Investimentos de empresas estrangeiras colocam o Sul de MG na disputa global por terras raras; entenda
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Empresas estrangeiras estão investindo em projetos de terras raras no Sul de Minas, com a australiana Lynas Rare Earths anunciando acordo para adquirir a Meteoric Resources e controlar o projeto Caldeira. A região integra a disputa internacional para diversificar o fornecimento de minerais críticos, atualmente dominado pela China, e vários projetos ainda aguardam licenciamento ambiental.
Investimentos estrangeiros colocam o Sul de MG na disputa global por terras raras A busca global por minerais usados em tecnologias de energia limpa e equipamentos de alta tecnologia colocou o Sul de Minas no centro da corrida internacional pelas terras raras. Na região do Planalto de Poços de Caldas, várias empresas estrangeiras mantêm projetos de pesquisa, exploração e desenvolvimento de minas em diferentes estágios. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Amostra de argila com compostos de terras raras retiradas na caldeira vulcânica de Poços de Caldas, MG Viridis/Divulgação Na quarta-feira (30), a Lynas Rare Earths anunciou um acordo para adquirir a Meteoric Resources por cerca de A$ 968 milhões (aproximadamente R$ 3,5 bilhões, na cotação atual). Com a operação, a empresa australiana passará a controlar o projeto Caldeira, de terras raras, em Caldas(MG). A australiana Meteoric foi uma das primeiras empresas estrangeiras a fazer aquisição de projetos de exploração de terras raras na região, juntamente com a também australiana Viridis Mining and Minerals, em 2023. Ambos os projetos estão em fase de licenciamento ambiental e têm previsão de iniciar operação em 2028. Em abril deste ano, outra empresa australiana, a Power Minerals, concluiu a compra do projeto de terras raras "Morro do Ferro", em Poços de Caldas (MG), por cerca de R$ 80 milhões e segue fazendo pesquisas de exploração. A região também passou a despertar o interesse de empresas de outros países que buscam garantir acesso futuro aos minerais estratégicos, seja por meio de aquisição de área de exploração ou da compra dos minerais. Segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), em 2025, havia 1.882 autorizações para pesquisa de terras raras no Brasil, sendo que 361 eram em Minas Gerais. Cerca de um terço dos pedidos mineiros estava concentrado na região de Poços de Caldas. A movimentação ocorre em um momento de disputa internacional pelo controle da cadeia de terras raras e quebra do monopólio da China, que concentra cerca de 70% da produção mundial e quase 90% do processamento e da fabricação de ímãs. Estados Unidos e União Europeia estão na frente dessa corrida por fornecedores destes minerais críticos. Mineradora faz perfuração de sondagem em área de futura mina de terras raras em Poços de Caldas, MG Viridis/Divulgação Mas por que o Sul de Minas se tornou tão importante nessa disputa? O g1 preparou 8 perguntas para explicar o que as empresas estrangeiras estão buscando na região: O que são terras raras e por que elas são tão importantes? Por que o Sul de Minas entrou no radar internacional? Qual é o tamanho do potencial mineral da região? Quais empresas estrangeiras estão investindo na região? Por que empresas australianas estão tão presentes? O interesse estrangeiro termina na Austrália? O Sul de Minas pode abastecer quanto do mercado mundial? Por que o momento atual é considerado estratégico para o Brasil? 1. O que são terras raras e por que elas são tão importantes? Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em diferentes setores da indústria e da tecnologia. Entre eles estão o neodímio, o praseodímio, o térbio e o disprósio. Alguns desses elementos são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, utilizados em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. A procura por esses minerais aumentou com a expansão de tecnologias associadas à transição energética e com a necessidade de países como Estados Unidos e integrantes da União Europeia de reduzir a dependência da cadeia produtiva concentrada na China. Terras raras: tipos e usos Arte/g1 2. Por que o Sul de Minas entrou no radar internacional? O Planalto de Poços de Caldas, que engloba áreas de Poços de Caldas, Caldas e Andradas, em Minas Gerais, e de Águas da Prata, em São Paulo, reúne características consideradas favoráveis à ocorrência de terras raras. A estrutura geológica da região foi formada a partir de atividades vulcânicas há milhares de anos. A caldeira resultante deste vulcão extinto possui depósitos em argilas iônicas, nas quais os elementos são abundantes e podem ser encontrados próximos à superfície. A jazida tem se destacado mundialmente pela sua extensão e alta concentração de terras raras. Outro diferencial é que os elementos estão em argila iônica, o que permite a exploração em minas a céu aberto, o que torna o processo mais fácil e mais barato que em outras minas existentes fora do Brasil. 3. Qual é o tamanho do potencial mineral da região? A dimensão exata dos recursos ainda depende dos estudos realizados em cada área, mas o conjunto do Planalto de Poços de Caldas é considerado uma das principais regiões brasileiras para pesquisa de terras raras. Segundo o geólogo Álvaro Fochi, responsável pela identificação de uma das jazidas na região, no início dos anos 2010, a cratera de aproximadamente 800 km² poderia gerar até 300 milhões de toneladas de terras raras. Esse