pela investigação como participante ativo da gestão, além de outros três operadores. Segundo o Gaeco, o conteúdo das conversas indica que Mohamad acompanhava e orientava decisões relacionadas à reestruturação da empresa após a compra, enquanto outros operadores compartilhavam documentos e informações sobre a operação societária que transferiu o controle da Terrana. Um dos diálogos destacados pela investigação é uma mensagem do empresário que teria sido "recrutado" para ser o comprador afirmando ser importante manter sua presença para preservar a imagem de que a empresa teria sido adquirida por ele. Para os investigadores, a conversa sugere que ele figurava como comprador formal, enquanto outras pessoas exerceriam influência efetiva sobre a gestão. ‘O primo está mais nervoso que eu’ Um dos momentos de maior tensão registrado nas conversas ocorreu quando reportagens começaram a relacionar a aquisição da Terrana à Copape, a Mohamad e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao encaminhar uma das reportagens a Humberto Tupinambá, sócio e diretor do Banco Genial, Narcélio escreveu: “Cagada!” O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição. A investigação, entretanto, trata de acontecimentos anteriores a essa data. Em seguida, afirmou que “o primo está mais nervoso que eu”, numa referência que os investigadores atribuem a Mohamad. Segundo a investigação, Narcélio também relatou que integrantes do grupo estavam colocando pessoas com nomes falsos dentro da empresa. Humberto respondeu que não poderia agir diretamente e indicou que seu irmão seria “o único que tem como fazer algo”. O temor de exposição aparece em outros momentos das conversas. A investigação identificou, por exemplo, que Ioná Patrícia de Lima Andrade passou a utilizar o nome de “Camila Junqueira” depois de uma reportagem relacioná-la à distribuidora. A decisão judicial menciona expressamente a adoção do nome falso após a publicação da reportagem. ‘Depende do Primo’ Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, ambos foragidos, apresentaram material que aponta o pagamento de propina de R$ 400 milhões a políticos e autoridades. Montagem/g1 Formalmente, Narcélio aparecia como comprador da Terrana. As mensagens, porém, são usadas pelo Gaeco para sustentar que decisões relevantes continuavam submetidas a Mohamad e Beto Louco. Em uma conversa sobre os termos da operação, Narcélio afirma que uma decisão “depende do Primo”. Humberto Tupinambá responde: “Sim, vou falar com ele”. Em outro diálogo, Narcélio demonstra insegurança por não saber exatamente o que os verdadeiros interessados pretendiam fazer com a empresa. André Tupinambá então sugere uma reunião presencial com Beto Louco e Mohamad, em Brasília. A própria decisão judicial destaca que as conversas indicam que o tomador de decisões era o “Primo”. Para o Ministério Público, Narcélio teria sido escolhido justamente porque era um nome conhecido no setor de combustíveis e poderia passar pelos procedimentos de compliance exigidos na venda. Segundo a investigação, ele receberia uma comissão de 0,75% sobre a transação, além de remuneração mensal por três meses durante a gestão inicial da empresa. Uma das mensagens citadas na decisão explicita a função que ele teria desempenhado. Narcélio fala em “manter a imagem de que a empresa foi comprada por mim”. A frase foi destacada pelo próprio juiz ao fundamentar a autorização das medidas solicitadas pelo Gaeco. Empresas de R$ 1 mil e patrimônio de R$ 3 milhões Para viabilizar formalmente a aquisição, foram abertas a Berna Holdings e a B