Maternidade tardia: mulheres relatam desafios, preconceito e alegria após os 50; especialista aponta cuidados

🇧🇷 Globo (BR) —
Maternidade tardia: mulheres relatam desafios, preconceito e alegria após os 50; especialista aponta cuidados

AI Summary

Women over 50 in Brazil are sharing their experiences with late motherhood, highlighting challenges, societal prejudice, and joy. Two women illustrate their unique paths to motherhood, one through adoption and the other via in vitro fertilization.

Maternidade tardia: mulheres relatam desafios, preconceito e alegria após os 50 Comemorado anualmente no segundo domingo de maio, o Dia das Mães é uma data marcada por diferentes formas de viver a maternidade, sejam mães biológicas, adotivas, jovens ou mais velhas. São os casos de Rosângela Maria da Silva, de Avanhandava (SP), e Vilma Fátima Alves Di Ramos, de Pedrinhas Paulista (SP), duas mulheres que decidiram viver a experiência da maternidade perto dos 60 anos. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Enquanto Rosângela realizou o sonho de ser mãe por meio da adoção aos 58 anos, Vilma engravidou após passar por fertilização in vitro, aos 59. Em entrevista ao g1, elas relatam os desafios, o preconceito enfrentado e a alegria de criar crianças em uma fase da vida considerada incomum para a maternidade. Rosângela Maria da Silva, de Avanhandava (SP) e Fátima Alves Di Ramos, de Pedrinhas Paulista (SP), decidiram viver a maternidade perto e na casa dos 60 anos. Arquivo pessoal A espera de 11 anos pela adoção Rosângela tinha 58 anos quando adotou a pequena Elza Mary, hoje com 2 anos. Ela e o marido, Alex, entraram oficialmente na fila de adoção em 2012. O casal buscava uma criança de até 5 anos, sem preferência de sexo ou região do país. Nos primeiros anos, a expectativa era grande, mas, com o passar do tempo, a esperança começou a diminuir. “Depois de seis anos, já não pensávamos mais nisso. Achávamos que não teríamos filhos”, relembra Rosângela. A mudança veio em agosto de 2023, quando o casal recebeu uma ligação do fórum informando que havia uma bebê disponível para adoção. “Achei que estávamos sonhando”, conta. Além da surpresa, o casal precisou tomar uma decisão em cerca de duas horas. Alex, então com 59 anos, lembra que a idade foi um dos fatores que mais pesaram naquele momento. “Fiquei pensando: quando ela tiver 25 anos, eu terei quase 95. Não queria causar problemas para ela no futuro”, revela. A resposta do casal foi positiva e, dois dias depois, Elza Mary Von Buldring, nome dado em homenagem à mãe de Alex, chegou à nova casa. Primeira foto de Rosângela com a filha Elza Arquivo pessoal Para Rosângela, viver o Dia das Mães ganhou um significado completamente diferente após a chegada da filha. "Eu vivi muitos Dias das Mães nos quais no fundo eu sentia um vazio! Hoje só posso agradecer a Deus por ter preenchido esse vazio com Elzinha. O primeiro Dia das Mães com ela eu nem acreditava, era como se estivesse em um sonho", afirma. Ela conta que a adaptação à nova rotina exigiu aprendizado e reorganização da vida do casal. “Tinha tanta coisa para pensar: cuidar daquele bebezinho, aprender tudo sobre bebês. Foi um turbilhão de sentimentos”, relembra. Após 11 anos de espera, casal realiza o sonho da adoção com quase 60 anos Arquivo pessoal Apesar do apoio recebido da família e de amigos, Rosângela afirma que o casal também precisou lidar com comentários negativos nas redes sociais após a divulgação da história. “Diziam que éramos velhos e que iríamos morrer, e a criança voltaria para o abrigo. São pessoas infelizes”, lamenta. Mesmo diante das críticas, ela resume a experiência da maternidade tardia como uma realização. "Hoje eu só posso ter gratidão por ter esse privilégio de ser mãe. É um amor que transcende, não se explica, só sente”, afirma. Rosângela e a filha Elza Mary Arquivo pessoal O desafio de engravidar na maturidade Já a professora aposentada Vilma Fátima Alves Di Ramos viveu a maternidade pela segunda vez após engravidar por fertilização in vitro perto dos 60 anos. Moradora de Pedrinhas Paulista, ela já era mãe de Carolina, hoje adulta, e avó de duas crianças quando decidiu tentar uma nova gravidez ao lado do marido, Constantino. A gestação aconteceu logo na primeira tentativa de fertilização. Rebeca nasceu dias depois da mãe completar 60 anos Santa Casa de Assis/ Divulgação Segundo Vilma, a decisão foi recebida com surpresa e críticas por parte de pessoas próximas. Ainda assim, o casal decidiu seguir em frente com o sonho de aumentar a família. “Quando falamos da nossa ideia, todos nos chamaram de loucos e que não tínhamos responsabilidade. Porém, nunca deixamos nos abalar. Absorvi o preconceito, fui deixando as coisas amargas de lado para que eu pudesse ter uma gravidez saudável”, afirma. Apesar das críticas à gravidez, Vilma afirma que viveu uma gestação tranquila e acompanhada de perto pela equipe médica. “Não passou um dia em que eu não estivesse plena, curtindo aquela gravidez maravilhosa”, relembra. “Eu só tenho que agradecer a Deus mesmo e todos que cooperaram comigo, porque também houve pessoas que ficaram apaixonadas pelo fato [de ser mãe aos 60 anos]”, acrescenta. Hoje, a filha Rebeca tem 2 anos e 7 meses e já entende o significado do Dia das Mães, segundo Vilma. “Ela interage sabendo que é o Dia das Mães. Cada etapa da vida da Rebeca é um motivo de emoção para mim. É viver cada dia o único, viver cada dia aquela sensação que ninguém vive. Aquele momento de você ser m

World Health late motherhood adoption fertility Brazilian women

Read original source →