'Mandou comer no chão com fezes', relata ex-paciente de clínica alvo de operação do MP em MG

🇧🇷 Globo (BR) —
'Mandou comer no chão com fezes', relata ex-paciente de clínica alvo de operação do MP em MG

AI Summary

A neuropsychiatric clinic in Alfenas, Brazil, is under investigation after the Ministry of Public Affairs found evidence of severe mistreatment, including confinement in degrading conditions and allegations of sexual abuse involving adolescents. The operation led to the creation of a crisis management team by local authorities to monitor the wellbeing of patients.

"Jogou a comida no chão, tinha fezes, mandou comer." O relato de um ex-paciente está entre as novas denúncias feitas contra a clínica neuropsiquiátrica de Alfenas (MG), alvo de uma operação do Ministério Público nesta semana. Além das acusações de maus-tratos, agressões e condições degradantes, um caso de estupro envolvendo adolescentes também é acompanhado pelo Conselho Tutelar. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Durante a operação, o Ministério Público encontrou sete homens, com idades entre 27 e 48 anos, em situações consideradas precárias. Segundo as investigações, eles estavam confinados em cômodos com fezes espalhadas pelo chão e apresentavam sinais de debilidade física. Os fatos apurados apontam para os crimes de maus-tratos, sequestro e cárcere privado. Novas denúncias surgem contra a clínica neuropsiquiátrica investigada por maus-tratos, sequestro e cárcere privado em Alfenas (MG) Reprodução EPTV Os relatos de ex-pacientes descrevem episódios de violência física e humilhação dentro da instituição. "Tiraram a minha roupa, me tacaram num quarto com a porta maciça. Nesse quarto tinha fezes, tinha urina, e eles me espancaram. Juntou dois. Enquanto um batia na minha cara na frente, o outro chutava as minhas costas", afirmou um ex-interno. Ele afirmou ter passado a noite em um cômodo molhado, sobre um piso gelado, e relatou ainda ter sido submetido a situações degradantes. "A moça que servia comida foi lá, jogou a comida no chão, tinha fezes, mandou comer. Tratamento igualzinho de animal mesmo", disse. Denúncia de estupro Em março deste ano, o Conselho Tutelar recebeu uma denúncia anônima sobre um suposto caso de estupro e coerção envolvendo dois adolescentes internados na clínica. Uma das vítimas foi retirada do local, enquanto a outra permanece na instituição. Novas denúncias surgem contra a clínica neuropsiquiátrica investigada por maus-tratos, sequestro e cárcere privado em Alfenas (MG) Reprodução EPTV Segundo a conselheira tutelar Valéria Aparecida da Silva, o caso envolve dois adolescentes e um adulto. "Foi uma situação bem complicada. Esse outro menino está lá ainda e a gente está vendo o que vai fazer para ajudar, porque ontem mesmo ele me abraçou e pediu ajuda. Quer sair de lá, porque lá é só sofrimento", afirmou. Atualmente, a clínica abriga 24 adolescentes. De acordo com as autoridades, pacientes em tratamento contra dependência química e pessoas com transtornos psiquiátricos compartilham os mesmos espaços e recebem tratamentos semelhantes. Gabinete de crise foi criado A repercussão da operação levou o Ministério Público e a Prefeitura de Alfenas a criarem um gabinete de crise para acompanhar a situação dos pacientes internados e daqueles encaminhados a hospitais da região. As denúncias contra a instituição não são recentes. Em 2008, uma reportagem da EPTV, Afiliada Rede Globo, já apontava suspeitas de maus-tratos e falta de profissionais para atender ao número de pacientes. Mais recentemente, em 2024, a família de um adolescente de 15 anos que morreu após passar pela clínica acusou a instituição de negligência no atendimento. Marli Martins de Lima e o neto que morreu após ser internado em clínica que foi interditada em Alfenas Arquivo pessoal e EPTV "Foi muito triste, foi um baque que a gente não consegue até hoje. Quando eu vi a reportagem, foi muito forte, porque na época eu tive que fazer um tratamento psicológico", disse a empresária Marli Martins da Silva. Ela afirmou ainda que a família não teve acesso às instalações da clínica durante o processo de internação. "Quando a gente entrou, quando a gente ia colocar ele lá, não foi permitido ver a clínica por dentro. A gente viu só através de fotos", contou. Prefeitura e MP criam gabinete de crise para apurar denúncias em clínica de Alfenas Para um dos ex-pacientes, a expectativa é de que haja responsabilização pelos fatos relatados. "Tomara que fecha mesmo e que seja feita a justiça. Você pagar para uma clínica R$ 4 mil e ser torturado, não ter nem as condições básicas de higiene, não ter limpeza, não ter as condições básicas para você tomar um banho, para você se alimentar, é muito ruim", afirmou. Médico responsável foi preso, mas liberado no mesmo dia O médico responsável e proprietário da clínica, Bahjat Mohamed Ahmed Ali Hammad, foi preso durante a operação, mas recebeu alvará de soltura na quarta-feira. O caso segue sob investigação. Os pacientes que estavam no Hospital Alzira Velano foram transferidos para Passa Quatro (MG) e Barbacena (MG). O processo de transferência de cada paciente foi realizado pelas prefeituras das cidades em que nasceram. Segundo o comitê de crise montado pela Prefeitura de Alfenas, 121 pessoas com idades entre 30 e 45 anos seguem internados na clínica. A EPTV procurou a Polícia Civil, que informou que as denúncias de possíveis abusos sexuais foram recebidas e estão sendo consideradas na apuração dos fatos. A reportagem também entrou em contato com a defesa do dono da clínica, mas não teve retorn

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