'Ficaram 5 dias sem água': ativista LGBT+ denuncia tortura e prisões arbitrárias na Turquia

🇹🇷 Globo (TR) —
'Ficaram 5 dias sem água': ativista LGBT+ denuncia tortura e prisões arbitrárias na Turquia

AI Summary

The Turkish government's widespread crackdown on the LGBT+ community has led to numerous arrests and allegations of torture and inhumane prison conditions. Activists report harsh treatment including solitary confinement, deprivation of water, and denial of medical care amid escalating protests and police repression in multiple cities.

Manifestantes entram em confronto com tropa da polícia durante um protesto contra a detenção de 16 pessoas que aguardam julgamento após uma série de operações do governo contra associações LGBTQ+, em Izmir, Turquia, em 14 de setembro de 2026. Ali Dinc/Reuters Uma ampla operação do governo da Turquia contra a comunidade LGBT+ resultou em prisões e uma leva de denúncias de tortura e graves violações dos direitos humanos em presídios turcos. A escalada nas tensões começou em 12 de setembro. Em entrevista ao g1, o jornalista e ativista Yildiz Tar, da ONG Kaos GL — uma das maiores da Turquia —, denunciou a violência cometida contra os detidos: "Meus amigos e colegas foram maltratados e torturados". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsAp p Das quase 200 pessoas detidas pelo governo desde o início da operação, a ONG estima que pelo menos 82 foram levadas a presídios. "Eles estão em condições muito difíceis nas prisões", afirmou Yildiz. "Enfrentaram tortura, foram colocados na solitária e ficaram sem água por cinco dias", relatou. Apesar dos abusos, Yildiz reforçou a determinação do grupo: "Como movimento, nós vamos continuar. A comunidade precisa de nós. Nós, pessoas LGBT, precisamos viver nossas vidas com dignidade e respeito". Yildiz Tar, jornalista e integrante da ONG Kaos GL Reprodução/Redes Sociais Bloqueio digital, invasões e prisões: a operação 'Minha Família está Segura' A ofensiva do governo turco começou no dia 12 de setembro com bloqueios de acesso e censura a redes sociais e portais de notícias das organizações LGBT+. Na sequência, a polícia invadiu sedes de entidades civis e residências de membros das associações. De acordo com a ONG Kaos GL, a ação atingiu ao menos sete organizações LGBT+ e duas entidades de apoio a pessoas que vivem com HIV. A investida policial também mirou o círculo familiar dos ativistas e membros da comunidade LGBT+ turca. Diante da onda de detenções, manifestantes saíram às ruas em Istambul, Ancara e Izmir no dia 15. A polícia reprimiu os atos com violência. Segundo a agência de notícias Reuters, ao menos 126 pessoas foram detidas durante os protestos. De acordo com a ONG Kaos GL, que tem recebido relatos de alguns dos presos, os ativistas foram submetidos a revistas íntimas vexatórias com ofensas e ameaças. Também teriam enfrentado agressões físicas, corte forçado de cabelo e negação de remédios de uso contínuo, roupas limpas e água potável. Carta enviada pela ativista Janset Kalan, uma das lideranças da ONG Kaos GL, atualmente presa em uma cadeia turca. Ela relata que está privada de roupas limpas, banho e produtos de higiene. Reprodução / Kaos GL Justificativas do governo A agência de notícias Reuters, que teve acesso a documentos oficiais, reporta que o governo turco justifica as ações alegando proteger a "instituição da família", os "interesses das crianças" e a "moral pública". Os ativistas são acusados de "obscenidade", "prostituição" e "violação da Lei de Associações". Yildiz Tar explica que não há lei que criminalize diretamente pessoas LGBT+ na Turquia. Em entrevista ao g1, o ativista pontuou que o governo também acusa as entidades de serem financiadas por entidades do "Ocidente", como a União Europeia e a ONU. O Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, Michael O'Flaherty⁠, expressou preocupação com as prisões, incursões e restrições on-line direcionadas à sociedade civil LGBTQ+ e aos defensores dos direitos humanos. O comissário afirmou que as referências aos "valores familiares" ou à "proteção das crianças" não poderiam, por si só, justificar as restrições dos direitos humanos e pediu a libertação de qualquer pessoa detida por defender os direitos humanos ou pelo trabalho da sociedade civil. Turquia amplia repressão à comunidade LGBT+ Escalada de tensões, veto a marchas e 'cortina de fumaça' A repressão atual, segundo a ONG Kaos GL, reflete um processo contínuo de deterioração das liberdades individuais no país. No movimento LGBT+ desde 2009, Yildiz Tar destaca que o ambiente político se tornou drasticamente mais hostil. "O cenário é pior agora", afirmou Yildiz. O jornalista recordou que, no início de sua militância, era possível organizar passeatas sem intervenção policial. Segundo ele, a virada repressiva ocorreu em 2015, quando a polícia atacou a Parada do Orgulho de Istambul. Segundo a Reuters, o governo do presidente Tayyip Erdogan endureceu os ataques contra minorias sexuais. A realização da Parada do Orgulho de Istambul foi banida este ano, assim como outros eventos culturais pelo país. Para Yildiz, a violência estatal não reflete a postura do povo turco. "Não é sobre a sociedade, é sobre as políticas do governo", declarou. "Eles estão demonizando a comunidade", desabafa. O ativista avalia que o ataque à comunidade LGBT+ funciona como um recurso político do governo Erdogan. Segundo ele, o governo utiliza a pauta moralista como uma "cortina de fumaça" para esconder o aumento dos índices de pobreza na Turquia. "Estou frust

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