Hantavírus mata quase metade dos infectados no Brasil: veja onde há mais risco (e por que não tem relação com surto em navio de cruzeiro)

🇧🇷 Globo (BR) —
Hantavírus mata quase metade dos infectados no Brasil: veja onde há mais risco (e por que não tem relação com surto em navio de cruzeiro)

AI Summary

Cases of hantavirus in Brazil have sparked concern, particularly due to its high lethality rate, which can reach nearly 50%. The virus remains endemic in certain Brazilian states, primarily in rural areas, and recent cases have been reported despite no direct connection to a cruise ship outbreak.

IOC-Fiocruz Os casos de hantavírus em um navio de cruzeiro que saiu da Argentina rumo à África provocou temor em vários países, já que passageiros de mais de 20 nacionalidades estavam a bordo e começaram a ser repatriados - não há registro de brasileiros entre eles. O episódio reacendeu dúvidas sobre uma doença até então pouco falada, mas que está presente no Brasil há mais de três décadas. Apesar de rara, a hantavirose preocupa por sua alta taxa de letalidade e pela rapidez com que pode evoluir para quadros graves. No Brasil, a doença é considerada endêmica pelo Ministério da Saúde. Isso significa que o vírus circula de forma contínua em determinadas regiões do país, principalmente em áreas rurais. VEJA TAMBÉM: Repatriação de passageiros de navio com hantavírus termina nesta segunda (11) Apesar disso, a cepa andina do vírus, que foi identificada no navio de cruzeiro, não tem circulação registrada no país - só na Argentina e no Chile. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou sete casos de hantavirose em 2026, com uma morte registrada. O levantamento é até o dia 27 de abril, data da última atualização do boletim epidemiológico disponível. Levantamento do órgão feito nas últimas décadas, mostra que o Brasil registrou 2.429 casos confirmados de hantavirose entre 1993 e 2025, com 997 mortes no período. "Apesar de a doença ser registrada em todas as regiões brasileiras, o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste concentram maior percentual de casos confirmados. A presença de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) até o momento é relatada em 16 Unidades da Federação: Pará, Rondônia, Amazonas, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Maranhão, Rio Grande do Norte, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul", diz o Ministério da Saúde em seu site. O ministério ainda reforça que as infecções ocorrem principalmente em áreas rurais, em situações ocupacionais relacionadas à agricultura, sendo pessoas do sexo masculino com faixa etária de 20 a 39 anos o grupo mais acometido, já que são a principal classe trabalhadora nesses ambientes. A maioria dos pacientes necessita de assistência hospitalar e a taxa de letalidade média é de 46,5%, ou seja, quatro em cada dez pacientes infectados morrem. A taxa brasileira está próxima da média mundial, em cerca de 40%, segundo a OMS. A alta letalidade da doença ocorre porque o vírus provoca uma resposta inflamatória intensa e descontrolada do organismo, sendo necessário diagnóstico rápido e internação hospitalar. O que muitas vezes não ocorre, já que o vírus é mais comum em áreas rurais e que, em muitos casos, o acesso à saúde é distante ou precário. "O Brasil está entre os países das Américas com o maior número de casos de síndrome pulmonar por hantavírus, ao lado de Argentina e Chile. A doença chama a atenção pela elevada gravidade. Os casos costumam ocorrer de forma esporádica ou em pequenos surtos, principalmente em áreas rurais e em ambientes com maior contato entre seres humanos e os reservatórios naturais do vírus", explica o infectologista Rodrigo de Carvalho Santana, vice-presidente da Sociedade Paulista de Infectologia. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as infecções por hantavírus são relativamente incomuns em todo o mundo. Estima-se que ocorram de 10 mil a mais de 100 mil infecções por ano, com a maior incidência na Ásia, sendo o principal país acometido a China, e nas regiões norte e central da Europa. LEIA TAMBÉM: Surto de hantavírus em cruzeiro: Fantástico tira dúvidas sobre os sintomas Hantavírus: conheça doença que causou surto em navio e é monitorada pela OMS Como é o contágio e o tratamento A hantavirose é causada por vírus da família Hantaviridae, com mais de 20 espécies de vírus, transmitidos principalmente por roedores silvestres e não por ratos comumente encontrados em centros urbanos. No Brasil esses roedores são encontrados em plantações, matas, celeiros, galpões e áreas agrícolas. Isso explica por que cerca de 70% dos casos ocorreram em áreas rurais. Os ratos eliminam o vírus pela urina, saliva e fezes. A infecção humana ocorre quando partículas contaminadas são inaladas em locais fechados, mal ventilados ou com presença de excrementos de ratos do mato. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso são os que mais aparecem nas estatísticas epidemiológicas. Atividades agropecuárias, desmatamento e ocupação de áreas de mata aumentam o contato humano com os reservatórios do vírus. "Nessas regiões ocorrem os principais roedores silvestres, que atuam como reservatórios naturais do vírus, especialmente nas áreas de Cerrado e de Mata Atlântica. Além disso, são regiões com intensa atividade agrícola, como o cultivo de grãos e de cana-de-açúcar, o armazenamento de alimentos e maior contato humano com áreas rurais e silvestres. Essas atividades aumentam a chance de exposição à poeira contaminada por urina, fezes ou saliva de roedores infectados", acrescenta Santana.

World Travel Health hantavirus lethality endemic Brazil health concerns rural areas disease public health

Read original source →