‘Indignação total’: 20 anos após acidente aéreo com 154 mortos em MT, filha de vítima cobra justiça
AI Summary
The article marks 20 years since the 2006 midair collision between Gol Flight 1907 and a Legacy jet, which killed all 154 people aboard the Boeing. A victim’s daughter says she remains outraged that the Legacy pilots, who were convicted in Brazil, never served their sentences; the sentences were declared time-barred in 2024.
Foto em porta-retratos da família Gutjahr Arquivo pessoal “Indignação total”. Essas foram as palavras usadas por Luiza Wills, filha do empresário Rolf Gutjahr, uma das 154 vítimas do acidente aéreo que completa 20 anos nesta terça-feira (29). Na época da tragédia, Luiza tinha quatro anos. Ao g1, a filha explicou que o sentimento de indignação está relacionado à falta de punição aos responsáveis pelo acidente. “É lógico que a tristeza será para sempre, a saudade será para sempre, mas, da situação toda, é indignação. Não tem outra palavra que descreva melhor”, disse Luiza. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp O acidente aconteceu em setembro de 2006, quando um Boeing da Gol, que fazia o voo 1907 de Manaus (AM) para o Rio de Janeiro (RJ), colidiu no ar com um jato Legacy e caiu em Peixoto de Azevedo (MT), na terra indígena Capoto-Jarinã. Ninguém a bordo sobreviveu. Rolf tinha 54 anos, era empresário do ramo industrial e estava em uma viagem a trabalho. Segundo Luiza, o pai viajava para Manaus toda semana para trabalhar e voltava para casa no fim da semana. A família é natural do Paraná. O relatório final sobre o acidente apontou falhas dos pilotos do Legacy, os norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paladino, e também responsabilizou o controle de tráfego aéreo brasileiro pelo acidente. Pilotos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino pilotavam jato que bateu em boeing da GOL. Reprodução Os pilotos do Legacy foram indiciados pelo acidente e, em 2011, condenados pela Justiça brasileira a quatro anos e quatro meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, na modalidade culposa, quando não há intenção de matar. No entanto, eles nunca cumpriram a pena, pois deixaram o Brasil. Em maio de 2024, a Justiça Federal declarou a prescrição da pena e alegou falta de colaboração da Justiça dos Estados Unidos. O acidente Militar do Distrito Federal durante missão de resgate das vítimas do voo 1907 da Gol, em 2006 Arquivo pessoal No dia 29 de setembro de 2006, o voo 1907 da Gol saiu de Manaus com destino ao Rio de Janeiro e escala em Brasília por volta de 15h35. O jato Legacy saiu de São José dos Campos, em São Paulo, às 14h51, e iria fazer uma parada em Manaus. Depois, seguiria para os Estados Unidos. Por volta de 21h, a Gol informou em nota o desaparecimento do Boeing e o choque com o jato. Em seguida, a Força Aérea Brasileira (FAB) e o Corpo de Bombeiros iniciaram as buscas pelas vítimas do acidente. Os primeiros destroços e corpos demoraram a ser encontrados devido ao difícil acesso ao local onde a queda aconteceu, uma área de mata fechada. Na manhã do dia seguinte, um domingo (30), os militares conseguiram encontrar os destroços do avião e os corpos começaram a ser resgatados. As duas caixas-pretas do Boeing da Gol foram encontrados na segunda-feira, 2 de outubro, e confirmaram a batida com o jato. O trabalho de resgate durou cerca de 50 dias e envolveu mais de 800 pessoas, entre militares e voluntários. O último corpo a ser encontrado foi o do bancário Marcelo Paixão Lopes, que foi identificado por DNA quase dois meses depois da queda da aeronave.