Médico vira alvo de inquérito após morte de juíza que passou por coleta de óvulos para fertilização in vitro em SP
AI Summary
Uma investigação foi instaurada sobre a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, que faleceu após um procedimento de fertilização in vitro. O médico responsável está sendo investigado por possível homicídio culposo devido a complicações durante o procedimento.
Corpo de juíza que morreu após coleta de óvulos em clínica é enterrado em Mogi das Cruzes A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para investigar a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira. A juíza morreu no dia 6 de maio após sofrer uma hemorragia depois de um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro em uma clínica de reprodução assistida em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp Com a instauração do inquérito, o médico Maurício Costa Nunes Ligabô Júnior passou a ser investigado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Os investigadores analisam documentos da clínica In Vitro Reprodução Assistida e prontuários médicos da unidade e do Hospital e Maternidade Mogi Mater. Os profissionais envolvidos no atendimento da juíza também já foram intimados. Os advogados do médico Maurício Costa Nunes Ligabô Júnior pediram ao delegado Alexandre Bertolini que o depoimento dele seja adiado até a conclusão do laudo necroscópico. O exame ainda não havia sido finalizado no momento da solicitação. Após a morte da juíza um boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita e morte acidental. O inquérito vai apurar se a morte foi causada por complicações médicas relacionadas ao procedimento ou por possível falha no atendimento. Após a repercussão do caso, a Clínica Invitro Reprodução Assistida, onde o procedimento foi realizado, informou, em nota que a equipe médica adotou imediatamente os protocolos técnicos “desde os primeiros sinais de intercorrência” e prestou atendimento emergencial à paciente. A unidade afirmou ainda que Mariana foi encaminhada para um hospital com acompanhamento pela equipe e do médico responsável pelo procedimento. Clínica afirma que adotou imediatamente os protocolos técnicos “desde os primeiros sinais de intercorrência” Alessandro Batata/TV Diário A clínica também declarou que “todo procedimento cirúrgico e médico possui riscos inerentes e intercorrências possíveis” e disse que atua dentro das normas técnicas e regulatórias aplicáveis (leia a nota na íntegra abaixo). Juíza que morreu após coleta de óvulos em clínica é enterrada na Grande SP Vigilância Sanitária encontra irregularidades em clínica após morte de juíza 'Levei minha filha para a clínica e a tirei do hospital morta’, diz mãe de juíza que morreu após coleta de óvulos em clínica de SP Juíza sofreu hemorragia após coleta de óvulos em clínica de SP; polícia investiga a causa da morte O Hospital e Maternidade Mogi Mater informou que a paciente foi atendida pela equipe do pronto-socorro e encaminhada imediatamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (leia a nota na íntegra abaixo). Juíza voltou à clínica após passar mal Segundo boletim de ocorrência, Mariana realizou a coleta de óvulos na manhã de 4 de maio. Após receber alta por volta das 9h, ela voltou para casa, mas começou a sentir fortes dores e sensação de frio. Diante da piora do quadro, a mãe levou a juíza novamente à clínica por volta das 11h. No retorno, Mariana relatou inicialmente que acreditava ter urinado na roupa, mas a equipe médica constatou que ela apresentava uma hemorragia vaginal. Ainda de acordo com o registro policial, o médico responsável realizou os primeiros atendimentos e chegou a fazer uma sutura na região para tentar conter o sangramento. Transferência e agravamento do quadro Após a intervenção inicial, Mariana foi encaminhada para a Maternidade Mogi Mater, onde deu entrada às 17h e foi levada diretamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No dia seguinte, a paciente passou por uma cirurgia às 21h. Apesar das medidas adotadas, o quadro clínico evoluiu de forma grave. Na madrugada de 6 de maio, Mariana sofreu duas paradas cardiorrespiratórias. Mesmo com as tentativas de reanimação, a morte foi confirmada às 6h03. A unidade afirmou ainda que todas as medidas médicas e assistenciais cabíveis foram adotadas desde a admissão da paciente, na tentativa de estabilizar o quadro clínico. O corpo da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, foi enterrado no dia 8 de maio no Cemitério da Saudade, em Mogi das Cruzes, Sonhava em ser mãe A mãe da juíza, Marilza Marilza Francisco, contou que a filha decidiu congelar óvulos porque sonhava em ser mãe no futuro. “Ela ficou com medo de envelhecer. Queria ter uma poupança. Na hora que tivesse a vida mais organizada, queria ter um filho”, afirmou. Segundo Marilza, a filha realizou a coleta de óvulos na manhã de segunda-feira. Após receber alta, voltou para casa, mas começou a sentir fortes dores cerca de uma hora depois. “Ela começou a uivar de dor, muita dor. Ela gritava. Foi um desespero, eu vi minha filha gritar, minha filha sofreu. Minha filha sofreu muito”, lamentou. A mãe contou que ligou para a clínica e recebeu orientação para voltar imediatamente com a filha. Ao chegar ao local, Mariana percebeu um sangramento. “Ela falou: ‘Mãe, eu fiz xixi’. Quando ela colocou a mão, era sangue”, dis