Lula discursa pela 10ª vez na ONU; relembre as falas anteriores e veja o que esperar de 2026

🇧🇷 Globo (BR) —
Lula discursa pela 10ª vez na ONU; relembre as falas anteriores e veja o que esperar de 2026

AI Summary

Brazilian President Luiz Inácio Lula da Silva delivered his tenth speech at the UN General Assembly, traditionally the first speaker. His 2026 address is expected to highlight national sovereignty, non-interference in elections, democracy, crime organized transnational threats, and possibly international conflicts and AI.

Lula discursa na ONU em 23 de setembro de 2025 AL DRAGO/Reuters O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa nesta terça-feira (22), pela décima vez, da abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Lula já fez o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU em outras nove ocasiões: 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025. Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar, seguido pelos Estados Unidos, representados neste ano pelo presidente Donald Trump. A tradição começou em 1955, quando o Brasil se voluntariou para abrir os debates da Assembleia Geral da ONU e acabou consolidando o costume diplomático. A posição é considerada estratégica porque garante ao Brasil um dos momentos de maior atenção da sessão, com todos os países ainda reunidos no plenário para acompanhar o início dos trabalhos. Após a abertura do Brasil, também é de praxe, que o próximo país com a palavra seja o anfitrião, que é o Estados Unidos. O que esperar do discurso de Lula neste ano O discurso de 2026 deve enfatizar a defesa da soberania nacional e dos demais países, além do princípio da não interferência externa nos processos eleitorais. Lula também deve fazer referências à a democracia no mundo. A fala do presidente deve trazer recados a outros países que, na avaliação de Lula, tentam influenciar o processo eleitoral brasileiro, como por exemplo, Argentina, Israel e os Estados Unidos. Lula, no entanto, não deve evitar citar nominalmente chefes de estado e os próprios países. O combate ao crime organizado também deve aparecer no discurso. Lula deve mencionar medidas adotadas pelo Brasil contra o crime organizado transnacional, incluindo acordos bilaterais de cooperação com países vizinhos e também com os Estados Unidos. Outros temas, como os conflitos internacionais e a inteligência artificial, também podem aparecer na participação do presidente brasileiro. A previsão é que Lula fale por cerca de 20 minutos. O texto, no entanto, ainda pode passar por ajustes, cortes e mudanças até segunda-feira (21), véspera. Quais recados Lula quer passar Segundo auxiliares do presidente, o “grande desafio” desses discursos em fóruns internacionais é equilibrar os recados que Lula pretende dar com a polidez necessária para evitar embates com outros chefes de Estado. Conforme diplomatas a par da elaboração do discurso de Lula, ao fazer menção à soberania brasileira, por exemplo, a comunidade internacional presente ao debate geral consegue entender que é uma menção a ações americanas, ainda que Lula não mencione o nome de Trump ou de algum auxiliar direto. Por que o Brasil é sempre o primeiro país a falar na Assembleia Geral da ONU? Relembre os discursos de Lula na ONU 2003 Reforma do Conselho de Segurança da ONU – No contexto da guerra do Iraque, Lula defendeu a ONU e disse que era preciso uma reforma no Conselho de Segurança da organização para evitar novos conflitos armados. “Não podemos ignorar as mudanças que se processaram no mundo, sobretudo a emergência de países em desenvolvimento como atores importantes no cenário internacional”, disse o presidente colocando o Brasil à disposição para compor o grupo. Política externa brasileira – O presidente brasileiro também falou sobre a atuação internacional do Brasil em seu governo. “Além de aprofundar as relações já muito relevantes com nossos tradicionais parceiros da América do Norte e da Europa, buscamos ampliar e diversificar nossa presença internacional”, disse Lula. Ele destacou o estreitamento das relações com China, Rússia, Índia, África do Sul, além de países da América do Sul e a Liga Árabe. Combate à fome – Na esteira da criação do programa Fome Zero, Lula sugeriu a criação de um Comitê Mundial de Combate à Fome para traçar estratégias para erradicar a carência de alimentos no mundo. “O verdadeiro caminho da paz é o combate sem tréguas à fome e à miséria, numa formidável campanha de solidariedade capaz de unir o planeta ao invés de aprofundar as divisões e o ódio que conflagram os povos e semeiam o terror”, disse naquele ano. 2004 Autodeterminação dos povos – Em seu segundo discurso, Lula defendeu o fim do “colonialismo” e a independência políticas dos países mais pobres, que o presidente considerava serem subjugados pelos países ricos. “Barreiras protecionistas e outros obstáculos ao equilíbrio comercial, agravados pela concentração dos investimentos do conhecimento e da tecnologia, sucederam ao domínio colonial”, disse Lula na ocasião. Riscos da globalização – O presidente também criticou o que chamou de “globalização assimétrica” e defendeu um novo modelo de desenvolvimento econômico, com respeito à natureza e desenvolvimento social. “Hoje, é possível reconciliar natureza e progresso por meio de um desenvolvimento ético e ambientalmente sustentável”, argumentou. Luta contra a pobreza – Além disso, Lula dedicou boa parte de sua fala para incentivar esforços para diminuir a pobreza e a desigualdade mundial, além do citar

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