Inteligência artificial tem 'sede' e pode provocar falta de água? Entenda o impacto

🇧🇷 Globo (BR) —
Inteligência artificial tem 'sede' e pode provocar falta de água? Entenda o impacto

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A 2026 study estimated that AI infrastructure in metropolitan São Paulo has an annual water footprint of 16.1 billion liters, including water used for cooling and electricity generation. The figure is based on modeling rather than direct measurement, and the article explains that data-center water use varies with facility size and cooling technology.

Até onde vai a sede da inteligência artificial? Pesquisas revelam impactos sobre a água Edição / Rodrigo Peronti / arquivo/Canva Uma pergunta feita à inteligência artificial, uma pesquisa na internet ou um arquivo armazenado na nuvem dependem de uma infraestrutura física que também utiliza recursos naturais. Por trás desses serviços estão os data centers, instalações que abrigam servidores e equipamentos responsáveis pelo processamento e armazenamento de informações. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram Além da eletricidade, essas estruturas podem consumir água para controlar a temperatura dos equipamentos. Com a expansão da inteligência artificial (IA), pesquisadores passaram a investigar os efeitos dessa demanda sobre os recursos hídricos, especialmente em regiões sujeitas à escassez de água. Um estudo publicado em 2026 na revista científica Cambridge Prisms: Water estimou em 16,1 bilhões de litros por ano a pegada hídrica (volume total de água doce utilizada direta e indiretamente em uma atividade ou processo) da infraestrutura de inteligência artificial analisada na região metropolitana de São Paulo. O cálculo considera tanto a água utilizada diretamente nos sistemas de refrigeração quanto aquela associada à geração da eletricidade. O resultado foi obtido por meio de modelagem científica, com base em dados sobre infraestrutura, consumo energético e características dos sistemas hídricos. Portanto, não representa uma medição direta da água consumida pelas instalações. Para Diego Mota Siqueira, chefe do Serviço de Supercomputação (SESUP), da Coordenação de Infraestrutura de Dados e Supercomputação (COIDS), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), compreender esse impacto exige considerar as características de cada empreendimento. "Essa resposta é muito relativa. De que tamanho de data center estamos falando? E de que tamanho de cidade? Isso vai determinar diretamente o impacto." Veja o que está em alta no g1: Agora no g1 VEJA TAMBÉM: Moscas revelam animais 'escondidos' na Mata Atlântica por meio de DNA 'Isso é tudo olho': casal flagra vários jacarés pelo brilho dos olhos durante a noite no Pantanal Ele é um gato, vive no Brasil e é mais raro do que se imaginava; agora é considerado 'quase ameaçado' Por que os data centers precisam de água? Os servidores produzem calor durante o funcionamento. Para evitar o superaquecimento, as instalações utilizam sistemas de refrigeração que podem empregar água, ar ou outras tecnologias. "Um data center utiliza água principalmente para resfriar os equipamentos, que geram muito calor durante a operação. Quanto maior o data center, mais calor ele vai gerar e mais água vai consumir", explica Siqueira. Equipamentos que resfriam a água são conectados a um prédio do data center da OpenAI durante uma visita às instalações em Abilene, no Texas, Estados Unidos. Shelby Tauber / Reuters Nos sistemas que utilizam torres de resfriamento, parte da água evapora para dissipar o calor. É necessário repor esse volume, além de compensar outras perdas do sistema. Entretanto, nem todas as instalações utilizam a mesma tecnologia. "Importante: nem todo data center precisa consumir muita água. Sistemas com refrigeração a ar ou condensação a ar podem ter consumo de água muito baixo." A localização também interfere nessa demanda. Em regiões mais quentes, determinados sistemas precisam trabalhar com maior intensidade para manter a temperatura adequada dos equipamentos. "Em regiões quentes, os equipamentos precisam dissipar mais calor e os sistemas de refrigeração trabalham por mais tempo e com maior carga. Se o projeto utiliza torres de resfriamento, isso pode significar maior evaporação e, portanto, maior consumo de água." Segundo o especialista, a situação exige atenção adicional em locais com histórico de estiagens. "Em regiões sujeitas a seca ou escassez hídrica, o problema é ainda mais relevante: um data center pode competir pelo mesmo recurso utilizado pela população, agricultura e indústria." O consumo de água vai além dos sistemas de refrigeração A pegada hídrica dos data centers não se limita à água utilizada dentro das instalações. A produção da eletricidade necessária para manter os equipamentos funcionando também pode envolver consumo de água. Usina Hidrelétrica de Três Marias Cemig O estudo publicado na Cambridge Prisms: Water, assinado pelo pesquisador Guangda Liang, da Queen Margaret University, no Reino Unido, aponta que mais de 46% da pegada hídrica estimada para a infraestrutura analisada em São Paulo está associada indiretamente à geração hidrelétrica. Essa parcela considera a evaporação da água nos reservatórios vinculada à produção de eletricidade, segundo os critérios adotados pelo pesquisador. Outra pesquisa, publicada em novembro de 2025 na Nature Sustainability, projetou que a operação de servidores de inteligência artificial nos Estados Unidos poderá apresentar uma pegada hídrica anual entre 731 bilhões e 1,125 trilhão de litros, conforme os cenári

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