Justiça condena três homens por tentativa de assassinato de ex-analista da Unimed Nacional em SP que descobriu desvio milionário
AI Summary
The São Paulo Jury Court convicted three men for the attempted murder of a former Unimed Nacional analyst who exposed a $4.8 million embezzlement scheme. The crime was motivated by the victim's whistleblowing, and the mastermind remains at large.
Reviravolta em investigação de tentativa de homicídio em São Paulo O Tribunal do Júri de São Paulo condenou três homens acusados de participação direta na tentativa de homicídio qualificado contra uma ex-funcionária do convênio médico Unimed Nacional em SP, que denunciou um esquema de desvios de mais de R$ 4,8 milhões na empresa. Os jurados também reconheceram que, durante a ação, houve erro na execução, que resultou em disparos contra o marido da vítima principal, também atingido no crime ocorrido em dezembro de 2024. O caso foi revelado pelo Fantástico e, inicialmente, havia sido tratado como uma briga de trânsito seguida de tentativa de homicídio. No entanto, após a análise de imagens de câmeras de segurança, a Polícia Civil constatou que o atirador disparou diretamente contra a passageira do veículo e aprofundou as investigações. Rafael Rosa Silva, Tiago Ferreira dos Santos e Júlio César Benício de Medeiros. Reprodução/TV Globo A apuração apontou que a motivação dos tiros estava relacionada ao trabalho da mulher, que atuou por 17 anos como analista financeira na sede da Unimed Nacional. Antes do atentado, ela teria denunciado um desvio de dinheiro praticado por uma ex-colega de trabalho, Bruna Perugine Teixeira, que, segundo a investigação, contratou os executores para matá-la. Bruna nunca foi encontrada pela polícia, que indica que ela tentou forjar um desaparecimento (veja mais abaixo). De acordo com a sentença do juiz Gustavo Celeste Ormenese, os jurados acolheram a tese apresentada pela acusação e reconheceram a intenção de matar a ex-funcionária. Para Rafael Rosa Silva e Tiago Ferreira dos Santos, o Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas. No caso de Júlio César Benício de Medeiros, os jurados reconheceram apenas a qualificadora do recurso que dificultou a defesa, além de considerarem que ele teve participação de menor importância no crime. Penas dos acusados: Rafael Rosa Silva: foi condenado por tentativa de homicídio qualificado. A pena foi fixada em 16 anos, 7 meses e 3 dias de reclusão, em regime inicial fechado. Tiago Ferreira dos Santos: também foi condenado por tentativa de homicídio qualificado. Os jurados e o juiz entenderam que ele teve papel de destaque na empreitada criminosa, atuando como articulador da ação. A pena foi fixada em 18 anos e 8 meses de reclusão, em regime inicial fechado. Júlio César Benício de Medeiros: foi condenado por participação na tentativa de homicídio qualificado. O Conselho de Sentença reconheceu a causa de diminuição de pena por participação de menor importância. Segundo a sentença, ele emprestou o veículo utilizado pelos executores e, posteriormente, comunicou falsamente o furto do carro. A pena foi fixada em 9 anos e 4 meses de reclusão, em regime inicial fechado. A sentença também determinou a execução imediata das penas dos três homens. Mandante foragida A mandante do crime - Bruna Perugine Teixeira - continua foragida. Reprodução/TV Globo A colega de trabalho acusada dos desfalques é Bruna Perugine Teixeira, analista financeira no mesmo setor da Unimed. Segundo a polícia, ela arquitetou os desvios de dinheiro e também planejou a morte da colega. "Pra tirar eu do caminho ali que eu tava, que eu que descobri esse desvio, ela solicitou fazer esse homicídio contra mim", relatou a vítima. “Ela mostra a frieza de mandar uma mensagem, um vídeo para essa vítima e se solidarizando”, completou o delegado. A investigação descobriu que Bruna montou a “C-Gás Fundo de Investimentos” junto com o contador Danilo Araújo de Souza. Nas redes sociais, Danilo gostava de postar fotos aproveitando a vida em viagens ao exterior. Extratos bancários mostram várias transferências da Unimed Nacional para a empresa fantasma. Em outubro do ano passado, a cooperativa pagou R$ 145 mil à C-Gás. No mesmo dia, Danilo recebeu da C-Gás um PIX de R$ 146 mil. Ao todo, Bruna e Danilo teriam desviado mais de R$ 4,8 milhões da Unimed. “Eu, de início, não acreditava. Eu não acreditava que tinha partido dali, que foi alguma colega dela de trabalho", disse o homem. A polícia comprovou a ligação entre os desvios e o atentado contra a família. A empresa C-Gás fez várias transferências para Maurício Mafran Bonfim, apontado como laranja. Segundo a investigação, foi ele quem pagou os dois autores do atentado. O extrato mostra que, logo depois de receber dinheiro da C-Gás, Maurício repassou valores para Rafael Rosa da Silva, o atirador. "Não há dúvida alguma que o intuito era ceifar a vida, pelo menos dela, mas acredito que dos dois”, diz o delegado. Ao saber que poderia ser presa, Bruna Perugine desapareceu. O carro dela foi abandonado e a família chegou a pedir informações sobre o paradeiro. Para a polícia, tudo era encenação. “Ela também efetuou essa falsa comunicação de crime, o desaparecimento, pra também tentar escapar do crime”, diz o delegado. O sócio da C-Gás, Danilo, o atirador Rafael e o motorista Tiago também es