Inseto raro 'esquecido' há 103 anos é encontrado na Amazônia por pesquisadores da Unesp
AI Summary
Researchers from Unesp discovered a rare insect species, Bagriella meneguettii, in the Amazon rainforest after it was forgotten for over 100 years. The discovery highlights the rich and still poorly understood biodiversity of the Amazon region.
Inseto raro 'esquecido' há 103 anos é encontrado na Amazônia por pesquisadores da Unesp Pesquisadores da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) de Araraquara (SP) descobriram uma espécie de inseto raro em uma expedição na Amazônia. Batizada de Bagriella meneguettii, a descoberta representa um avanço significativo à taxonomia, ciência que estuda a classificação, identificação e nomenclatura, dos Reduviidae, família dos percevejos. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Com um único exemplar conhecido no mundo, o inseto do gênero Bagriella permaneceu "esquecido" por mais de 100 anos. Coletado na América Central em 1923 e depositado no Museu Nacional de História Natural, em Washington, nos Estados Unidos, o percevejo apareceu nos registros científicos dos pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF). A descoberta, de acordo com os pesquisadores, reforça o quanto a biodiversidade amazônica ainda é pouco conhecida. "O troféu do taxonomista é quando encontra algo novo. E esse bicho ficou 103 anos esperando por alguém que o reconhecesse", disse o co-autor do estudo, Jader de Oliveira. Mais notícias da região: CRIME: Polícia resgata quase 80 gatos, cães e aves e prende homem por maus-tratos VÍDEO: homem é preso após atear fogo à esposa e ao sogro em Tambaú VAGAS PARA MERENDEIROS: prefeitura abre inscrições para contratação Descoberta do percevejo A nova espécie foi encontrada durante expedição no Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre Pedro Devani/Secom A princípio, os pesquisadores buscavam avaliar a presença e o comportamento dos triatomíneos, popularmente chamados 'barbeiros', vetores da doença de Chagas, focando na biodiversidade dos estados do Acre e Rondônia. No entanto, com a instalação de 10 armadilhas luminosas espalhadas em pontos estratégicos na floresta da Serra do Divisor, no Acre, os pesquisadores capturaram mais de 10 mil insetos de grupos variados. "Dentro dessa miscelânea de insetos, havia uma espécie que me chamou atenção. Desconfiei que poderia ser um Bagriella", contou Jader. O pesquisador da FCF recorreu ao professor Hélcio Reinaldo Gil Santana, um dos dois únicos especialistas brasileiros na família Reduviidae, que reconheceu a raridade do achado. Eles procuraram o curador do Museu em Washington, que fotografou o material de 1923 e enviaram para confirmação. "Nós olhamos o bicho e eu falei: "O que a gente tem em mãos é uma espécie nova, ele não bate com a descrição da Bagriella ornata”, lembrou Jader. O inseto pertence à mesma família dos barbeiros, denominada Reduviidae Divulgação Assim como a ornata, a meneguettii tem um corpo delgado [fino] e repleto de espinhos. A diferença morfológica ocorre nas pernas, descritas como raptoriais [adaptadas especificamente para agarrar e capturar presas, funcionando frequentemente como pinças], e também nas asas. “As características das asas foram fundamentais porque não "batiam" com a descrição da Bagriella ornata, permitindo a confirmação de que se tratava de uma espécie inédita”, revelou Jader. A descoberta do percevejo foi publicada, em abril deste ano, no Journal of the International Heteropterists' Society (JHIS) e resultado da iniciativa Amazonia+10, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Escolha do nome Na ciência é tradição nomear novas espécies em homenagem a pesquisadores que contribuíram para o estudo do grupo ou que exercem papel relevante. Neste caso, a escolha foi um consenso entre os autores, que consideraram o professor Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti, da Universidade Federal do Acre (UFAC), como 'peça central' na viabilização da pesquisa na região. "Sem ele, dificilmente chegaríamos até lá. Ele abriu as portas, conhecia a região, tinha alunos daquela área. Isso facilita tudo, desde o contato com as comunidades locais até o conhecimento do território", explicou Jader. Armadilhas luminosas usadas na floresta atraíram milhares de insetos durante as expedições na Serra do Divisor Arquivo Pessoal e Jader de Oliveira Os autores explicaram que o interesse em realizar a expedição no Parque Nacional da Serra do Divisor ocorreu pela localização, na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Bolívia. "A gente queria entender o que circula nessas áreas de fronteira. Os insetos vetores não reconhecem barreiras geográficas". Jader ressaltou que a biodiversidade da Amazônia precisa ser melhor explorada, considerando que o bioma está sofrendo maior pressão econômica, o que resulta na rápida degradação. "O ambiente vem sendo tão destruído que a gente não vai conseguir mensurar o que existia ali de fato. Alguns tipos de fauna, principalmente esses grupos bem pequenos, são endêmicos, ou seja, são encontrados somente naquela região", complementou. Próximos passos Após a publicação da descoberta, os cientistas planejam usar técnicas de DNA no estômago da Bagriella meneguettii para descobrir do que esses percevejos se alimentam, ajudando a montar o 'quebra-cabeça' da