Investigação revela rede que vendia vídeos de violência sexual contra mulheres; brasileiras estão entre as vítimas
AI Summary
An international investigation exposed a criminal network involving Brazilian men who drugged female family members to sexually abuse them and sell videos of the crimes online. The Brazilian Federal Police and Europol uncovered operations across multiple countries, leading to several arrests.
Mulheres brasileiras são dopadas e vítimas de abuso sexual por parte de pessoas bem próximas Uma investigação internacional revelou uma rede de homens, incluindo brasileiros, que dopava mulheres da própria família para cometer abusos sexuais e vender os vídeos dos crimes. As vítimas eram drogadas com medicamentos, muitas vezes de prescrição restrita, para deixá-las incapazes de resistir, segundo Flávio Rolim, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio da Polícia Federal. A partir desse momento, elas se tornavam alvos de abusos sexuais. As cenas dos crimes eram gravadas e posteriormente vendidas em sites na internet ou em aplicativos de mensagens. É um caso bem parecido com o da francesa Gisele Pelicot, que foi dopada pelo próprio marido e depois abusada por ele e por outros homens. "A vítima não espera que a agressão venha daquela pessoa. Ela é colocada, na verdade, em uma absoluta incapacidade de resistir e de tomar conhecimento de que ela foi vítima daquele crime", diz Rolim. A investigação da Polícia Federal começou no ano passado, depois de um alerta da Europol, a agência da União Europeia para cooperação policial. A polícia alemã foi a primeira a descobrir as atividades dos abusadores e percebeu que o grupo atuava em mais 8 países, incluindo o Brasil. ➡️ A identidade dos suspeitos não será revelada para evitar a exposição das vítimas, que tinham ligações públicas com os criminosos. "Existia um brasileiro que desenvolvia uma espécie de manual a respeito de como essas medicações deveriam ser ministradas, quais eram as medicações que tinham um efeito mais contundente na vítima", explica Rolim. O suspeito de ser um dos chefes do esquema e de abusar de pessoas da própria família foi preso em fevereiro. Foi a partir de mensagens trocadas com ele que a polícia descobriu a participação de outros brasileiros (veja abaixo). Marido: "É raro ela beber muito. Qual antidepressivo tu recomenda?". Suspeito: "Mas ele dá um trabalho pra triturar, e tem que misturar em outra coisa além de cerveja". "Eu não sabia que tomava bebidas alcoólica com medicamentos controlados", afirmou a vítima. O marido dela foi preso nesta semana e, no depoimento, confessou os crimes. Questionado sobre o uso de medicamentos com a esposa, respondeu: "Peguei quatro [medicamentos], triturei, misturei em um copo com água e dei pra ela tomar". As conversas ainda mostram como o vídeo dos abusos eram negociados. Em algumas, o suspeito de ser chefe do esquema aparece negociando o valor dos vídeos: Suspeito: "Queria saber os preços?" Participante: "A partir de 59". Suspeito: "59, é um vídeo?" Participante: "Até 5 vídeos e fotos". Segundo a polícia, esse homem, que também foi preso, dopava e abusava da atual e da ex-companheira. "Eu sempre via calmantes nos pertences do meu namorado. Ele afirmava que tinha dificuldade pra dormir e que os medicamentos eram dados pela mãe", diz a vítima. Até este momento, cinco homens foram identificados: quatro estão presos e um responde em liberdade. Eles são dos estados do Pará, Ceará, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul. Com o material apreendido, a Polícia Federal já sabe que existem outros abusadores brasileiros que fazem parte desse esquema internacional. "É um crime novo que se está praticando e que tá deixando até mesmo os policiais que estão acostumados com crimes chocados", aponta Davi Jacobs de Souza, chefe da Delegacia de Crimes Cibernéticos da PF/RS. Brasileiros são investigados por integrar rede internacional de vídeos de abusos contra mulheres da própria família Fantástico GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.