Fantástico acompanha combate ao ebola, que avança em meio a crise humanitária na República Democrática do Congo
AI Summary
The Ebola epidemic in the Democratic Republic of Congo has claimed nearly 4,000 lives since May, spreading across seven provinces amid ongoing internal conflicts affecting millions. Humanitarian efforts continue with medical teams isolating patients and seeking vaccine and antiviral treatments for a rare variant of the virus.
Fantástico mostra o sofrimento em torno do surto de ebola que matou quase 4 mil em 4 meses A epidemia de ebola na República Democrática do Congo já matou quase 4 mil pessoas desde maio e continua avançando. O surto se espalhou por sete províncias e o número de infectados dobra a cada 20 dias. A doença ocorre em meio a conflitos internos, que tiraram de cada mais de 7 milhões de pessoas. Os repórteres Sonia Bridi e Paulo Zero, do Fantástico, embarcaram no avião da Organização das Nações Unidas (ONU) a convite da Monusco, missão de paz no país comandada por um general brasileiro. O destino é Bunia, o epicentro da epidemia de ebola e que só recebe aviões da ONU e de organizações humanitárias. Devido ao surto, voos comerciais levam apenas até Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. Epidemia de ebola na República Democrática do Congo: saiba como ajudar Epidemia de ebola na República Democrática do Congo matou quase 4 mil pessoas desde maio Reprodução/TV Globo A origem do vírus ainda não é completamente conhecida. O principal suspeito de ser seu hospedeiro é o morcego da fruta, consumido por parte da população. O vírus do ebola, que tem o formato de um cordão, entra por mucosas ou pequenos cortes na pele e engana as células de defesa que deveriam combater o invasor. Ele se multiplica até que as células explodam, espalhando uma imensa carga viral no organismo. O vírus ataca órgãos como o fígado e o baço, que param de produzir as substâncias pela coagulação do sangue. Em casos graves, o paciente pode sofrer hemorragias e uma resposta inflamatória intensa, que leva à falência de vários órgãos. Há quatro variantes do ebola que provocam a doença em humanos e já foram identificados. Para a mais comum, Zaire, existe vacina e remédio antiviral. Mas o surto atual tem uma variante mais rara, chamada de Budinbugyo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) testa uma vacina e coordena testes com antivirais existentes para encontrar um que funcione contra o Budinbugyo. Mesmo sem remédio, é possível tratar e curar pacientes como hidratação, nutrição, isolamento e prevenção de complicações. Centro de tratamento No Centro de Tratamento de Ebola dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), os pacientes são mantidos em áreas de isolamento, as chamadas "zonas vermelhas". Os profissionais entram nesses locais usando macacão, luvas, máscaras, gorro e proteção para o rosto. Quem está na chamada "zona verde" acompanha os pacientes por janelas de plástico. O protocolo é rígido porque o vírus é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais, como sangue, vômito e secreções. Centro de Tratamento de Ebola dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), na República Democrática do Congo Reprodução/TV Globo Mathias Vermaelen, pediatra do MSF, é holandês, tem pai brasileiro e tem atendido pacientes no local. "Eu cheguei aqui há duas semanas. E comecei a trabalhar no primeiro dia. A gente trabalha seis em sete dias, mais ou menos. É muito intenso", afirmou. Em uma das visitas do Fantástico, Mathias atendeu a um menino de 7 anos que estava desidratado e tinha problemas pulmonares e diarreia. O garoto precisou receber hidratação pela veia, mas morreu naquela noite. A cada quatro mortes de ebola, três foram na cidade de Bunia e arredores. A rotina na região mudou: até os marceneiros passaram a produzir principalmente caixões, porque os enterros precisam ser realizados rapidamente para evitar novos contágios. Mathias Vermaelen, pediatra do MSF Reprodução/TV Globo Na República Democrática do Congo, tocar o corpo de uma pessoa morta faz parte do ritual funerário. Mas, como o vírus continua capaz de infectar mesmo após a morte, os enterros precisam ser rápidos. Por isso, a Cruz Vermelha mobilizou voluntários para um trabalho perigoso e fundamental. Com roupas de proteção, eles garantem uma despedida digna e com segurança. Na cidade, a rotina parece não ter mudado. Feirantes dizem ter medo do ebola, mas acreditam estarem seguras se mantiverem certo distanciamento. A aparente normalidade pode ser explicada em parte porque congoleses tiveram que aprender a tocar a vida em meio a tantas adversidades. Há anos, a população convive com ataques de grupos armados e doenças transmissíveis que nunca abandonaram o país como cólera, febre tifoide e malária. Os primeiros sintomas de ebola podem ser confundidos com essas outras doenças, o que costuma levar à demora em procurar tratamento. Enfermeiros usam janela de plástico para monitorar pacientes contaminados pelo ebola Reprodução/TV Globo Início da pandemia A epidemia de ebola foi declarada em maio, mas os primeiros sinais podem ter aparecido em janeiro. "Suspeitamos que a epidemia começou três ou quatro meses antes do alerta. Os sistemas de controle de surto de doenças sofreram muito com os cortes na ajuda humanitária internacional", disse Alvert Stern, coordenador de Emergência do MSF na cidade de Beni, no República Democrática do Congo. O ebola encontrou um sistema de saúde fragilizado. Depois que a pandemia foi decret