Haiti chegou à Copa sem ter jogado em casa nas Eliminatórias e com técnico que nunca pisou no país

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Haiti chegou à Copa sem ter jogado em casa nas Eliminatórias e com técnico que nunca pisou no país

AI Summary

Haiti returns to the 2026 FIFA World Cup after 52 years amid severe political and humanitarian crises. The national football team has faced challenges including a stadium siege by armed gangs, matches held abroad, and the destruction of key training facilities, reflecting wider instability in the country.

Veja a análise do Grupo C da Copa do Mundo 2026 O Haiti reencontra a Copa do Mundo depois de 52 anos. No torneio de seleções, o país caribenho tenta encontrar um alívio em meio à grave crise política e humanitária que assola o local nos últimos anos. O estado de calamidade pública teve seus impactos no esporte, como estádio sitiado, disputa das Eliminatórias em Curaçao e um técnico que nunca pisou no Haiti. A primeira partida será neste sábado, às 22h, contra a Escócia, em Boston, pelo Grupo C, o mesmo de Brasil e Marrocos, que se enfrentam às 19h, em Nova Jersey. + Veja a tabela da Copa do Mundo + Guia da Copa do Mundo 2026 + Haiti x Escócia: onde assistir ao vivo, horário e escalações Estádio sitiado, gangues e incêndio em CT O estádio Sylvio Cator é o principal do Haiti e casa da seleção nacional. No entanto, não recebeu nenhum dos jogos dos Grenadiers no ciclo prévio à Copa do Mundo. A seleção mandou três jogos nas Eliminatórias da Concacaf, todos no estádio Ergilio Hato, em Curaçao. A medida foi uma consequência direta da invasão ao estádio Sylvio Cator, no fim de fevereiro de 2024, por gangues armadas. À época, a federação haitiana afirmou que um funcionário da federação foi sequestrado. — O ciclo de violência em que o país está mergulhado há bastante tempo resultou na destruição de um patrimônio que é reconhecido mundialmente como símbolo do futebol e do esporte no Haiti. Um funcionário da FHF foi sequestrado e sua vida foi ameaçada. Neste momento, ainda não conhecemos a extensão dos danos. Assim que possível, será realizada uma avaliação com o apoio de um juiz de paz. + Griot, Oxtails e Sopa Joumou: os pratos típicos que serão servidos à seleção do Haiti na Copa Haiti vive grave crise política e de violência Guerinault Louis/Anadolu via Getty Images O assassinato do presidente Jovenel Moïse, em 2021, deu início a um vácuo de poder que propiciou grave insegurança e a ascensão de gangues armadas. O Comitê Internacional de Resgate (IRC, na sigla original em inglês) definiu o Haiti como um dos dez países em crise a ficar de olho em 2026. No fim de 2025, os dados mostravam que mais de 10% da população haitiana já havia fugido de suas casas pela violência, e mais de metade do Haiti vivia níveis críticos de fome. Em fevereiro deste ano, membros de gangues incendiaram o Fifa Goal Center, em Croix-des-Bouquets, descrito pelo governo local como um CT que "desempenhou um papel histórico no desenvolvimento do futebol haitiano". — Ao longo de várias décadas, formou jogadores que fizeram ou ainda fazem o orgulho do país no cenário internacional. Mechack Jérôme, Fabien Vorbe, Charles Herold Junior, Joseph Guemsly Junior, Nerilia Mondésir, Sherly Jeudi, Batcheba Louis e Melchie Daëlle Dumornay, entre outros, puderam aprimorar seu talento nato no centro de Croix-des-Bouquets — disse, em nota, o Ministério da Juventude, dos Esportes e da Ação Cívica do Haiti. + Haiti confirma mudança em camisa após pedido da Fifa e retira imagem histórica Haiti vive grave crise política e de violência Guerinault Louis/Anadolu via Getty Images Seleção tem maioria de atletas jogando fora do Haiti Dos 26 convocados pelo técnico Sébastien Migné, quase todos atuam por clubes fora do futebol haitiano. A única exceção é o meia Pierre Woodensky, do Violette AC, que perdeu os primeiros dias de preparação após atrasos para a emissão do visto para entrar no Estados Unidos. Em junho de 2025, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, suspendeu por tempo indeterminado a entrada de cidadãos de 19 países nos EUA - entre eles, o Haiti. Em 2026, foram aplicadas novas limitações à emissão de vistos para cidadãos desses 19 países. Dentre as exceções estão "participantes de certos grandes eventos esportivos", conforme divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. + "Estou Haitianizado": desempenho de rival do Brasil na Copa do Mundo gera elogios na web Pierre Woodensky, meia do Haiti Vaughn Ridley/Getty Images Técnico do Haiti nunca pisou no país Sébastien Migné é celebrado no Haiti como mentor de um renascimento da seleção. A classificação para a Copa do Mundo era impensável em meio a situação caótica do país e atuando sempre fora de casa durante as eliminatórias. Curiosamente, Migné jamais pisou no Haiti. Ele assumiu a seleção em junho de 2024. – É impossível, pois é muito perigoso. Eu normalmente moro no país onde trabalho, mas não posso aqui. Nem existem mais voos internacionais que pousam lá – disse em entrevista à revista France Football. Sébastien Migné convocou os 26 jogadores do Haiti para a Copa do Mundo Getty Images O comandante é pupilo de Claude Le Roy, que fez carreira em diversas seleções da África e conquistou a Copa Africana de Nações em 1988 com Camarões. Migné também dirigiu seleções africanas, como Congo, Quênia e Guiné antes de assumir o Haiti. A última participação Esta será a segunda participação do Haiti na Copa do Mundo, 52 anos depois da estreia. Em 1974, a seleção caribenha não somou quaisquer pontos e caiu

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